Inquebrantável poder

Certas coisas não tem fronteiras. Uma delas é a figura do dirigente de futebol irresponsável. Aquela figura que acha que sabe tudo de tudo, que deseja que seu técnico seja um mero fantoche, que se vangloria dos feitos e culpa os outros pelos fracassos e que, acima de tudo, se deixa levar pelo impulso. Dificilmente há uma definição melhor para Marcelo Recanate, presidente do Olímpia.
Depois de seguidas declarações polêmicas, entre as quais a de que chutaria o traseiro de cada um dos jogadores de seu time e que eles não passavam de um bando de colegiais, Recanate demitiu no início da semana o técnico Nery Pumpido, após derrota para o Cerro e empate com o Guaraní. Detalhe: demitiu Nery Pumpido com o time na segunda posição, a três pontos do líder Nacional e com três rodadas a serem disputadas. Detalhe 2: pagou US$ 200 mil para isso, sendo que o treinador ganhava US$ 40 mil por mês. Detalhe 3: colocará Mauro Caballero, assistente do agora ex-treinador, para dirigir o time na reta final do torneio.
Não que Pumpido estivesse acima da crítica. A bem da verdade, o técnico era sim um dos responsáveis pela queda vertiginosa da equipe no Apertura 2011. Nas nove primeiras rodadas foram oito vitórias e uma derrota, nas nove seguintes foram três vitórias, três empates e três derrotas. Inconsistências à parte, o fato, como o próprio técnico ressaltou, é que era a primeira vez nos últimos 11 anos que o Olimpia chegava com condições de vencer um torneio nacional.
O argumento, no entanto, não seduziu Recanate em nenhum momento. Aliás, o dirigente achava que Pumpido era teimoso por não o ouvir. Como exemplo, o presidente disse que avisou o técnico para não insistir com uma dupla de centroavantes. Informado por Pumpido de que se fosse necessário ele colocaria três ou quatro centroavantes, Recanate foi à loucura e afirmou que “acertar as pontas” nesse caso seria essencial para que o treinador seguisse no comando do time. Em outra data, disse não ver sinais do trabalho do treinador no time.
Ou seja, na mais pura desordem, Recanate atirou durante todo o torneio contra jogadores, técnico e até companheiros dirigentes, julgando estar acima do bem e do mal. Só não sobrou para o segundo vice-presidente do time, mas por uma razão óbvia. O dono do cargo é ninguém mais, ninguém menos que Porfirio Recanate, pai do dirigente. Deu pra sentir o drama? Pois é… E isso porque Recanate assumiu a presidência em janeiro deste ano.
E se fora de campo há problemas, dentro das quatro linhas o time parece sofrer com uma queda de rendimento de seus jogadores chave. Em que se pese a ausência de Édgar Robles, que fazia grande campeonato e se machucou ainda em março, a verdade é que peças como Vladimir Marín, Juan Carlos Ferreyra e Pablo Zeballos não estão mais rendendo o suficiente. Zeballos é um caso emblemático. Autor de sete gols nos seis primeiros jogos do campeonato, marcou apenas mais três nas 12 partidas seguintes.
Aí é que entra o fator banco de reservas… Faltam peças de reposição para o Decano. Se no início do ano Maxi Biancuchi era uma esperança de mudança quando entrava em campo, agora já não é mais. O mesmo valeu para Thiago Carleto, que começou a temporada bem, mas perdeu espaço e foi devolvido e então repassado pelo São Paulo ao América-MG. Sem opções de relevo e com seus principais jogadores abaixo da crítica, Pumpido praticamente não teve o que fazer.
Apesar de todos os desmandos e polêmicas, o título ainda é possível. Nos próximos três jogos o Olimpia enfrenta, na ordem, o Tacuary em casa, o Rubio Ñu fora e o Libertad em casa. Já o Nacional pega o Libertad em casa, o Sportivo Luqueño fora, e o 3 de Febrero em casa. Em tese a tabela do Decano é mais difícil, mas o Nacional já mostrou não ser assim tão constante. De toda a maneira, por mais inconstante que Pumpido tenha sido, certamente as chances seriam maiores com o argentino do que com seus auxiliares no comando.
Um irônico brinde aos dirigentes de futebol…
Tuitadas da Libertadores
Once Caldas 0x1 Santos: Um raio pode cair duas vezes no mesmo -ou quase mesmo -lugar? O Once acredita. Na Colômbia, Santos foi melhor e teve Neymar inspirado.
Jaguares 1×1 Cerro Porteño: Ótimo resultado dos paraguaios fora de casa, mas ô timinho enjoado o do Jaguares. Bateu o Junior nas mesmas condições e pode bater o Cerro.
Vélez 3×0 Libertad: Resultado não refletiu o jogo, mas as bobeiras do goleirão Vargas foram punidas. Libertad não foi capaz de parar o trio ofensivo argentino.
Peñarol 2×0 Universidad Católica: O Peñarol não é nada demais, mas joga com a tradicional garra charruá. Bom resultado oferecido principalmente pelo goleiro chileno Garcés.



