América do Sul

Imbatível Quito

Deixando de lado a comparação entre níveis das diferentes ligas da América do Sul, é na cidade de Quito, no Equador, que se encontra o time mais badalado deste segundo semestre. Não, não é a LDU, enfraquecida em tempos recentes com um time que necessita de renovação de jogadores e mentalidade de jogo, mas sim o rival da cidade; o Deportivo Quito. Foram sete partidas e sete vitórias pelo torneio Segunda Etapa do Equador. Mais: sete vitórias sem tomar um único gol.

A grande arrancada chulla já coloca a equipe como grande favorita ao título deste segundo campeonato da temporada. Com 21 pontos, o Deportivo já abriu oito de vantagem sobre a rival LDU e dá mostras de que terá fôlego para buscar a conquista nacional, depois de faturar o título em 2008 e 2009 e passar em branco em 2010. No primeiro semestre, na disputa do Primera Etapa, o Deportivo Quito passou perto, mas acabou ficando aquém do Emelec e da própria LDU, terminando na terceira posição. Naquela oportunidade teve 39 pontos em 22 jogos, aproveitamento de 59%.

A crença de que as ambições chullas se concretizarão decorre de dois fatores principais. Além do bom futebol apresentado, é claro, o Deportivo Quito mostrou poder de reação ao se recuperar rapidamente do tropeço e eliminação pelo Deportivo Anzoátegui na primeira fase da Copa Sul-Americana. Logo depois de ser derrotado na Venezuela por 2 a 0, com um gol nos acréscimos, o Deportivo bateu a Liga de Loja por 1 a 0 e emendou com outro triunfo: 1 a 0 no Independiente. Mais: a arrancada, comparável e, no caso, melhor que a do Corinthians no Brasileirão 2011, ocorreu em um campeonato que tem mais 15 rodadas. Ainda falta jogo, mas é bem menos tempo para os adversários correrem atrás do prejuízo do que em um campeonato de dois turnos, por exemplo.

É menos tempo também para o Deportivo Quito administrar a manutenção de seu estilo de jogo que, longe de ser brilhante, tem garantido os resultados com uma defesa sólida e um ataque matador, personificado na figura do centroavante Bevacqua, artilheiro na soma dos torneios nacionais com 18 gols anotados. Armado pelo técnico argentino Carlos Ischia, campeão do Apertura 2008 e da Recopa Sul-Americana 2008 pelo Boca Juniors, em um 4-2-2-2 brasileiro, com dois volantes e dois meias, os chullas tem se notabilizado pelo ferrolho no setor defensivo. Os laterais Velazco e Isaac Mina apoiam pouco e os dois meias, Juan Carlos Paredes e Luis Fernando Saritama, ídolo do clube, dão bastante combate no campo adversário, auxiliando os volantes Minda e Alex Bolaños. Assim, a vida dos zagueiros Jairo Campos – aquele mesmo, ex-Atlético-MG – e Luis Checa tem sido facilitada, assim como a do goleiro Bone, que já soma 630 minutos sem tomar um gol.

A estratégia mais efetiva tem sido os chutes de média distância, principalmente com Saritama, as jogadas de bola parada e a aposta no oportunismo de Bevacqua e de seu companheiro de ataque, Fidel Martínez, que por um bom tempo atuou no futebol brasileiro, nas categorias de base do Cruzeiro. Muito por causa deste estilo de jogo, quatro das sete vitórias do clube no Segunda Etapa foram por 1 a 0. Ou seja, é “muricybol” pra toda a obra.

Vale dizer que este acerto passa também pela manutenção dos jogadores do clube. Do time titular que faturou o título de 2008, encerrando um jejum de 40 anos sem conquistas da temporada nacional, quatro jogadores continuam entre os 11 do time base. Para efeito de comparação, do São Paulo que chegou ao tricampeonato em 2008 sobraram entre os titulares apenas Rogério Ceni, Dagoberto e malemal Jean. A manutenção do elenco se deve em grande parte à assinatura em 2009 de um contrato com o grupo espanhol SEK, que despeja dinheiro nos cofres chullas e tem grande ingerência nas decisões. Embora contestável, é um formato que garantiu vantagens da equipe de Quito ante os rivais. É sempre bom lembrar que a situação financeira dos clubes do restante da América do Sul é bem mais fraca do que a dos clubes brasileiros, bem como seu poder de barganha para segurar jogadores.

Em suma, é com méritos dentro e fora de campo e com um futebol pragmático e defensivo, apostando no faro de gol de seu centroavante e em momentos de brilho de seu capitão e ídolo, que o Deportivo Quito corre atrás de mais uma conquista. Corre atrás também do time mais famoso da cidade… a LDU. Quem sabe não alcança?

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Equipe Trivela

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