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Huracán x Peñarol foi um jogaço digno da emoção e do folclore da Libertadores

Um duelo entre Huracán e Peñarol, pelo peso das duas camisas, já serviria para simbolizar a mística envolta na Copa Libertadores. No entanto, a noite em Parque Patricios contou com vários elementos que compõem o folclore da competição. A partida seria dramática por si, com os argentinos tentando se aproximar da classificação e os uruguaios querendo evitar a eliminação precoce. Só que o nível de emoção aumentou exponencialmente no segundo tempo, sobretudo nos minutos finais. Para ter uma mistura tão característica do torneio sul-americano: calor da torcida, heroísmo, raça, arbitragem contestável, confusão. Ainda assim, o empate por 0 a 0 valeu a queda do elemento mais tradicional em campo, o Peñarol.

O estádio El Palacio não estava lotado, mas contou com um recibimiento das torcidas. O primeiro tempo começou morno. Precisando do resultado, o Peñarol buscava mais o ataque, mas a linha ofensiva liderada por Diego Forlán não criava tantos perigos. E a situação dos carboneros se complicou aos 22 minutos, quando Nahitan Nández deu uma entrada desleal e recebeu o vermelho direto. A partir de então, o Huracán passou ao controle, pressionando muito na etapa complementar. Parou na atuação fabulosa do goleiro Guruceaga. O camisa 1 uruguaio fez defesas para todos os gostos: sequências, pontes, à queima-roupa. Fundamental para segurar o placar zerado. E poderia ter sido ainda mais salvador.

Diante do desespero das equipes, os acréscimos guardaram a melhor parte do jogo. O Huracán chegou a balançar as redes, mas o tento de Montenegro foi corretamente anulado, por interferência de Ramón Ábila, impedido. Na sequência do lance, o Peñarol aproveitou a desatenção do Globo e puxou o contra-ataque. Ganhou escanteio graças a um milagre do goleiro Marcos Díaz. E, na cobrança, o próprio Guruceaga cabeceou para as redes. No entanto, o árbitro anotou falta no arqueiro argentino. Foi a deixa para a confusão ao apito final, com os dois times pressionando o equatoriano Omar Ponce – que só se safou quando a polícia entrou.

Com o empate, o Peñarol sobe a dois pontos, insuficiente para sonhar com a classificação na rodada final. Já o Huracán soma sete, que lhe põem na segunda colocação da chave. A classificação dos argentinos será definida na próxima semana, durante a visita ao já garantido Atlético Nacional na Colômbia. O Sporting Cristal, que vai ao Uruguai, segue no páreo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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