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Há 55 anos, a Libertadores coroava o seu primeiro campeão, o timaço do Peñarol

O torneio sequer tinha o nome que o tornou célebre, assim como possuía representantes de apenas sete países. Mas, há 55 anos, a Copa de Campeones de América coroava o primeiro campeão continental. Com toda a justiça, o Vasco pode se proclamar campeão sul-americano de 1948. Entretanto, a história “oficial” passou a ser escrita a partir de 1960. E, no dia 19 de junho, Luis Cubilla dava a taça inédita ao Peñarol. Um timaço que ficou marcado não apenas como um dos maiores que já vestiram o aurinegro, como também que já disputaram a atual Copa Libertadores da América.

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O Brasil teve o Bahia como representante, campeão da Taça Brasil, criada especialmente para indicar o clube classificado para a Copa de Campeones de América. Vencedor do Baianão de 1958, o Tricolor derrotou ninguém menos do que o Santos na decisão. Porém, teve vida curta no torneio continental, eliminado no placar agregado pelo grande time do San Lorenzo, estrelado por José Sanfilippo.

O Peñarol, por sua vez, passou pelo Jorge Wilstermann nas quartas de final, antes de cruzar com o próprio San Lorenzo. Um jogo que, até hoje, permanece amargo à torcida argentina. Após os empates em Montevidéu e Buenos Aires, a vaga na final seria definida em um jogo de desempate. Entretanto, os dirigentes cuervos venderam o mando de jogo neutro para que o duelo acontecesse no Estádio Centenario. Diante do caldeirão lotado, os carboneros bateram os visitantes por 2 a 1, com o gol decisivo do artilheiro Alberto Spencer saindo aos 44 do segundo tempo, só três minutos após o empate de Sanfilippo.

Nada que tirasse os méritos do esquadrão do Peñarol para a decisão contra o Olimpia. Em Montevidéu, Spencer definiu a vitória por 1 a 0 do time treinado por Héctor Scarone. Já na visita a Assunção, Recalde deixou os donos da casa em vantagem, mas Luis Cubilla buscou o empate por 1 a 1 aos 38 do segundo tempo. O tento que deu o título aos aurinegros na primeira Libertadores não poderia vir de um personagem mais simbólico. Como atacante, Cubilla ergueu a taça duas vezes com o Peñarol e uma com o Nacional, além de ser o técnico do próprio Olimpia em seus dois primeiros títulos continentais, em 1979 e 1990.

Semanas depois, o Peñarol perdeu para o Real Madrid a primeira edição do Mundial Interclubes. Mas manteve sua hegemonia na Copa de Campeones em 1961, conquistando o bicampeonato sobre a Academia do Palmeiras. Já o tri não veio por causa do Santos, algoz na decisão de 1962. Aquela altura, porém, o timaço de Spencer, Cubilla, Maidana, Matosas e tantos outros nomes célebres já tinha o seu lugar na história. Um primeiro campeão para honrar toda a história da Libertadores.

Abaixo, o trecho de uma reportagem da Fox Sports Latina sobre o Peñarol bicampeão continental:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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