Grupo 5: Favoritismo do Boca contra Palestino, Wanderers (URU) e Zamora
Boca Juniors (ARG)
Zamora (VEN)
Montevideo Wanderers (URU)
Palestino (CHI)
Por Felipe Bigliazzi
O latente vácuo político no futebol argentino post mortem de Julio Grondona ficou ainda mais notório quando o Boca Juniors – que a priori teria que jogar a Primeira fase da Libertadores contra o Independiente del Valle como o segundo melhor argentino classificado na Copa Sulamericana de 2014 – conseguiu através de seu presidente Daniel Angelici anular a vantagem do Velez no saldo de gols na tabela anual de pontos, forçando um jogo de desempate. Como se sabe os xeneizes venceram por 1 a 0, com gol de Nicolás Colazo, eliminando o Velez e colocando o Estudiantes de La Plata na Libertadores. Sem pena e a espera da glória, o Boca entra na Libertadores em um grupo compartido com o heroico e audaz Palestino, dirigido por mais um “bielsista” de lei, o treinador argentino Pablo Guede. O Zamora, líder do Torneio Clausura da Venezuela, trata de se restruturar após a saída de Noel Sanvicente, técnico que após o bicampeonato nacional deixou La Furia Llanera para assumir a seleção vinotinto, ao passo que o tradicional Montevideo Wanderers tenta driblar o desmantelamento do elenco que conquistou o Clausura 2014 e o vice nacional sob a batuta de Alfredo Arias.
O favorito
Boca Juniors
A última passagem de Carlos Bianchi foi recheada que fracassos e amarguras, até que com a chegada de Rodolfo Arruabarrena, o conjunto de La Ribera pôde encontrar um rumo mais combativo no 4-1-4-1. O ponto forte é o meio campo de muita pegada com Cristian Erbes, Fernando Gago e Marcelo Meli. Pelos lados do campo, El Vasco possuí fartas opções como Juan Manuel “Burrito” Martinez, Federico “Pachi” Carrizo, Juan Fuenzalida e Andrés Chavez. Para colmo, o Boca ainda conseguiu contratar Nicolás Lodeiro que pode atuar como meia externo ou segundo volante. Para as laterais, o Boca foi buscar o campeão olímpico Fabian Monzon, além do ex-Velez e “melhor marcador de Neymar”, Gino Peruzzi. Na defesa as opções são Daniel “Cata” Diaz, Guillermo Burdisso e Marco Torsiglieri.
O jogão
Palestino x Boca Juniors
18 de Fevereiro, 20h45, no Estádio Santa Laura, em Santiago
O Palestino vai para sua quarta participação na Libertadores – da qual não participava desde 1979 quando parou no triangular semifinal contra Olímpia do Paraguaí e Guarani de Campinas – recebendo o Boca Juniors logo na estreia em Santiago. Com o estádio Municipal de La Cisterna impossibilitado de receber jogos da Libertadore, El Tino Tino deverá atuar no estádio Santa Laura, de propriedade da Unión Española. Com o futebol total idealizado pelo argentino Pablo Guede, o Palestino tratará de dar a surpresa ao impôr pressão em campo xeneize no 3-3-1-3. Destaque para o líbero Germán Lanaro e a dupla de volantes formada por Agustín Farias e Diego Rosende. Os ponteiros Marcos Riquelme e Leonardo Valencia são as fontes de desequilíbrio do quadro de La Cisterna.
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O craque
Pablo Daniel Osvaldo (Boca Juniors)
O grande problema do Boca Juniors é a falta de gols. A juventude de Jonathan Calleri e o ímpeto de Emanuel Gigliotti não foram o bastante para conquistar a confiança de Arruabarrena. Com problemas internos na Internazionale e marginalizado no banco de reservas por Roberto Mancini, Osvaldo conseguiu que o clube italiano o liberasse e o Southampton, dono dos seus direitos, o emprestasse por seis meses ao Boca para voltar a Argentina e atuar pelo clube de seu coração. O centroavante fez sucesso rotundo no futebol italiano vestindo as camisetas de Lecce, Fiorentina, Atalanta, Bologna, Roma, Juventus e Internazionale. Venceu a série B com a Atalanta em 2006 e o scudetto com a Juventus na última temporada. Naturalizado italiano, Osvaldo vestiu a camiseta da seleção Azzurra em 27 oportunidades, anotando seis gols.
Señor Libertadores
Daniel “Cata” Diaz (Boca Juniors)
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O xerifão xeneize tem a carreira marcada positivamente pela Copa Libertadores. Cria do Rosario Central, formou ao lado de Gabriel Loeschbor – que naquele mesmo ano faria o histórico gol do título que tirou o Racing da seca de 35 anos – a dupla de zaga do conjunto canalla semifinalista da Libertadores de 2001. Dirigido por Patón Bauza, o Rosario Central que tinha como figura o hispano-argentino Juan Antonio Pizzi, acabou parando no Cruz Azul com um empate de 3 a 3 no Gigante de Arroyito. Cata Diaz é também o último remanescente do sexto título boquense… Na Libertadores de 2007, Cata Diaz formou a dupla de zaga ao lado do paraguaio Morel Rodriguez.
Fator campo
La Bombonera
A mítica cancha boquense poderia fazer parte da seção “O Clichê”, mas o fato é que o Boca Juniors tem retrospecto pesado atuando com o alento de “La mitad mas uno” no estádio da calle Brandsen. Em 115 partidas válidas pela Libertadores, o Boca Juniors obteve quase 70% dos pontos, somando 79 vitórias, 11 empates e 26 derrotas. Em La Bombonera, o Boca deu duas voltas olímpicas. Em 1978, o bicampeonato do time dirigido por Toto Lorenzo foi definido com uma sonora goleada diante do Deportivo Cali, enquanto em 2001 com Oscar Cordoba iluminado outra vez nos pênaltis, bateu o Cruz Azul concretando a quarta Libertadores e a segunda conquista sob o comando de Carlos Bianchi.
O clichê
Boca favorito
O Boca Juniors sempre entra no inconsciente dos rivais como favorito ao título, contudo nessa edição chega em uma posição emergente, tratando de encontrar argumentos para buscar a sétima estrela. A pobre atuação nos confrontos contra o River na semifinal da Copa Sulamericana desnudou a limitação de um time que apesar de toda organização implantada por Arruabarrena, todavia carece de criatividade e volume de jogo. A derrota por 4 a 1 contra o Racing no final de Janeiro pelo Torneio de Verão acendeu o alarme, que foi tratou de se apagado pelas duas vitórias perante ao River Plate , sendo a última com uma goleada histórica de 5 a 0 em Mendoza.
Fique de olho
Marcos Riquelme (Palestino)
Curiosidade
O Montevideo Wanderers é uma glória do futebol uruguaio e fábrica tradicional de craques charruas. Obdulio Varella, Enzo Francescoli e Pablo Bengoechea, saíram das divisões menores do clube localizado no bairro do Prado em Montevídeo. El Bohemio vai para a sua sétima participação em Libertadores, sendo a última em 2008, quando caiu na Pré Libertadores frente ao Cienciano de Cuzco. O time atual dirigido por Alfredo Arias conta com jovens talentos individuais como Nicolás Albarracín, Diogo Riolfo, Juan Cruz Mascia e Gaston Rodriguez, irmão do ex-gremista Maxi Rodriguez.