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Grupo 3: Uma chave para o Cruzeiro se reinventar

Cruzeiro (BRA)
Mineros de Guayna (VEN)
Universitario de Sucre (BOL)
Huracán (ARG)

O Cruzeiro não começa a Libertadores deste ano com o mesmo favoritismo da anterior, quando era indiscutivelmente o melhor time do Brasil. Vendeu seus principais jogadores, trouxe caras novas e passa pelo período de transição entre o fim de um ciclo vitorioso e o começo de uma nova era, ainda desconhecida. Mas o sorteio foi bondoso. Colocou três times de pouca tradição na fase de grupos para o bicampeão brasileiro poder usar boa parte do primeiro semestre para ir se acertando. Tem que tomar cuidado com algumas armadilhas. O Huracán, em casa, pode complicar, e o Universitario Sucre o recebe na altitude. Tirando isso, mesmo montando um novo time quase do zero, difícil imaginar qualquer outro cenário que não classifique o clube mineiro sem sustos.

O favorito

Cruzeiro

Mesmo em processo de reformulação, o Cruzeiro, elenco mais valioso dessa Libertadores, tem todos os predicados para passar pela fase de grupos sem nenhum problema. Enfrenta dois campeões nacionais, mas o boliviano Universitario e o venezuelano Mineros foram os melhores times de países sem muita tradição no futebol sul-americano. Ambos participam da Libertadores pela segunda vez. O argentino Huracán vem direto da segunda divisão, credenciado pelo título da Copa da Argentina.

O jogão

Huracán x Cruzeiro
5ª rodada, 15 de abril, 19h00, no estádio Tomás Adolfo Ducó, em Buenos Aires

Pela incrível demonstração de força do Huracán na fase preliminar, goleando o Alianza Lima por 4 a 0 no jogo de ida, os argentinos aparecem como a possível segunda força do grupo. Se der a lógica, o confronto direto no El Palacio, provavelmente lotado, contra o Cruzeiro pela quinta rodada da fase de grupos vai servir para decidir quem fica em primeiro no grupo ou, dependendo dos resultados anteriores, até mesmo a classificação de um dos dois times.

O craque

Fábio

Fábio é o capitão do Cruzeiro e ídolo celeste
Fábio é o capitão do Cruzeiro e ídolo celeste

O Cruzeiro vendeu a sua espinha dorsal: os craques Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, os bons coadjuvantes Egídio e Nilton, o jovem Lucas Silva e o artilheiro Marcelo Moreno. Trouxe De Arrascaeta para liderar o seu órfão meio-campo, mas a vaga de craque do time está vaga. No vácuo, aparece quem está lá desde sempre. O goleiro Fábio, com mais de 600 jogos pelo clube, é a experiência e a liderança do time. Além do craque do grupo.

Señor Libertadores

Paulo André 

A maioria dos jogadores do grupo não tiveram muitas oportunidades para disputar a Libertadores, seja porque são jovens ou porque defenderam equipes de pequeno e médio porte durante suas carreiras. Iván Borghello, atacante do Huracán, por exemplo, tem 32 anos e teve essa chance apenas quando venceu o Argentino pelo Newells, em 2004 (quando ainda estava entrando na equipe), e o Equatoriano pelo Deportivo Quito, em 2009. Quem consegue dizer, em várias línguas e com metáforas, se quiser, o que significa a Copa Libertadores e as suas dificuldades é Paulo André. O zagueiro retornou da China com a experiência de ter participado de várias edições pelo Corinthians. E de ter vencido uma delas.

Fator campo

Olímpico Patria

Enfrentar o Huracán no El Palacio ou o Cruzeiro no Mineirão não será fácil para ninguém, mas o estádio que pode influenciar diretamente no resultado das partidas é o Olímpico Patria. O motivo é aquele mesmo que você está pensando: a altitude. O campo do Universitario Sucre fica a quase três mil metros do nível do mar.

O clichê

Venezuelanos não sabem jogar bola

Não ficou sabendo? O principal esporte da Venezuela nem é o futebol, é o beisebol, e a seleção deles é a pior da América do Sul. Um time cheio de venezuelanos não pode ir muito longe na Libertadores. É, bom, melhor colocar as barbas de molho em relação a isso.

Fique de olho

Mineros de Guayana

O Mineros de Guayana quebrou um jejum de 24 anos sem títulos venezuelanos, em 2013, ao vencer o Apertura. A última conquista havia sido na temporada 1988/89. De volta à Libertadores, um dos seus principais destaques é o experiente atacante Richard Blanco, de 33 anos. Ele nunca teve muitas chances na seleção venezuelana, mas este ano disputou os dois amistoso contra Honduras e fez um gol na vitória por 3 a 2, fora de casa.

Curiosidade

Julio César Baldivieso

O técnico do Universitario Sucre ganhou as manchetes, em 2009, quando colocou o seu filho Mauricio Baldivieso em campo pelo Aurora na derrota por 1 a 0 para o La Paz, na primeira rodada do Clausura daquele ano. O detalhe é que Mauricio tinha apenas 12 anos e se tornou o jogador mais jovem a atuar pelo Campeonato Boliviano na história. Provavelmente, de outros torneios também.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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