Guia das oitavas de final da Libertadores

Muitos dizem que a Libertadores só começa de verdade nas oitavas de final. Pois então é chegada a hora. Os 16 melhores times chegaram às oitavas de final e passam a lutar pela sobrevivência até a decisão. É aquela hora que os times apertam mais seu jogo, precisam mais contar com o apoio da torcida e transformam cada partida em questão de honra. É a hora em que a Libertadores tem mais cara de Libertadores.
A Trivela mostra um pouco de cada um dos times, quais suas armas, qual seu histórico com os oponentes e o que esperar dessa fase da competição.
FLUMINENSE x INTERNACIONAL
Por Leandro Stein
Jogo de ida: 25/abril, 21h50 (Horário de Brasília), no estádio Beira-Rio,Porto Alegre (BRA)
Jogo de volta: 10/maio, 21h50 (Horário de Brasília), no estádio Engenhão, Rio de Janeiro (BRA)
Pega o vencedor de: Boca Juniors x Unión Española
Confrontos anteriores: 50 jogos, 15 vitórias do Fluminense, 15 empates e 20 vitórias do Internacional; nunca se enfrentaram por competições internacionais
O mapa da mina para o Fluminense
Os números deram aos Tricolores o primeiro lugar geral na fase de grupos, embora a equipe tenha feito poucas exibições contundentes, especialmente contra os rivais mais fracos. Curiosamente, a grande atuação do Flu ficou guardada para o confronto que se desenhava mais difícil: contra o Boca Juniors, em La Bombonera. Independente dos companheiros, Deco mantém o alto nível em todos os jogos, sendo o grande maestro da equipe. Outra boa alternativa ofensiva dos cariocas é Wellington Nem, mas o atacante, contundido, deve desfalcar o time tanto na ida quanto na volta. A boa notícia fica para a volta de Fred, retornando após lesão e que deve ser acompanhado por Rafael Sóbis no ataque. Já as interrogações ficam para o miolo de zaga, que não tem feito boas partidas nem no Carioca, deixando Edinho e Diguinho com trabalho dobrado na cabeça de área.
O mapa da mina para o Internacional
Os colorados têm a chance de se renovar na Libertadores a partir das oitavas de final, depois de uma fase de grupos bastante sofrível. Mesmo com um elenco recheado de opções, o Inter foi inferior nos dois confrontos com o Santos e passou por um sufoco impensável fora de casa contra Juan Aurich e The Strongest. Para provar sua força no terreno continental, a equipe terá de se virar sem o lesionado D’Alessandro, além de Oscar. E, mesmo sem a dupla no meio de campo, os gaúchos ainda têm Jesús Dátolo, vivendo bom momento. O argentino é uma das principais alternativas ofensivas, juntamente com Leandro Damião, que balançou as redes cinco vezes na competição. A defesa conta com bons números no período recente, ainda que a zaga não transmita tanta confiança assim e Muriel, em fase inspirada, acabe sobrecarregado.
Destinos cruzados: Campeão da Libertadores com o Internacional em 2006, Abel Braga foi contratado pelo Fluminense muito por conta de seu passado vitorioso à frente do colorado. E ainda tem no elenco Edinho e Rafael Sóbis, jogadores-chave naquela conquista.
SANTOS X BOLÍVAR
Por Felipe Lobo
Jogo de ida: 25/fev, 21h50 (horário de Brasília), no estádio Hernando Siles, em La Paz (BOL)
Jogo de volta: 10/mai, 19h30 (horário de Brasília), no estádio Vila Belmiro, em Santos (BRA)
Pega o vencedor de: Atlético Nacional x Vélez Sarsfield
Confrontos anteriores: 2 jogos, 1 vitória do Santos, 1 vitória do Bolívar
Mapa da mina do Santos
O que torna o Santos um enorme favorito contra qualquer time do continente atende pelo nome de Neymar. O camisa 11 é o melhor jogador do continente e decide partidas sozinho, seja fazendo gols, seja armando jogadas para os companheiros. Os coadjuvantes do Santos também são perigosos. O principal deles é o camisa 10, Paulo Henrique Ganso, jogador de armação de jogadas e que tem aprendido a fazer mais gols. O que complica é que a defesa não oferece tanta segurança e o meio-campo do time não rende como antes – Arouca e principalmente Henrique não oferecem a mesma segurança para os zagueiros. Ainda assim, o time tem força suficiente para conseguir um bom resultado até mesmo no primeiro jogo, em La Paz.
Mapa da mina do Bolívar
O técnico Guillermo Hoyos mudou a cara do Bolívar. De time saco de pancadas, tornou-se uma equipe perigosa que aproveitou o fator altitude unida com um futebol ofensivo. O atacante argentino Damián Lizio é um protagonista importante deste time. O defensor Pablo Frontini tentará manter a defesa segura. Outro atacante que preocupa a defesa adversária é Willian Ferreira, uruguaio que marcou duas vezes na Libertadores e 15 no Campeonato Boliviano. Os passes normalmente chegam via Walter Flores, o maior assistente do time. Se antes o time se aproveitava de jogar em casa, agora é diferente. Seus maiores pontos foram na casa do adversário. Altitude ajuda, mas não é a principal arma desse time.
Destinos cruzados: Na única vez que se enfrentaram, pela Libertadores de 2005, o Santos passou com tranquilidade pelo time de La paz. Em casa, goleou por 6 a 0, mas perdeu na Bolívia por 4 a 3. É a primeira vez que o Bolívar se classifica para as oitavas da Libertadores e de cara enfrenta o atual campeão.
LIBERTAD X CRUZ AZUL
Por Pedro Venancio
Jogo de ida: 1/05 às 23h30 (horário de Brasília), no estádio Azul, na Cidade do México (MEX)
Jogo de volta: 8/05 às 22h30 (horário de Brasília), no estádio Nicolás Leoz, em Assunção (PAR)
Pega o vencedor de: Universidad de Chile x Deportivo Quito
Confrontos anteriores: nunca se enfrentaram
O mapa da mina para o Libertad
O Libertad já se acostumou a chegar na fase de mata-mata da Libertadores, e conta com uma equipe muito forte fisicamente, rápida nos contragolpes e extremamente perigosa no jogo aéreo, embora não seja muito criativa. O ataque conta com jogadores importantes, como Rodolfo Gamarra e Pablo Velázquez, enquanto o meio-campo tem no argentino Luciano Civelli sua principal saída rápida e no volante Víctor Cáceres o protetor de uma defesa sólida, bem armada pelo técnico José Burruchaga.
O mapa da mina para o Cruz Azul
Segundo colocado no grupo do Corinthians, o Cruz Azul chega às oitavas de final com uma equipe mais fraca do que em outros anos, mas ainda assim capaz de incomodar. No ataque, que marcou 11 gols na primeira fase, o destaque é Javier Orozco, autor de quatro desses gols. O ex-gremista Edixon Perea, que balançou a rede duas vezes, é outro jogador importante, assim como o experiente Gerardo Torrado e o meia argentino Christian Giménez, responsável pela ligação do meio com o ataque.
Destinos cruzados: Quando o Cruz Azul chegou à única final de Libertadores de sua história, em 2001, eliminou um time paraguaio (o Cerro Porteño) nas semifinais.
ATLÉTICO NACIONAL X VÉLEZ SARSFIELD
Por Felipe Lobo
Jogo de ida: 1/mai, 21h15 (horário de Brasília), no estádio Atanasio Girardot, em Medelín (COL)
Jogo de volta: 8/mai, 20h00 (horário de Brasília), no estádio José Amalfitani, em Buenos Aires (ARG)
Pega o vencedor de: Santos x Bolívar
Confrontos anteriores: nunca se enfrentaram
O mapa da mina do Atlético Nacional
Uma das sensações da fase de grupos da Libertadores, o time colombiano mostrou um futebol ofensivo e intenso. Sua chegada ao campo de ataque é veloz e conta com dois jogadores chave. O primeiro é velho conhecido: Macnelly Torres, ex-Junior, Cúcuta e Colo Colo, além de seleção colombiana. Armador hábil e com visão de jogo, é o principal articulador das jogadas. E quem mais recebe os passes do camisa 10 dos verdolagas é Dorlan Pabón, artilheiro da Libertadores com sete gols. Rápido e com ótima finalização, é um perigo constante às defesas. O problema é justamente que defensivamente o Atlético Nacional não passa segurança. No Apertura Colombiano são 12 jogos, 15 gols marcados e 11 sofridos. Na Libertadores, em seis jogos foram 16 gols marcados e oito sofridos. Pode ser o calcanhar de Aquiles dos colombianos.
O mapa da mina do Vélez Sarsfield
Os argentinos entraram na Libertadores como um dos favoritos ao título e a campanha na primeira fase confirmou que o time é forte. O Fortín conta com um time sólido, embora não tenha nenhum craque. Federico Insua é o enganche do time, criando jogadas e chegando do meio-campo ao ataque. Juan Martínez é perigoso no ataque, habilidoso, rápido e que se movimenta muito. Na linha defensiva, Sebá Domingues e Fernando Ortiz formam uma boa dupla de zaga – por mais que muitos possam não acreditar lembrando da passagem de Sebá pelo Corinthians – e os laterais Fabián Cubero e Elimiano Papa fecham uma defesa segura. É favorito para o confronto, ainda que tenha um adversário complicado.
Destinos cruzados: Os dois times convivem com a responsabilidade de corresponderem às expectativas criadas sobre eles. Ambos jogam um futebol considerado atrativo, mas falta conseguir resultados importantes na competição mais pesada do continente. O Vélez caiu em 2011 para um valente Peñarol, mesmo sendo melhor. O Atlético Nacional não consegue uma campanha representativa na Libertadores há anos.
CORINTHIANS x EMELEC
Por Ubiratan Leal
Jogo de ida: 2/mai, 21h50 (de Brasília), no estádio George Capwell, Guaiaquil (EQU)
Jogo de volta: 9/mai, 22h (de Brasília), no estádio do Pacaembu, São Paulo
Pega o ganhador de: Vasco x Lanús
Confrontos anteriores: nunca se enfrentaram
O mapa da mina para o Emelec
O Emelec precisa trabalhar o trauma do adversário na Libertadores. É preciso mostrar um jogo intenso e colocar o Corinthians sob pressão desde o começo do jogo de ida. Isso só terá efeito real se o atacante argentino Lucho Figueroa, responsável por mais de 40% dos gols do time nessa Libertadores, estiver inspirado para fazer os gols que darão tranquilidade ao time para o jogo de volta, no Brasil. Outro fator importante é o time manter a empolgação após duas vitórias incríveis na reta final da fase de grupos (duas viradas nos acréscimos). Os resultados recentes no Campeonato Equatoriano não ajudam (empate com Barcelona e derrota para El Nacional).
O mapa da mina para o Corinthians
É um time tecnicamente muito superior, e passa de fase se souber deixar o lado psicológico de lado para resolver no futebol mesmo. Como o ataque do Emelec não é dos mais poderosos (sete gols, sendo seis nos dois últimos jogos), é viável segurar a pressão emelexista em Guaiaquil e resolver no Pacaembu. Foi o que o Lanús fez para vencer os eléctricos por 2 a 0 no George Capwell na fase de grupos. O futebol consistente e sólido, com forte marcação no meio-campo, do Alvinegro pode se encaixar bem nessa estratégia. Desde que, claro, o ataque volte a produzir.
Destinos cruzados: O Corinthians cruzou com quatro clubes equatorianos diferentes em Libertadores, mas nunca havia enfrentado um da litorânea Guaiaquil. Em 1977, pegou El Nacional e Deportivo Cuenca (uma vitória e uma derrota contra cada um). Em 1996, venceu duas vezes o Espoli. Fez o mesmo com a LDU Quito em 2000.
LANÚS X VASCO
Por Pedro Venancio
Jogo de ida: 2/mai, 21h50 (horário de Brasília), no estádio São Januário, no Rio de Janeiro (BRA)
Jogo de volta: 9/mai, 22h00 (horário de Brasília), no estádio Néstor Díaz Pérez, em Lanús (ARG)
Pega o vencedor de: Corinthians x Emelec
Confrontos anteriores: 2 jogos, uma vitória do Vasco e uma vitória do Lanús
O mapa da mina para o Lanús
Ao contrário de anos anteriores, em que apresentou boas equipes jovens e não passou das primeiras fases, o Lanús de 2012 é uma equipe na qual sobra experiência. Nomes como Mario Regueiro, Mariano Pavone e Diego Valeri já possuem certa rodagem, assim como o campeão do mundo Mauro Camoranesi, responsável por garantir o equilíbrio do meio-campo. O grande reforço para as oitavas de final é o atacante colombiano Teófilo Gutiérrez, que veio do Racing e tem fama de artilheiro e jogador-problema.
O mapa da mina para o Vasco
Com um elenco relativamente numeroso em mãos, o Vasco poderá ter várias escalações contra o Lanús. Jogadores como Felipe, Juninho Pernambucano e Diego Souza podem decidir a qualquer momento. Alecsandro, campeão com o Internacional em 2010, é perigoso para os adversários, e Carlos Alberto, inscrito na competição, poderá ser um trunfo no banco. O problema vascaíno, no entanto, é a defesa, que sofrerá sem Dedé no jogo de ida. O técnico Cristóvão Borges certamente sabe disso e pensa em montar um esquema de proteção especial a Rodolfo e Renato Silva.
Destinos cruzados: Em 2007, as duas equipes se encontraram na Copa Sul-Americana. O Lanús venceu o primeiro jogo por 2 a 0, mas perdeu o jogo de volta por 3 a 0 e deu adeus ao torneio.
UNIÓN ESPAÑOLA x BOCA JUNIORS
Por Ubiratan Leal
Jogo de ida: 2/mai, 19h30 (de Brasília), no estádio La Bombonera, Buenos Aires (ARG)
Jogo da volta: 9/mai, 19h30 (de Brasília), no estádio Santa Laura, Santiago (CHI)
Pega o vencedor de: Fluminense x Internacional
Confrontos anteriores: nunca se enfrentaram
O mapa da mina para a Unión Española
É uma equipe bem montada por José Luis Sierra, mas não é um time brilhante. A classificação foi cheia de altos e baixos, e se deveu muito ao fato de o grupo da fase anterior ser tecnicamente fraco. O destaque é o atacante Herrera, que marcou cinco gols na competição e será fundamental para construir uma vitória sobre o Boca Juniors. A defesa, que fez água nos últimos cinco jogos na competição e é a terceira pior do Apertura chileno, tem de ser repensada para segurar um bom resultado em Buenos Aires.
O mapa da mina para o Boca Juniors
O Boca é superior e impõe um respeito muito grande aos adversários na Libertadores. O grupo envelhecido – sete titulares com 30 anos ou mais – não permite um jogo fisicamente muito intenso, mas dá para usar a experiência para usar o nervosismo da Unión Española. Schiavi tem de ser um líder em campo e Riquelme precisa ter tranquilidade para acionar Cvitanich (com 27 anos, um dos “garotos” xeneizes) no ataque. É um caso raro em que a vitória em casa no jogo de ida nem é tão necessária. O Boca tem condições de vencer em Santiago se precisar, até porque sua torcida não será numericamente tão inferior à da Unión Española.
Destinos cruzados: A Unión Española está acostumada a levar a sério partidas contra times de origem italiana. Por não ser um clube de massa como Colo-Colo, Universidad de Chile e, em menor grau, Universidad Católica, os grandes rivais do clube dos espanhóis são os clubes de outras colônias importantes de Santiago. Os jogos contra Palestino e Audax Italiano receberam o apelido de Clásico de Colonias e são sempre bastante acirrados.
UNIVERSIDAD DE CHILE x DEPORTIVO QUITO
Por Leandro Stein
Jogo de ida: 5/maio, 21h15 (Horário de Brasília), no estádio Olímpico Atahualpa, Quito (EQU)
Jogo de volta: 10/maio, 22h00 (Horário de Brasília) no estádio Nacional Julio Martínez Prádanos, Santiago (CHI)
Pega o vencedor de: Cruz Azul x Libertad
Confrontos anteriores: Nunca se enfrentaram
O mapa da mina para a Universidad de Chile
Mesmo sem repetir o desempenho arrasador da Sul-Americana de 2011, os azules são fortes candidatos para chegar ao menos até as semifinais da Libertadores. Os números arrebatadores do ataque, assim como a confiabilidade da defesa, minguaram, mas as séries invictas continuam intactas. Desde o fim de fevereiro, La U soma 12 vitórias e um empate, prova da liga encontrada por Jorge Sampaoli com suas novas peças. Embora um pouco menos intenso, a equipe segue atuando no 3-4-3. Entre os destaques, alguns nomes já conhecidos desde o ano passado, como os meio-campistas Marcelo Díaz e Charles Aránguiz. Já entre aqueles que podem fazer a diferença no ataque, Júnior Fernández é o artilheiro do time na temporada. Contudo, vale ficar de olho em Ángelo Henríquez, atacante de 18 anos que vem fazendo excelentes partidas desde que subiu aos profissionais.
O mapa da mina para o Deportivo Quito
Apesar da campanha mediana no Campeonato Equatoriano, o time de Carlos Ischia foi uma das principais surpresas da fase de grupos da Libertadores, ao desbancar Chivas e Defensor. Contudo, quando se analisa os resultados do Deportivo, não é possível evitar uma velha máxima do futebol sul-americano: a altitude. Os Chullas conquistaram nove de seus dez pontos em casa. Foram dez gols marcados, nenhum sofrido, além de um futebol veloz e eficiente em Quito. O elenco conta com alguns jogadores rodados do futebol equatoriano, como o goleiro Marcelo Elizaga, o zagueiro Giovanny Espinoza e o meia Luis Saritama. Na organização, o destaque é Fidel Martínez, vice-líder em assistências na competição. Já o goleador do time é Matías Alustiza, que tirou a barriga da miséria ao fazer quatro gols contra o Chivas e é o vice-artilheiro da Libertadores.
Destinos cruzados: Jogar em Quito não deve ser grande problema para os chilenos, visto o que fizeram em 2011. Na primeira partida da decisão da Copa Sul-Americana, realizada no estádio La Casa Blanca, La U venceu a LDU por 1 a 0, abrindo o caminho para a conquista.



