América do Sul

Guaraní conquista o Campeonato Paraguaio que faltava para coroar seu grande momento

O Guaraní estremeceu o continente em 2015. Quem não conhecia o tradicional clube paraguaio, passou a conhecer pela maneira como ele derrubou gigantes na Copa Libertadores. O Cacique foi o responsável por eliminar Corinthians e Racing, antes de vender caro a classificação do River Plate à decisão. No entanto, há tempos os auringeros não sentiam o gosto de conquistar um título nacional. Neste domingo, conseguiram. Depois de seis anos, ergueram a taça do Clausura do Campeonato Paraguaio.

Não parecia ser o semestre do Guaraní, aliás. Após seis rodadas, os aborígenes perderam o seu treinador. Francisco Arce havia chegado em fevereiro, mas decidiu aceitar a proposta para reassumir a seleção paraguaia. Deixou o cargo vago para o argentino Daniel Garnero. Ex-jogador do Independiente, comandou diferentes clubes de seu país, mas sem se firmar em nenhum. Desde 2015 estava no Sol de América, fazendo papeis dignos no Paraguaio. O suficiente para se tornar aposta dos aurinegros.

Garnero assumiu o time já na sétima rodada. Exatamente o momento no qual o Guaraní embalou ao título. Logo em seus primeiros oito jogos, o novo treinador conquistou oito vitórias. Montou uma defesa sólida, que sofreu apenas dois gols no período. Valeu para atingir a excelente sequência, quase sempre com placares magros. Aos poucos, porém, o time também engrenou no ataque e passou a exibir um futebol vistoso – com o ápice acontecendo nos 4 a 3 sobre o Sol de América, com todos os gols da virada saindo no segundo tempo. O Cacique só perdeu a primeira com o comandante depois de 13 partidas, para o Libertad. Sua única derrota, quando a conquista parecia apenas questão de tempo. Duas vitórias depois, os aurinegros se sagraram campeões com uma rodada de antecedência.

Neste caminho, o Guaraní também não teve dó dos dois gigantes do futebol paraguaio. Em setembro, bateu o Olimpia por 1 a 0 no Defensores del Chaco, com Roque Santa Cruz e tudo do outro lado. Já em outubro, aproveitou-se do interesse do Cerro Porteño na Copa Sul-Americana para engoli-lo no estádio Olla Azulgrana. Três dias antes do primeiro duelo com o Atlético Nacional nas semifinais, o Ciclón poupou os seus titulares e perdeu por 3 a 1. Assim, a vantagem dos aborígenes se sustentou. Apenas o Olimpia conseguiu acompanhar mais de perto. De qualquer maneira, com quatro pontos de vantagem, os aurinegros consumaram o feito com uma rodada de antecipação, ao superarem o Sportivo Luqueño neste domingo.

Federico Santander, Fernando Fernández e Julián Benítez, os três principais jogadores na campanha da Libertadores, não continuaram no clube. Mas outros nomes que brilharam no torneio continental permanecem, como o goleiro Alfredo Aguilar, o defensor Luis Cabral, o volante Marcelo Palau e ponta Juan José Aguilar. Entre os novatos, os destaques se concentram nos rodados Hernán Rodrigo López e Néstor Camacho (que viera do Avaí), assumindo a artilharia da equipe. Entretanto, nenhum jogador se faz mais emblemático do que o capitão Julio César Cáceres. O zagueiro de três Copas do Mundo e campeão da Libertadores em 2002 chegou aos aurinegros em 2013. Agora, aos 37 anos, teve o gosto de reconquistar o Campeonato Paraguaio depois de 16 anos, e como titular absoluto.

Este foi o 11° título paraguaio do Guaraní, que havia conquistado a taça pela última vez em 2010 – e, antes disso, em 1984. Sucesso que reafirma o momento dos aborígenes, após acumularem três vice-campeonatos em 2013, 2014 e 2015. Agora, poderão demonstrar seu potencial outra vez na Libertadores, após terem caído logo na primeira fase, para o finalista Independiente del Valle, em 2016. Desta vez, ingressarão diretamente na fase de grupos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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