América do Sul

Graduados nos extremos

Era necessária uma vitória em quatro jogos. Seriam três pontos para esquecer de vez a péssima fase no campeonato nacional e repetir a melhor campanha da história no continente. Não aconteceu… Era só empatar com gols que o resultado já seria ótimo! Seria mais um passo rumo ao sonho do título continental e a afirmação como melhor time do país, também com a liderança do torneio nacional… A vitória por 2 a 1 foi ainda melhor que a encomenda!

Em lados opostos. Essas são as situações vividas por duas universidades do futebol sul-americano. O Club Deportivo Universidad San Martín de Porres, do Peru, eliminado da Libertadores de forma decepcionante e penúltimo colocado no campeonato peruano, e a Universidad Católica, do Chile, que conquistou um belíssimo resultado contra o Grêmio no Olímpico, pela Libertadores, e que lidera o campeonato chileno com seis pontos de vantagem.

Mais do que a coincidência dos nomes, os dois clubes foram campeões nacionais na temporada passada, em torneios disputados em turno e returno, durante o ano inteiro. Por aí era de se esperar que a consistência seguisse em 2011 dos dois lados, já que ninguém perdeu jogadores ou técnicos e o tamanho e qualidade dos elencos estavam – pelo menos em tese – atestados pelo desempenho em campeonatos de tiro longo. No entanto, enquanto a Universidad Católica segue em ótimo momento, o San Martín perdeu completamente o rumo.

Depois de duas vitórias nos dois primeiros jogos da Libertadores – incluindo aí um surpreendente 3 a 0 contra o Once Caldas em Manizales – a classificação do San Martín ao menos como segundo do grupo 1 estava mais do que encaminhada. Era só vencer um jogo dos quatro restantes… Que nada! Os peruanos perderam por 5 a 1 e 1 a 0 para o Libertad, 3 a 1 para o San Luis e 2 a 0 para o Once Caldas, sendo que dois dos quatro jogos foram em casa. Pior, no campeonato peruano 2011 os albos enfrentam uma sequência de sete jogos sem uma vitória sequer. A equipe ocupa a 19ª posição, com uma vitória, quatro empates e quatro derrotas em nove jogos. Péssimo desempenho, ainda mais para quem há menos de seis meses foi campeão de forma incontestável.

Qual a razão para essa queda? Nem mesmo os jogadores e a comissão técnica sabem. Alguns dizem que é falta de cobrança da torcida, que é muito pequena, já que o San Martín foi fundado apenas em 2004 e não tem um quadro grande de fãs. O técnico Aníbal Mano Ruiz, que ainda se segura no cargo, achou que era falta de empenho. Por isso convocou uma reunião com seus jogadores para ver o que se passava. Não adiantou. O puxão de orelha foi em 25 de março e um mês depois o time segue na mesma draga. Já os jogadores culparam a “falta de sorte” pela péssima sequência.

Superstições à parte, o fato é que nenhuma das peças importantes do San Martín está rendendo o que se espera delas. Do goleiro Favro à dupla de atacantes formada por Alemanno e Herbert Arriola, passando pelo volante Hinostroza e pelo meia Labarthe, todo o time parece ter entrado em declínio. Se por um lado a sequência de jogos de Libertadores e campeonato nacional pode ser ponderada, de outro nada justifica o clube ir mal nas duas competições. Ao que tudo indica talvez só a saída do técnico, mesmo sendo atual campeão peruano, deve trazer novos ares ao San Martín.

Foi mais ou menos o que aconteceu com a Universidad Católica em agosto de 2010. Depois da parada da Copa do Mundo o time chileno se encontrava a cinco pontos do Colo-Colo e decidiu trazer o técnico Antonio Pizzi para assumir a bronca. Com a adição de algumas peças, Pizzi fez a equipe dar a volta por cima e faturar o título, encerrando um jejum de nove anos sem conquistas nacionais. O ano virou e a Católica melhorou ainda mais. Se em 2010 o time precisava das boas atuações do meia Mirosevic, artilheiro do campeonato daquele ano, e do atacante Roberto Gutierrez, em 2011 o conjunto mostra consistência e entrosamento invejáveis.

Não à toa, a equipe varia constantemente de esquema tático e sistema de jogo, alternando entre o 4-2-2-2, 4-3-1-2 e 3-4-1-2. Tamanha versatilidade não seria possível se jogadores como os laterais Valenzuela e Eluchans e principalmente os meiocampistas Ormeño, Silva e Costa fossem fracos ou mostrassem rendimento abaixo da crítica. Para coroar o trabalho, La U conta na frente com uma dupla de atacantes que se complementa da forma ideal. Enquanto Cañete é um grande condutor, Pratto é um daqueles centroavantes chatos e goleadores.

Com essas peças e um banco de reservas que consegue, na medida do possível, manter o nível dos titulares, a Universidad Católica tem conseguido, além do bom desempenho na Libertadores, liderar com folga o Campeonato Chileno. Faturar o torneio continental é tarefa difícil diante do nível dos adversários brasileiros, mas conquistar o campeonato nacional parece bastante provável. Não fosse o mata-mata, seria o mais provável.

Um campeão decepcionado e que vive um dos piores momentos desde a sua fundação. Outro campeão motivado e que vive seu melhor momento nos últimos anos. Dois clubes. Duas universidades… Dois exemplos claros daquela máxima de que futebol é momento. Para uns os bons momentos são mais longos… Para outros…

Tuitadas da Libertadores

@gabrieldudziak: Once Caldas 1 x 2 Cruzeiro: Nem mesmo os 2 mil metros de Manizales são capazes de parar o Cruzeiro. Once Caldas mostrou toda a sua fragilidade e praticamente deu adeus.

@gabrieldudziak: Santos 1 x 0 América: Não é da nossa alçada, mas… Santos poderia ter ido melhor.

@gabrieldudziak: Jaguares 1 x 1 Junior: O time de Barranquilla fez sua obrigação. Marcou um gol fora e não se complicou contra os mexicanos. Ótimas chances de passar.

@gabrieldudziak: Estudiantes 0 x 0 Cerro Porteño: Excelente resultado do Cerro longe de casa. A defesa paraguaia era uma preocupação e ficar sem levar gols fora dá moral.

@gabrieldudziak: Fluminense 3 x 1 Libertad: Os paraguaios até que complicaram o jogo, mas tiveram muito azar. Os três lances de gols mostraram a diferença dos times. Poucas chances

@gabrieldudziak: Vélez 3 x 0 LDU: Se antes era uma imbecilidade falar que a LDU era só altitude, neste ano não é. Em Quito tudo é possível, mas que papelão hein?

@gabrieldudziak: Peñarol 1 x 1 Internacional: Time por time, o Peñarol se deu bem com o empate. O problema é o gol tomado em casa. Tem como buscar, mas o Inter vem bem.

@gabrieldudziak: Grêmio 1 x 2 Universidad Católica: Certamente a maior surpresa até aqui. Jogando sem medo, La UC deu uma aula de futebol. Agora é só não amarelar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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