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Gracias, Colômbia: Medellín enche suas ruas para o último adeus aos heróis da Chape

Já são quatro dias de luto e dor. Mas também quatro dias de benevolência e compaixão. Em nenhum momento, a população da Colômbia, de Antioquia e – sobretudo – de Medellín deixou de oferecer seu consolo às vítimas e aos demais envolvidos com o desastre aéreo da Chapecoense. O altruísmo parece fazer parte do DNA dos paisas, sempre preocupados, sempre solícitos. Dedicaram-se ao resgate, dedicaram-se ao apoio, dedicaram-se à homenagem sem igual nas arquibancadas e no entorno do Estádio Atanásio Girardot. Dedicaram-se principalmente a abraçar os brasileiros e dar um pingo de esperança em meio à desolação. Não deixaram de doar sua gentileza nem mesmo no transporte dos corpos ao aeroporto.

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Ao longo desta sexta, as ruas de Medellín estiveram cheias. Os colombianos desejavam se despedir. Prestar o último tributo antes que as vítimas fossem recebidas pelos seus em Chapecó. Dezenas de pessoas se reuniram na porta do Instituto Médico Legal, prestativos com os brasileiros. Já no cortejo fúnebre até o aeroporto, mais comoção. Muitos paisas pararam seus afazeres apenas para aplaudir e acenar aos carros que passavam com os heróis. Para gritar um pouco mais a força da Chape. Depois, enquanto os caixões entravam nos aviões da Força Aérea Brasileira, os militares colombianos fizeram honras.

Impossível imaginar uma postura mais fraternal do que a dos colombianos nestes quatro dias. Foram diversas lições ao resto do planeta: de respeito, de sensibilidade, de união, de civilidade, de empatia. De humanidade. Agiram sempre de braços abertos, nunca com hipocrisia. Sinceros em sua generosidade. Como bem disse o prefeito de Medellín em seu discurso no Atanásio Girardot, “o pior que pode acontecer a uma sociedade é ser indiferente à dor, e nós não somos”. Dor esta que só começa a cicatrizar pelo único remédio possível, oferecido pelos paisas: a solidariedade.

Em alma, Brasil e Colômbia são uma pátria só desde terça. Chapecó e Medellín, as casas de milhões de torcedores verdes – ao mesmo tempo, verdolagas e verdões. Se os corações dos familiares, dos amigos e até mesmo os nossos se partiram diante da tragédia, os colombianos nos entregaram os seus. Afinal, seus corações não couberam no peito, tamanha grandeza demonstrada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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