América do Sul

Fuenzalida e Puch, as “revelações” tardias que valem muito ao Chile na Copa América

Que o Chile seja o atual campeão continental, isso não diminui a surpresa pelo desempenho da equipe na Copa América Centenário. A Roja chegou aos Estados Unidos sob desconfiança, com apenas uma vitória nos quatro jogos anteriores das Eliminatórias, lidando ainda com a saída de Jorge Sampaoli. O início do trabalho de Juan Antonio Pizzi não foi lá muito animador. Mas os chilenos cresceram na competição e tiveram duas atuações de intensidade impressionante nos mata-matas, para deixar a Argentina de sobreaviso às vésperas da final. E, além dos nomes já tarimbados, dois novos destaques ascenderam no elenco. Jorge Fuenzalida e Edson Puch não são jovens, mas se firmaram na equipe nacional só agora.

Fuenzalida é o mais rodado na seleção, com 29 partidas disputadas – embora apenas uma válida por competições oficiais até a Copa América Centenário. Revelado pela Universidad Católica, o jogador de 31 anos passou por Colo-Colo, Boca Juniors e O’Higgins, antes de voltar ao seu primeiro clube neste ano. O lateral direito defendeu as seleções de base e começou a ser convocado para a equipe adulta em 2008. Esteve, inclusive, na Copa do Mundo de 2014 e na Copa América de 2015, mas sempre como reserva. Até que se tornou uma alternativa a Pizzi nos Estados Unidos, por sua polivalência. Saiu do banco nos dois primeiros jogos e foi titular no terceiro, contra o Panamá, como ponta. Com a suspensão de Isla, teve ótima atuação na lateral diante do México. Já de volta à ponta, fez um dos gols na vitória contra a Colômbia, na semifinal.

Puch, por sua vez, só tinha feito seis partidas com o Chile até então e, antes da convocação para a Copa América, não defendia o país desde 2012. Ao longo da carreira, o ponta de 29 anos rodou. Passou por Huachipato, Deportes Iquique, Universidad de Chile (onde foi treinado por Jorge Sampaoli em seus cinco primeiros meses de trabalho no clube), Al Wasl, Huracán e LDU Quito, contratado como reforço para a Libertadores de 2016. O bom momento no futebol equatoriano valeu a convocação de Pizzi, como uma surpresa. E, servindo quase sempre como opção no segundo tempo, ganhou a sua chance contra o México, no espaço deixado no ataque após o recuo de Fuenzalida. Aproveitou com dois gols, saindo dos 7 a 0 como um dos melhores em campo.

Contra a Argentina, apenas Fuenzalida deve ser titular. O lateral, aliás, é uma opção óbvia para ser improvisado na ponta, recuando para tentar conter os avanços de Marcos Rojo e liberando um pouco mais os parceiros de ataque. Já Puch, caso necessário, deverá mais uma vez ser utilizado a partir da segunda etapa, para renovar o fôlego e o vigor ofensivo do Chile. Pelo ótimo momento, são cartas na manga de Pizzi.

E o destaque na Copa América Centenário pode valer espaço no mercado. Puch perdeu a oportunidade de se valorizar, ao acertar durante o torneio a sua transferência para o Necaxa, recém-promovido no Campeonato Mexicano. Já Fuenzalida, mesmo há pouco tempo na Universidad Católica, segue como opção. Aos 31 anos, não é uma aposta tão duradoura. Mas, pela multifuncionalidade, pode ser um nome interessante. Até pela maneira como conseguiu se reinventar nos Estados Unidos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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