América do Sul

Força e ideias novas

Campeão do último torneio nacional, classificado para a Libertadores 2013 e líder isolado do campeonato venezuelano deste semestre. A trinca de realizações já seria suficiente para encher de sorrisos os mais exigentes torcedores, mas o Deportivo Lara vai além. O empate contra o Trujillanos no último final de semana garantiu à equipe rojinegra um recorde no futebol local: 28 jogos seguidos sem derrota pelo Clausura e Apertura. O feito iguala a marca do Deportivo Português, conquistada há 45 anos, quando o futebol venezuelano fora da capital Caracas ainda engatinhava.

Ou seja, caso vença o próximo jogo, no domingo contra o Deportivo Anzoátegui, o Lara se tornará o time com a maior invencibilidade da história do futebol da Venezuela. Mais do que o recorde, no entanto, a consistência do time chama muito a atenção. Principalmente se lembrarmos que em maio de 2011, quando ocorreu a última derrota, o clube terminava o Clausura na modesta 12ª posição.

A virada aconteceu pouco antes do Apertura 2011, quase no início do segundo semestre daquele ano. Foi quando o jovem técnico venezuelano Eduardo Saragó chegou ao clube. Na época ele tinha apenas 29 anos, mas já demonstrava um forte currículo. Depois de se aposentar dos gramados muito cedo por causa de seguidas lesões, Saragó fez um curso para treinadores na Argentina. No primeiro semestre de 2008, ele voltou a seu país de origem para dirigir o Zamora. Naquele ano Eduardo tirou o blanquinegro do rebaixamento e o levou ao sétimo posto no Clausura. Em seguida foi contratado pelo Deportivo Petare, então Deportivo Itália. Logo em seu primeiro Apertura, Saragó faturou o título.

Após um Clausura 2009 ruim, o treinador levou o Deportivo Itália novamente às cabeças no Apertura daquele ano. Um tropeço contra o – vejam só – Deportivo Lara, no entanto, tirou a chance de a equipe ser campeã. Pior: no Clausura 2010 estava lá novamente o Lara para acabar com uma festa anunciada. Com um gol no último minuto de jogo a equipe tirou outro título do Deportivo Itália. Mas, como o destino adora fazer ironias, o próprio Lara ofereceu, um ano depois, a grande chance de Saragó conquistar outro título.

Contando com o dinheiro de investidores, o pequeno clube da cidade de Cabudare ofereceu a Eduardo contratações de peso e autonomia para buscar nomes de sua preferência. Foi assim que o grande time que desfila agora sua superioridade pelos gramados venezuelanos começou a ser formado  De uma só vez chegaram nomes rodados, como o volante Vitali, que chegou a jogar pela Lazio, o zagueiro José Manuel Rey, por muito tempo figura carimbada na seleção venezuelana, Edgar Pérez Greco, meia-atacante que jogou na Itália e Colômbia, e o atacante Rafael Castellín, maior goleador da história do Caracas, com 124 gols marcados.

Com essas e outras figuras de menor expressão, mas de boa cancha no futebol local, Saragó montou um time muito ofensivo, mas principalmente competitivo. Mesmo com a concorrência dos grandes do país, como Táchira e Caracas, e do ascendente Zamora, o Lara se impôs e conquistou o Apertura 2011 com uma rodada de antecedência, somando 12 vitórias, cinco empates, 39 gols marcados e apenas 12 sofridos. Foi o primeiro título da história do clube. A base daquele time foi mantida para este ano e, embora não tão “irresistível”, os rojinegros vão muito bem: lideram o Clausura 2012 com 24 pontos, obtidos por meio de sete vitórias e três empates, com 22 gols marcados e oito sofridos.

Saragó manda sua equipe a campo sempre buscando a vitória, como seus próprios jogadores admitem. Armado em um 4-2-3-1 variável para 4-3-3, o Lara se garante na defesa com as grandes atuações do goleiro Liebeskind e da dupla de zaga formada por Rey e o argentino Maidana. Cáceres e Mosquera são dois laterais que apoiam muito, mas que compõe a linha defensiva de forma adequada. No meio, Blad Moralles é o responsável pelo trabalho sujo, enquanto Vitali, capitão do time, sai mais para o jogo. À frente deles um trio de meias. Cochas é o camisa 10 e faz a bola girar entre os dois ponteiros de alta velocidade, normalmente Valoyes e Pérez Greco – ou então Martínez e Pérez Greco, e o centroavante Castellín, sempre pronto para marcar gols importantes para o time. Só nesta temporada já foram 17. 

Quando necessário, porém, o Lara abandona o “sistema da moda” e vai pro abafa. Um exemplo da ofensividade e ousadia da equipe ocorreu na primeira rodada do Clausura deste ano. Contra o Táchira a equipe saiu perdendo, empatou pouco depois e, aos 13 minutos do segundo tempo – quando ficou com um jogador a mais – passou a jogar com quatro atacantes. Já contra o Aragua, Saragó montou um 3-3-4 para conseguir um heroico empate nos últimos minutos.

Desta maneira, com um técnico de 30 anos, jogadores experimentados e mentalidade de jogo ofensiva, o Lara vai se consolidando como grande força do futebol venezuelano. Os recordes vindouros ou a perda da invencibilidade são algo descartável. Mais importante para o clube agora é manter a filosofia e os jogadores para tentar um bom papel em uma provável participação na Copa Sul-Americana deste ano e, se possível, causar dor de cabeça aos adversários na Libertadores 2013. No caminho o clube já está… 

Tuitadas da Libertadores

Grupo 1: Não houve jogos nesta semana

Grupo 2: O Flamengo teve mais posse de bola e trocou mais passes, mas foi o Olimpia quem saiu com a vitória. O Decano fez seu jogo e, mesmo não tendo a superioridade, mereceu a vitória contra o rubro-negro. Alguns paraguaios falam em título, mas, por ora, é melhor se preocupar com a classificação. Briga boa entre Lanús, Olímpia e Fla.

Grupo 3: A Universidad Católica conseguiu, nos últimos minutos, uma vitória crucial contra a Unión Española. O 2 a 1 deixa o time vivo e promove briga boa também entre os dois chilenos e o Bolívar por duas vagas. Bolivianos ainda fazem um jogo em La Paz.

Grupo 4: O Boca Juniors mostrou um pouco de futebol contra o regular Arsenal e se colocou em boas condições para a classificação. O Fluminense jogou mal, mas manteve os 100% e é o primeiro classificado para as oitavas.

Grupo 5: O Nacional conseguiu uma vitória magra contra o Alianza Lima e se manteve na luta por uma vaga nas oitavas. Libertad e Vasco ainda são favoritos às duas vagas, sobretudo pela má forma demonstrada pelo Bolso contra o time mais fraco da chave.

Grupo 6: Nacional do Paraguai e Deportivo Táchira fizeram um jogo fraco tecnicamente e ficaram no 0 a 0. Apesar de difícil, a classificação do Nacional ainda é possível. Por isso a decisão de levar o jogo contra o Corinthians para Ciudad del Este soa muito equivocada desde já.

Grupo 7: O péssimo Chivas não foi páreo para o ruim Defensor Sporting. Os uruguaios venceram por 1 a 0 e vão brigar por uma das duas vagas até o final. A luta é com o Deportivo Quito, que faz dois jogos na altitude da capital equatoriana.

Grupo 8: Universidad de Chile e Peñarol fizeram mais um grande jogo pelo grupo 8. No último minuto a pressão de La U deu resultado e os chilenos saíram com a vitória por 2 a 1. O Peñarol foi eliminado.

Mais venezuelanas

Apesar do recorde obtido, o empate contra o Trujillanos não foi bom para o Lara. A equipe viu o Mineros de Guayana se aproximar perigosamente da ponta da tabela. Os rojinegros tem 24 pontos em dez jogos e o Mineros tem 23, mas em 11 partidas. O Caracas é o terceiro, com 20 pontos também em dez jogos, após derrota por 2 a 0 para o Monaguas.

Uruguaias

No Uruguai o Liverpool segue dando as cartas. A equipe venceu o Cerro Largo por 2 a 1 e chegou à quinta vitória em cinco jogos, liderando o torneio com 15 pontos. Em segundo lugar aparece o Peñarol, que fez 4 a 2 no River e tem 12 pontos em quatro jogos. O Nacional fez 3 a 1 no Danubio e é o terceiro, com dez pontos em cinco jogos. O quarto colocado é o Defensor Sporting, que venceu o Fénix por 1 a 0 e também tem dez pontos, só que em quatro jogos.

Paraguaias

Bem na Libertadores e bem no Apertura paraguaio. Esta é a realidade do Olimpia, que venceu o Guaraní fora de casa por 1 a 0 e chegou aos 20 pontos em oito jogos. O Decano, porém, é seguido de perto pelo Cerro Porteño, que chegou aos 18 pontos depois de vencer o Tacuary por 4 a 2, também fora de casa. O Nacional é o terceiro, com 15 pontos, após vencer o Cerro Presidente Franco por 2 a 1. Já o Libertad segue em má fase. O Gumarelo empatou em 1 a 1 com o Sportivo Carapeguá e ocupa a sexta posição do campeonato, com 12 pontos em oito jogos.

Colombianas

– Na Colômbia o Atlético Huila empatou outra – 1 a 1 com o Tolima -, mas segue líder, justamente pelo fato de seu perseguidor ser a equipe de Ibagué. Os dois times têm 18 pontos em nove jogos. Três clubes aparecem logo abaixo com 15 pontos: Itagüí, que fez 4 a 2 no Envigado, La Equidad, que venceu o Cúcuta, e o Patriotas, que bateu o Boyacá Chicó. Junior, Envigado e Santa Fe completam os oito que hoje estariam classificados aos playoffs.

– O Atlético Nacional perdeu por 1 a 0 para o Independiente Medellín no clássico da cidade e chegou a nove jogos sem vitória. Um triunfo no meio de semana contra o Itagüi pela Copa da Colômbia, no entanto, encerrou o jejum.

– O Once Caldas, por sua vez, venceu o Quindio por 3 a 1 fora de casa, dando sobrevida ao técnico Pompilio Paéz. O time de Manizalles tem agora nove pontos em nove jogos.

Bolivianas

– Rodada dupla no Clausura da Bolívia. O líder Blooming chegou aos 23 pontos em 12 jogos depois de vencer o Real Potosí por 1 a 0, mas perder para o Aurora por 3 a 0. O La Paz é o segundo, com 20 pontos depois de empatar em 1 a 1 com o Bolívar e vencer o Guabirá por 4 a 1. Já o San José empatou em 2 a 2 com o The Strongest e com o Universitario e agora é o terceiro, também com 20 pontos.

– O The Strongest, aliás, venceu nesta quinta-feira o Nacional Potosí por 3 a 1, encerrando um jejum de mais de um mês sem vitórias. Foi o primeiro triunfo do novo técnico da equipe, Eduardo Villegas. O Tigre, porém, é o penúltimo no campeonato boliviano, com 12 pontos. O Bolívar é o nono, com 14 pontos.

Peruanas

– No duelo pela liderança do Descentralizado, o Sporting Cristal fez 3 a 0 no Real Garcilaso e manteve a ponta do campeonato peruano, agora com 13 pontos em cinco jogos. Em segundo lugar está a Universidad César Vallejo, que fez 2 a 0 no Inti Gas. O Garcilaso é o terceiro e o Melgar é o quarto, mesmo perdendo para o Sport Huancayo por 1 a 0.

– A reestreia da Universidad San Martín no futebol peruano não foi das melhores e a equipe perdeu por 2 a 0 para o Cienciano. O Alianza Lima, por outro lado, venceu a Unión Comércio por 3 a 2 e conquistou sua primeira vitória no torneio. Já o Universitario perdeu para o Juan Aurich.

Equatorianas

– Rodada dupla também no Primera Etapa do Equador, com os clubes do país realizando os jogos atrasados da rodada 4. No fim de semana a LDU perdeu por 1 a 0 para a Liga de Loja, enquanto Barcelona e Emelec venceram Olmedo e Deportivo Cuenca, respectivamente. Já nesta quarta-feira o Emelec empatou em 2 a 2 com o Deportivo Quito, mas manteve a liderança. Os Eléctricos tem agora 14 pontos em sete jogos. Na segunda posição está justamente o rival Barcelona, que nesta quarta – com os titulares – venceu o El Nacional por 2 a 0 e chegou a 12 pontos. A LDU, por sua vez, ficou no 1 a 1 com o Independiente José Terán e ocupa a terceira posição, agora com 12 pontos, mas em oito jogos. O Deportivo Quito é o nono, com nove pontos em sete jogos.

– No mesmo dia em que o Barcelona venceu o El Nacional, os reservas, juvenis e alguns ex-jogadores do clube consagraram Edmundo na derrota por 9 a 1 para o Vasco.

Chilenas

– Foi sofrido, mas a Universidad de Chile bateu o Unión San Felipe por 1 a 0 e manteve a boa fase no campeonato chileno. La U tem agora 22 pontos em nove jogos. O O'Higgins também se mantém na briga. O Capo de Província venceu a Unión La Calera por 2 a 1 e chegou a 19 pontos. O Santiago Wanderers é o terceiro, depois de fazer 5 a 2 na Universidad de Concepción fora de casa e chegar a 16 pontos.

– A Universidad Católica, que ficou no 1 a 1 com o Iquique, ocupa a quarta posição. Huachipato, Unión Española, Deportes Iquique e Colo-Colo completam os oito primeiros.

– O Cacique, no entanto, vê sua crise se agravar com a derrota por 1 a 0 para o Palestino. Foi a terceira derrota seguida em casa dos colocolinos. Ivo Basay segue ameaçado de demissão.

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Equipe Trivela

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