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Foi estranho ver a Bombonera sem alma no clássico em plena Libertadores

O Boca Juniors fez sua estreia em casa na Copa Libertadores 2016. E em um ambiente no qual está pouco acostumado. As arquibancadas da Bombonera estavam completamente vazias, por conta da punição pelos incidentes ocorridos contra o River Plate na última temporada. Não quero entrar aqui nos méritos da razão que deixou o estádio vazio ou mesmo do caráter da punição aplicada pela Conmebol – que, ainda assim, será mais branda do que o anunciado inicialmente, reduzida de quatro para dois jogos. Independente disso, um fato é inegável: ver a Bombonera sem torcida, sem alma, causa uma sensação bastante estranha. Em plena Libertadores, em pleno clássico contra o Racing. No retorno de dois ídolos de tanta história no clube.

O duelo  marcou a estreia de Guillermo e Gustavo Barros Schelotto, que assumiram o comando técnico do Boca no lugar de Rodolfo Arruabarrena. Guillermo, sobretudo, escreveu uma trajetória riquíssima com a camisa xeneize. Esteve em campo na conquista de quatro Libertadores, de duas Sulamericanas, de seis Argentinos. Entre 1997 e 2007, poucos foram tão adorados quanto o novo técnico principal, que voltou para casa após iniciar sua carreira de treinador com um bom trabalho pelo Lanús e ter uma rápida passagem pelo Palermo. O Mellizo saiu do túnel e não pôde ouvir um grito, um aplauso sequer. Teve que se acostumar com uma frieza incomum na Bombonera.

E o clima atípico parece ter afetado o andamento do clássico. Tanto Boca Juniors quanto Racing apresentaram um futebol bastante pobre na Bombonera. Dois times acostumados a se agigantar a partir dos gritos da torcida. Desta vez, o que ecoava nas paredes eram os gritos dos próprios jogadores, as orientações dos técnicos, o apito do juiz, as batidas mais fortes na bola. Aliás, o eco que se ouvia dimensiona bem como a estrutura ajuda a amplificar os cânticos. A tornar a Bombonera um estádio particular, com vida própria. Sem os xeneizes, parecia uma caixa torácica oca, sem coração que batesse. Inclusive, algumas dezenas de fanáticos ainda foram aos portões tentar alentar o Boca. Em vão.

Ao final do jogo, o placar zerado foi bem condizente com a noite sem aplicação das equipes e sem entusiasmo das arquibancadas. Talvez não tenham se tocado que aquilo mesmo era Libertadores. Contra o Bolívar, de novo, os xeneizes não poderão ocupar o estádio. A reabertura da Bombonera na Libertadores só acontece contra o Deportivo Cali, na sexta rodada. E os torcedores esperam que não seja tarde demais para o clube se reencontrar com seu famoso espírito, que impõe respeito na competição e já o fez seis vezes campeão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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