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Fluminense precisa fazer valer sua superioridade técnica

O Fluminense descobriu muito cedo em São Januário que o Emelec seria um duríssimo adversário na noite que definiria o classificado às quartas de final. Bem fechado, o time equatoriano ofereceu o que tinha de melhor em sua defesa e por pouco não parou um ônibus na frente do gol de Dreer.

Com um pouco de dedicação, garra e a volta de Fred, o Flu conseguiu fazer o 2 a 0 e está na próxima fase. Mas o tempo custou a passar até o apito final. Procurando opções práticas para furar o bloqueio equatoriano, o tricolor esteve durante quase todo o primeiro tempo bem colocado no campo adversário. Uma jogada bem executada resultou num gol de cabeça do capitão e camisa 9, na única chance que ele teve para tal.

A dura lição aprendida em Guayaquil foi levada a sério por Abel Braga e seus pupilos. Na Libertadores não tá tempo para erros infantis ou acomodação. Em São Januário, a postura foi extremamente ofensiva e cada ataque mostrava isso. Para quem quer chegar na decisão outra vez, é preciso mostrar vontade, suar a camisa e se possível até derramar sangue no gramado.

O chavão ressuscita

Se a máxima do Time de Guerreiros estava apagada desde o título brasileiro em 2010, talvez ontem tenha sido um bom momento para resgatá-la. O Fluminense não jogou como o Fluminense campeão nacional de 2012 com antecedência e elenco recheado de grandes craques, e sim como uma equipe que queria muito vencer. O esforço foi premiado diante de um Emelec que teve mais medo de perder do que empenho em ganhar.

Diante de Tigre ou Olimpia nas quartas, o tricolor precisa manter essa postura e essa luta em qualquer lance. Bem verdade que no segundo tempo o panorama virou a favor dos equatorianos, que se cansaram de apenas assistir o adversário fazer seus movimentos. Quando pressionado, o Flu teve momentos de extremo perigo em sua defesa, um sinal de alerta para os próximos confrontos.

A sequência de jogos visivelmente cansou os cariocas, que perderam um pouco da combatividade na parte final. Recuado e com alguns atletas desgastados fisicamente, os mandantes sabiam que um golzinho a mais seria a certeza que a torcida precisava nas arquibancadas. Enquanto o apito final não chegava, o Emelec ficava em cima e por pouco não fez a festa no estádio cruzmaltino. Restou a Carlinhos ser o herói da noite, com um gol salvador e tranquilizante aos 39 finais. Ali os equatorianos viram que a barca havia afundado.

Bem vivo na disputa do torneio, o Flu deverá utilizar a próxima semana para recuperar o elenco e voltar inteiro para enfrentar os paraguaios ou argentinos nas quartas. E sobretudo fazer valer a superioridade técnica de seu plantel, não só entrar em campo como o favorito.

Conforme as fases passam, o perigo aumenta. E Abel Braga sabe disso. É hora de tirar o melhor de cada um que estiver em campo se quiser terminar essa campanha como o vencedor.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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