América do Sul

‘Falta de inteligência’: Diniz ironiza críticas a elenco experiente do Fluminense

O Fluminense foi campeão da Recopa Sul-Americana com a participação de veteranos, e Diniz rebateu críticas ao elenco

O Fluminense venceu a LDU, tirou o grito da garganta e foi campeão da Recopa Sul-Americana. O título foi conquistado com um homem a menos em campo e gols da vitória de 2 a 0 no fim, com Jhon Arias. Após o jogo, Fernando Diniz comemorou a taça e dividiu a glória com a torcida.

Questionado sobre as críticas que recebe, assim como seu elenco, formado por jogadores experientes, Fernando Diniz ironizou.

— Acho uma bobagem, falta de respeito e falta de inteligência. Se desse tudo errado para o Fluminense daqui para frente, estariam errados de largada. Porque fomos campeões da Libertadores com o time com média de idade mais alta entre Libertadores, Champions League, Concacaf… É um presente do futebol brasileiro poder contar com esses jogadores. O nível dos caras é prazer na convivência. O povo, e parte da imprensa, gosta de chacota, like e sorriso fácil e não muito da verdade. Mas isso aqui não entra. Entramos com um trabalho de profundidade. Ninguém vai jogar eternamente, mas se estão aqui eles têm qualidade.

Fernando Diniz conquistou mais um título com o Fluminense - Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC
Fernando Diniz conquistou mais um título com o Fluminense – Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

Depois de perder o primeiro jogo por 1 a 0, em Quito, o Fluminense virou o confronto no Maracanã, com 2 a 0, e faturou a Recopa Sul-Americana. O clube, agora, é o maior campeão internacional do estádio, com três títulos.

‘Vitória da humildade e da coragem', diz Diniz após título do Fluminense

A Recopa Sul-Americana não é qualquer título para o Fluminense. Além de bater o algoz LDU e exorcizar mais um fantasma para a conta, o Tricolor se tornou o maior campeão internacional da história do Maracanã.

Para o técnico Fernando Diniz, a conquista, sobretudo, é uma vitória igual a sua luta no futebol: a valorização das pessoas.

— Eu acho que foi vitória sobretudo da humildade, da coragem e de não se acovardar. Eu acho que as pessoas que comentam desprezam muito quem joga na altitude. O Fluminense fez um grande jogo lá. Esse título começou lá em Quito, não foi aqui. Não teve bombardeiro do LDU. O jogo foi muito controlado. Para quem tiver a paciência de assistir e não falar coisas porque teve um monte de cruzamento. Os jogadores foram heróis lá. Dificilmente um time tem mais posse de bola que a LDU lá em Quito, e o Fluminense conseguiu ter posse de bola, quase 60% lá, que foi a nossa melhor forma de se defender.

Diniz divide título da Recopa com a torcida do Fluminense

Feliz com o título da Recopa Sul-Americana, Fernando Diniz dividiu a glória com a torcida do Fluminense. O técnico chegou a afirmar que quando o time estava com um a menos em campo, na verdade, a torcida compensou.

— Dividir com toda essa torcida linda, maravilhosa, essas três cores que traduzem tradição. Esse é o título é de vocês, que vocês continuem a nos acompanhar. Sou muito grato por tudo que vocês fizeram por mim, pela minha carreira e vocês vão estar sempre no meu coração. Aqui tivemos um jogador a menos, mas tínhamos a torcida como um jogador a mais que nos empurrou — disse.

Diniz voltou a dizer que a taça começou a ser conquistada fora de casa, na altitude de 2650 metros de Quito. Mesmo com a derrota, o técnico acredita que o Fluminense fez grande jogo e deveria ter vencido se não fosse a arbitragem.

— Começamos a ganhar a final em Quito. Jogar na altitude é algo fisiologicamente desumano. Entendemos que tenha que ter jogos lá, como La Paz, porque socialmente existe futebol e a população de lá para ver a graça de os times verem seus times e seleções. Mas, para nós, é quase impossível jogar de maneira igual. Lá conseguimos fazer um jogo mais pausado. Não ouço muito o que falam na televisão, mas do pouco que vi foi mais desinformando do que informando. A LDU, quando joga em casa, é o time que mais tem posse. Nós tivemos um pênalti não marcado, e o Fábio quase não defendeu o jogo todo lá. Esse título é muito do que fizemos lá. Fomos três dias antes para Quito. Se o juiz não tivesse interferido no resultado, a gente poderia ter voltado até com vitória de lá.

O Fluminense foi campeão da Recopa Sul-Americana no Maracanã - Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC
O Fluminense foi campeão da Recopa Sul-Americana no Maracanã – Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

A arbitragem ainda seria tema de outra resposta. Mesmo com o título e a vitória no Maracanã, o técnico fez críticas ao juiz argentino Facundo Tello.

— Então a gente aqui conseguiu fazer dois gols, e o que teve de mais bonito foi que, com um jogador a menos, a gente não desistir de ser protagonista, de querer o resultado, e foi premiado. Porque lá a gente, às vezes, dava mais pausa no jogo, porque é quase impossível acelerar o jogo na altitude. Não é a pausa que eles fizeram aqui, de ficar matando o jogo, e o vício dá quase nada, já cresce. Então ganhou o time que mereceu de fato para brindar a essa torcida linda.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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