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Flamengo foi único brasileiro a não se poupar para Libertadores

O excesso de jogos no calendário brasileiro faz com que os times que disputam mais de uma competição normalmente poupem seus principais jogadores nos jogos menos importantes, prática que às vezes gera polêmica: afinal, qual o resultado prático de poupar nos jogos seguintes? Como os clubes que disputam a Libertadores lidaram com essa questão?

Para tentar responder essa pergunta, a Trivela fez um levantamento das escalações dos seis clubes brasileiros que disputaram a Libertadores. Foram analisadas todas as partidas oficiais na temporada, e considerados os jogos em que mais de quatro titulares. E o resultado mostra que pode, sim, haver uma relação entre os clubes que pouparam mais e os resultados na temporada. Confira:

Flamengo: A prioridade era o Estadual?

O Flamengo começou a temporada utilizando os reservas no Estadual e com um discurso bem claro: vencer o confronto eliminatório contra o Real Potosí e priorizar a Libertadores. Não foi, porém, o que se viu na prática. Joel Santana, que assumiu o clube após o triunfo contra os bolivianos, poupou o time apenas três vezes, todas em confrontos anteriores a jogos do Campeonato Carioca. A Libertadores não teve esse mesmo tratamento. Coincidentemente (ou não), foi o único brasileiro eliminado da competição na primeira fase.

Jogos na temporada: 25 (14V, 5E, 6D)
Jogos em que poupou: 5 (3V e 2E)
Jogos seguintes aos que poupou: 5 (2V, 2E, 1D)
Time-base: Felipe, Léo Moura, David Braz, Marcos González e Junior César; Airton, Willians (Muralla), Luis Antônio (Botinelli); Ronaldinho, Vagner Love e Deivid.

Santos: A força das circunstâncias

Com a disputa do Mundial de Clubes de 2011, os titulares santistas entraram de férias 15 dias após as outras equipes, e também retomaram as atividades depois. Assim, o técnico Muricy Ramalho precisou colocar o time reserva nos três primeiros jogos da temporada, com uma vitória e dois empates. Depois, os reservas voltaram a entrar em ação antes do clássico contra o Corinthians – vitória por 1 a 0 – e em três oportunidades antes dos jogos da Copa Libertadores – vitórias contra Juan Aurich e Internacional e derrota para o The Strongest na altitude de La Paz -.

Jogos na temporada: 26 (17V, 4E, 5D)
Jogos em que poupou: 7 (4V, 2E, 1D)
Jogos seguintes aos que poupou: 7 (3V, 3E, 1D)
Time-base: Rafael, Fucile, Edu Dracena, Durval e Juan; Arouca, Henrique, Íbson (Elano) e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Borges.

Corinthians: A importância de ser prudente

O técnico Tite deu ritmo ao time titular no início e poupou o time somente a partir do nono jogo, contra o São Caetano. A partir daí, os reservas entraram mais em ação antes dos jogos da Libertadores, e a estratégia surtiu efeito: nas seis partidas seguintes após os reservas entrarem em ação, foram cinco vitórias e um empate contra o Cruz Azul, no México. Os resultados garantiram a segunda melhor campanha de toda a primeira fase da competição, e não prejudicaram no Campeonato Paulista, no qual os corintianos foram eliminados pela Ponte Preta com o time titular.

Jogos na temporada: 26 (18V, 6E, 2D)
Jogos em que poupou jogadores: 6 (3V, 2E, 1D)
Jogos seguintes aos que poupou: 6 (5V e 1E)
Time-base: Júlio César, Alessandro (Edenilson), Chicão (Paulo André) Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo; Jorge Henrique (Alex), Emerson e Liédson.

Vasco: Cristóvão aprendeu a lição

Em 2011, o Vasco disputou o título do Campeonato Brasileiro e da Copa Sul-Americana sem poupar jogadores no fim. No início de 2012, Cristóvão Borges achou que podia repetir a estratégia na Libertadores, mas a luz vermelha acendeu com a derrota sofrida para o Nacional-URU dentro de São Januário. A partir daí, os principais jogadores tiveram descanso, Juninho e Felipe revezaram no meio e a equipe engrenou: poupou em cinco jogos, e nas partidas imediatamente após utilizar os reservas – quatro pela Libertadores e um clássico contra o Flamengo -, venceu quatro e empatou uma.

Jogos na temporada: 24 (17V, 3E, 4D)
Jogos em que poupou jogadores: 5 (4V e 1D)
Jogos seguintes aos que poupou: 5 (4V e 1E)
Time-base: Fernando Prass, Fagner, Dedé,  Rodolfo (Renato Silva) e Tiago Feltri; Rômulo (Nílton), Felipe Bastos (Eduardo Costa), Juninho Pernambucano (Felipe) e Diego Souza; Éder Luís (William Barbio) e Alecsandro.

Fluminense: Elenco forte?

O Fluminense começou a temporada utilizando o time reserva na partida contra o Friburguense. Venceu por 3 a 0, mas depois teve problemas com a equipe no Estadual: no total, foram seis jogos, com duas vitórias, um empate e três derrotas, o que sugere que os reservas não são tão confiáveis assim. Com o time titular descansado – sobretudo Deco e Fred -, os resultados são inquestionáveis: cinco vitórias em cinco partidas.

Jogos na temporada: 24 (16V, 2E, 6D)
Jogos em que poupou jogadores: 6 (2V, 1E, 3D)
Jogos seguintes aos que poupou: 5 (5V)
Time-base: Diego Cavalieri, Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos; Edinho (Jean), Diguinho, Deco, Thiago Neves e Wellington Nem; Fred.

Internacional: Descanso no início, sofrimento no fim

O Internacional descansou os titulares em seis ocasiões, sendo três delas na Copa Libertadores: nos dois confrontos contra o Once Caldas, pela fase preliminar, e na estreia, contra o Juan Aurich, com duas vitórias e um empate fora de casa. Posteriormente, o técnico Dorival Junior poupou seus jogadores apenas em jogos do Campeonato Gaúcho. Nas partidas anteriores aos jogos contra o Santos – uma derrota e um empate -, foram escalados os titulares.

Jogos na temporada: 26 (16V, 5E, 5D)
Jogos em que poupou jogadores: 6 (3V, 1E, 2D)
Jogos seguintes aos que poupou: 6 (4V, 1E, 1D)
Time-base: Muriel, Nei (Sandro Silva), Índio, Rodrigo Moledo e Kléber; Bolatti, Tinga, D’Alessandro (Élton) e Oscar (Dátolo); Dagoberto e Leandro Damião.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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