América do SulBrasil

Filho de Mazinho supera ‘não’ da CBF e chega à seleção sub-20

Quando o Brasil entrar em campo logo mais, contra o Equador, pelo Sul-Americano Sub-20, uma pessoa em especial terá muito a comemorar. Acostumado a vitórias em sua carreira, o tetracampeão mundial Mazinho agora celebra as façanhas de seus filhos. Um deles deverá marcar presença nesta noite, no gramado do Estádio Bicentenário, em San Juan, na Argentina. Rafael Alcântara está confirmado pelo técnico Émerson Ávila no banco de reservas da Seleção.

A convocação de Rafinha, como é conhecido em seu clube, o Barcelona, pode ser enxergada de duas formas. Primeiro, como um legado da passagem de Ney Franco pelo comando da base brasileira. E segundo e principalmente como uma vitória pessoal de Mazinho.

O ex-jogador de Palmeiras e Vasco sempre brigou para ver seus filhos defendendo a Seleção. Não foi possível com Thiago, hoje revelação do Barcelona e já chamado pela Espanha. Nessa mesma época, dois anos atrás, antes também de um Sul-Americano Sub-20, Mazinho tentou fazer com o que o seu filho mais velho entrasse no radar brasileiro, conversou com Mano, procurou a CBF. E teve, segundo ele, uma das maiores frustrações de sua vida.

“A minha primeira preocupação foi quando o Thiago foi chamado para a seleção sub-16 daqui. Não queria que ele jogasse pela Espanha porque sabia que os garotos tinham condições de jogar pelo Brasil, mas, quando comuniquei a CBF, comentaram que os atletas que são formados fora do País não voltariam à Seleção”, contou ao blogueiro em dezembro de 2010.

Na época, os responsáveis por encaminhar o recado foram dois velhos conhecidos do tetracampeão, o ex-lateral-esquerdo Branco e o supervisor Américo Faria. Chateado com a situação, Mazinho chegou a sugerir que a rejeição a seus herdeiros passava pela necessidades dos clubes brasileiros de manter seus jovens sob holofote e realizar vendas para o exterior. “Hoje, no Brasil, a maioria das equipes depende dos jogadores da base, e uma seleção é onde se faz o dinheiro que necessitam. A gente vive de negócios, de vendas para o exterior, é natural”, tentou explicar.

Mazinho não pôde ver Thiago jogar com as cores verde e amarela. Mais tarde, no entanto, terá a chance de amenizar um pouco a sua frustração ao ver Rafinha entrar em campo com a seleção. É a vitória de Ney Franco e da CBF. A vitória de Mazinho. E também a vitória do próprio garoto do Barcelona, que, segundo o pai, por mais que as informações que chegassem do Brasil não fossem as melhores, sempre acreditou na possibilidade de defender o país.

“Ele é louco para atuar pelo Brasil. Sabe que o seu caminho passa pelo Brasil, repete isso. Por mais que você diga que a situação é assim, ele está convencido de que jogará pela seleção brasileira”, profetizou Mazinho no réveillon de 2010.

A hora de Rafinha chegou.

Mostrar mais

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo