Fabian O’Neill morre aos 49 anos: Mago que encantou uma geração de uruguaios e até Zidane
Fabián O’Neill teve uma cirrose crônica em decorrência do alcoolismo, e deixa memórias de momentos de magia em campo como um dos grandes talentos dos últimos 30 anos no Uruguai
Fabián O’Neill, o Mago, como era conhecido, morreu no Uruguai neste domingo, dia 25 de dezembro, aos 49 anos. Ele havia sido internado um dia antes e morreu em decorrência de uma cirrose crônica, fruto de anos no alcoolismo. O ex-jogador conseguiu superar o vício e teve seus últimos anos de vida recuperado, com a família, depois de chegar a viver de favores, como contamos em 2017. Nos últimos anos, fez o que contou que gostaria lá em 2017: trabalhou como olheiro, em busca de talentos.
Segundo informação do Ovación, a causa da morte foi uma cirrose crônica. Aos 49 anos, sofreu desde que pendurou as chuteiras, aos 30 anos, em 2003. Na carreira, foi revelado pelo Nacional, jogou pelo Cagliari de 1996 a 2000, quando se transferiu para a Juventus, onde ficou dois anos. Jogou ainda pelo Perugia rapidamente, em 2002, antes de voltar ao Cagliari para mais seis meses. Em janeiro de 2003, voltou ao Uruguai, jogou até junho e se aposentou, ainda aos 30 anos.
Atuou pela seleção Uruguaia em 19 jogos, com dois gols marcados. Esteve na Copa América em 1993, atuando em uma partida. Chegou a ser convocado para a Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e Japão, mas não entrou em campo em nenhum dos três jogos do Uruguai naquele Mundial, contra Dinamarca, França e Senegal.
Na Juventus, ganhou a admiração de um dos maiores craques possíveis: Zinedine Zidane, que certa vez declarou que o companheiro era um dos melhores jogadores com quem já havia atuado. Em 2016, quando lançou uma autobiografia, o livro foi sucesso no Uruguai e Zidane apareceu em foto com o livro em mãos. Adorava ver o uruguaio jogar.
O encanto que causava em campo não foi duradouro na Juventus e sua carreira acabou mais cedo do que se esperava. Depois disso, ele teve problemas. Desde a aposentadoria, tinha problemas com álcool. Em junho de 2020, O’Neill já tinha sofrido um grave quadro hepático e que o obrigaram a ser internado. Foi ali que precisou mudar de hábitos e parou de consumir bebidas alcóolicas. Ele chegou a dar entrevista neste mês de dezembro ao Ovación, diário esportivo do jornal El País, que estava há seis meses sem beber.
Ao lembrar dos dias antes da crise de 2020, que o levou a ficar internado e ter que parar de beber, ele contou um episódio dramático. “Estive nove dias sem comer. Acordava e tomava vinho às oito da manhã e chegava até meia noite ou uma da manhã assim. Estava todo amarelo quando fui buscar meu filho”, contou O’Neill. Ele conseguiu deixar de ser alcóolatra, muito graças à sua família, segundo ele mesmo contou.
Depois de viver de favores e da crise que viveu que quase o tirou a vida, a vida de Fabián O’Neill mudou. No final de 2020, ele passou a trabalhar como captador de talento do Grupo Casal. Levantava às cinco da manhã, mas desta vez para tomar mate, não mais álcool.
Embora a saúde estivesse melhor, ainda tinha alguma fragilidade. Na sexta-feira, dia 23, estava com amigos em Paso de los Toros, sua cidade natal, e passou mal. Precisou ser levado imediatamente ao hospital local. Depois, foi transferido para Montevidéu, depois de ter sofrido uma hemorragia digestiva.









