Exemplar: após ter pênalti marcado a seu favor, atacante avisa erro e faz árbitro voltar atrás

Em tempos de tantas arbitragens ruins, custa ver um jogador simplesmente admitir que os adversários tinham razão em reclamar – mesmo com erro já consumado. Uma atitude como a de Roberto Ovelar, então, é raríssima. Diante de um pênalti marcado a favor de sua equipe, o atacante informou o árbitro de seu equívoco. E não era em um jogo qualquer, mas no clássico de Barranquilla, entre Junior e Uniautónoma, válido pelo Campeonato Colombiano. Duelo que acabou justamente com derrota da equipe do paraguaio.
O lance aconteceu logo aos quatro minutos, quando a Uniautónoma já vencia por 1 a 0. O Junior teve a grande chance do empate, mas Ovelar fez com que o juiz voltasse atrás em sua decisão de marcar a penalidade. É verdade que a opção só aconteceu de muita pressão e reclamação dos adversários, mas o atacante admitiu que o toque de mão visto, na verdade, foi dele e não do zagueiro rival. Assim, o árbitro também anulou o cartão amarelo dado por reclamação ao goleiro da Uniautónoma e puniu o paraguaio pelo lance. E o pênalti cancelado acabou custando os três pontos ao Junior, diante da derrota por 2 a 0.
Alguns torcedores dos Tubarões podem ter ficado na bronca com Ovelar. No entanto, o gesto raro de honestidade do atacante merece todos os aplausos. “Eu sou muito sincero. Disse ao árbitro que toquei com a mão, mas não foi intencional. Ele me deu o cartão amarelo, mas tudo bem. Foi só uma questão de princípios”, afirmou o jogador, na saída do intervalo. A dignidade vale mais do que o resultado.
Ovelar, aliás, pode dizer que aprendeu seus princípios em casa. O atacante é filho de Leopoldo Ovelar, ativista da Igreja Católica no Paraguai que, durante a década de 1980, se encarregou de dividir terras no país entre famílias carentes. “Hoje, acordei tranquilo, olhando para o rosto de minha esposa e de minhas duas filhas. Meus pais me ensinaram a honestidade e a justiça. Meu pai já se aposentou dos serviços da igreja, após 35 anos defendendo o direito dos pobres, mas nós, seus oito filhos, continuamos dedicados a promover seus princípios e as causas sociais. Por isso, decidi dizer a verdade”, contou, em entrevista ao jornal El Tiempo. Grande exemplo.
A dica do post veio do Non Sense Football. Valeu!



