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Estava na hora de o Rei da América não vir do Brasil, e Teo Gutiérrez fez por merecer

A já tradicional premiação Rei da América, feita pelo jornal uruguaio El País, vinha sendo um reflexo do futebol sul-americano nos últimos anos. A última vez em que um jogador fora do Campeonato Brasileiro havia vencido a escolha de melhor atleta da América do Sul havia sido em 2009. O título para Teo Gutiérrez, do River Plate, acaba sendo um afago para aqueles que torcem por um maior equilíbrio no cenário continental e também um reconhecimento merecido pelo ano que tiveram o colombiano e os Millonarios, em especial.

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Verón venceu a premiação em 2009. No ano seguinte, D’Alessandro, do Inter, foi quem levou, seguido por Neymar (2011 e 2012) e Ronaldinho Gaúcho (2013). Mais que uma conquista individual, a premiação para Teo é mais uma condecoração para o ano fantástico que teve o River Plate. Até porque são outros dois atletas do River os que fecham o pódio: Carlos Sánchez e Leonardo Pisculichi. Além disso, a composição do “time ideal” eleito pelos jornalistas consultados pelo El País emplacou, ao todo, cinco atletas dos Millonarios. Os três acima e Barovero e Vangioni.

Time ideal do El País:

Marcelo Barovero (River Plate); Daniel Bocanegra (Atlético Nacional), Santiago Gentiletti (San Lorenzo/Lazio), Leonel Vangioni (River Plate); Carlos Sánchez (River Plate), Charles Aránguiz (Internacional), Néstor Ortigoza (San Lorenzo), Leonardo Pisculichi (River Plate); Ignacio Piatti (San Lorenzo/Montreal Impact), Edwin Cardona (Atlético Nacional/Monterrey) e Teófilo Gutiérrez (River Plate)

A imagem do River, danificada em 2011 com a queda para a segunda divisão após uma sucessão de más campanhas na elite, agora está completamente restaurada. Essa reconstrução começou com a conquista do título argentino de forma incontestável no Torneo Final deste ano. Seguiu com a campanha incrível na Copa Sul-Americana, passando por Boca Juniors na semifinal e Atlético Nacional na decisão, e é concluída com a confirmação de que poucos brilharam no continente como os Millonarios.

A ausência total de brasileiros da escalação ideal (em comparação a 2013, quando sete estiveram presentes) foi um reflexo do ano terrível que os brasileiros tiveram na Libertadores. Mais do que representar um declínio, que pode ser apenas temporário, isso é parte de um conjunto de fatores maior, que apresenta um equilíbrio como há muito não era visto no futebol sul-americano. Por mais que o nível de jogo tenha sido empobrecido, foi fantástico ver uma chave de semifinal com Nacional do Paraguai, Bolívar, San Lorenzo e Defensor. Equipes que nos anos anteriores jamais chegariam tão longe na competição, mas que se intrometeram na briga e mostraram que se faz, sim, Libertadores sem os mesmos de sempre.

Juntando esses elementos à ascensão do River Plate e à sede dos times brasileiros pela compensação de 2014, temos os ingredientes para uma grande Copa Libertadores em 2015. Pela força dos elencos e pelo maior poder financeiro, São Paulo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Internacional e, possivelmente, Corinthians, começam com status de favoritos, mas enfrentarão resistência de San Lorenzo, Atlético Nacional, Boca Juniors, o próprio River, claro, e mais alguma outra equipe que suba a esse patamar com o andamento da disputa. Cumprindo-se as expectativas, o potencial é de uma edição marcante, de bom nível técnico e, sobretudo, mais universalizada.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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