América do Sul

“Espetacular” é pouco para o gol de placa de Vladimir Hernández pelo Atlético Nacional

Vladimir Hernández permaneceu poucos meses no Santos. Apesar de sua identificação com o Junior de Barranquilla, o ponta retornou neste ano à Colômbia para ajudar o Atlético Nacional, diante do processo de reformulação empreendido pelos paisas. É difícil dizer se o novo contratado vai se firmar nos Verdolagas. Mas há a certeza de que será lembrado por muito tempo no Atanásio Girardot. Sem medo de cometer exageros, dá para afirmar que o camisa 16 marcou um dos gols mais fantásticos já vistos no estádio. Viveu sua primeira grande noite em Medellín, determinando a vitória por 2 a 0 sobre o América de Cali, pelo Campeonato Colombiano.

O confronto entre os dois clubes tradicionais permaneceu amarrado durante a maior parte do tempo. O cenário se abriu para o Atlético Nacional apenas na segunda etapa. Justo quando Vladimir Hernández saiu do banco. O ponta anotou o seu primeiro gol com a camisa verdolaga a 15 minutos do fim. Em uma disputa de bola dentro da área, se antecipou ao goleiro, na raça. Mas nada se compara ao que ocorreu aos 48 minutos, nos últimos instantes dos acréscimos. Os meses em Santos talvez tenham ensinado ao colombiano algo sobre Pelé.

Afinal, a obra-prima de Hernández é atemporal, como eram as do Rei. A partir de um domínio errado do adversário, o baixinho roubou a bola na intermediária e já o fintou no primeiro toque. Virou o corpo e partiu para cima do segundo marcador, que ficou no vácuo. Já o melhor aconteceria na meia-lua, diante do terceiro oponente diferente. O ponta pedalou para a direita e, então, mudou a direção, deixando o zagueiro sentado no chão. E de frente com o goleiro Carlos Bejarano, encerrou sua humilhação. Deu um toque sutil por baixo da bola e encobriu o arqueiro com extrema categoria. O chute fez uma parábola bem alta, perfeita, caindo dentro da meta sem que ninguém conseguisse tirar. Tamanho golaço não merecia ser negado desta maneira.

Graças à vitória sobre o América, o Atlético Nacional assume a segunda colocação do Apertura e fica a dois pontos do rival Independiente Medellín, que lidera a competição. Esses números, porém, são irrelevantes quando se pensa no que fez Vladimir Hernández. Esta é a verdadeira habilidade que tanto engrandece o jogo. Merece ter seu nome gritado no Atanásio Girardot, seja lá como for o seu futuro com os verdolagas.

 

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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