Equador tem altitude a seu favor, mas seu sucesso vai além disso
O Equador é uma seleção muito forte quando joga em casa. Quito é uma cidade com 2.800 metros acima do nível do mar e isso, claro, influencia quando um time tem que enfrentar as equatorianos jogando em seu território. Mas a seleção que vem para a Copa do Mundo é mais do que isso. A altitude sempre esteve a favor do Equador, e isso sempre é um fator determinante em suas campanhas. Mas, além disso, o que mudou o patamar da seleção foi a boa organização da liga e clubes mais fortes no país. Não por acaso, a maioria dos jogadores da seleção joga no próprio Equador, que mantém times com relativa competitividade em um campeonato que tem variado seus campeões. Então, elencamos os fatores que impulsionam o Equador a mais uma Copa:
O fator casa
As campanhas do Equador nas Eliminatórias não deixa muita dúvida que o fator casa é preponderante na campanha. Para a Copa de 2014, o Equador conseguiu sete vitórias, todas em casa. Só um time não perdeu do Equador em Quito: a Argentina, que não empatou. Isso é algo histórico. Em 2002, quando foi para sua primeira Copa, foram nove vitórias, seis delas em casa. Para a Copa da Alemanha, em 2006, foram oito vitórias, sete em casa. É inegável que O Equador é um time muito forte em casa e nem tão forte assim quando sai.
Formação caseira
Dos 23 convocados para a seleção equatoriana, são 15 que jogam no próprio Equador, três que jogam no México, dois na Rússia, um na Arábia Saudita e um na Holanda e um na Inglaterra. Em termos de clubes, cinco são da LDU, três do Barcelona de Guaiaquil, três do Deportivo Quito, dois do Emelec, um do El Nacional e um do Independiente José Terán, entre os clubes equatorianos.
A força que os times do país ganhou nos últimos anos fez com que se tornassem um adversário difícil em competições continentais. Tanto que, em junho, a LDU ainda era o quarto colocado do ranking de clubes da Conmebol. O ranking parou de ser feito desde então. O Emelec tem sido um adversário duro nas competições sul-americanas recentes. Basta lembrar do que viveram Flamengo e Corinthians em 2012, na Libertadores.
A organização da liga
Entre os campeonatos sul-americanos, o equatoriano é um dos que tem a fórmula menos maluca. A liga é em pontos corridos e cada turno separado entre si. Os dois campeões dos turnos jogam uma final pelo título. Esqueça Brasil e Argentina, que têm suas fórmulas consolidadas há tempos: na América do Sul, uma fórmula simples é um grande avanço.
Emelec e LDU são os times que mais causaram dificuldades aos adversários na Libertadores. Em 2012, o Emelec dificultou muito a vida do Corinthians no jogo de ida, em Guaiaquil. Isso depois de conseguir a classificação de forma heroica com uma vitória fora de casa contra o Olimpia, causando a eliminação do Flamengo. Em 2013, foi a vez do Fluminense sofrer muito para bater os equatorianos, depois de perderem o primeiro jogo fora de casa. A LDU caiu ainda na fase preliminar, mas o gremista sabe o sacrifício que foi para vencer o time de Quito.
Ter times fortes no país ajuda a seleção nacional a conseguir jogadores com mais experiência internacional. Não é um fator preponderante para o sucesso, mas tem a sua parcela de influencia.
Experiência
O Equador tem um time com jogadores já experientes com a camisa da seleção. Walter Ayoví, do Pachuca, tem 34 anos e é um dos que conduz o time a partir da defesa. Édison Méndez, 34 anos, é um meio-campista que esteve nas grandes conquistas da LDU, uma geração que mudou a história do clube no continente. Christian Noboa, 28 anos, faz bem seu papel no meio-campo com a experiência adquirida jogando na Rússia, em um estilo de jogo muito diferente do equatoriano. Alex Bolaños, do Deportivo Quito, é um jogador rodado dentro do Equador.
Junto com essa geração experiente, jovens como Fidel Martínez, 23 anos, que faz sucesso no Tijuana e esteve em gramados brasileiros na Libertadores, e Felipe Caicedo, o grande nome do ataque, de 25 anos, que joga no Lokomotiv Moscou. Além deles, Jaime Ayoví, da LDU, também 25 anos, tem sido importante.
O Equador vem para o Brasil para tentar, mais uma vez, surpreender. Tentar repetir o desempenho de 2006, quando chegou às oitavas de final e fez a Inglaterra suar muito para avançar. É possível.



