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Jogo incomum, Corinthians diferente – e bastante eficiente

A noite de futebol no Pacaembu, definitivamente, foi fora do comum. O motivo óbvio era o silêncio no estádio vazio, onde ecoavam os gritos e as palmas dos técnicos a cada jogada. Porém, dentro de campo também foi possível notar um Corinthians diferente do trivial. Entre as semelhanças com a equipe que conquistou o Mundial em 2012, a eficiência que assegurou a vitória por 2 a 0 sobre o Millonarios, a primeira nesta Copa Libertadores. Com o resultado, os brasileiros estão em segundo no Grupo 5, dois pontos atrás do Tijuana, próximo adversário.

Tite apresentou novidades no time, com Alexandre Pato e Renato Augusto entre os titulares,  substituindo o lesionado Jorge Henrique e o descompromissado Emerson. As alterações provocaram um novo comportamento tático dos corintianos. O usual 4-2-3-1 se transformava em um 4-4-2, diante da aproximação entre Pato e Paolo Guerrero. E a ausência da massa nas arquibancadas não atrapalhou a vontade.

Durante os primeiros minutos, se sobressaiu a intensidade do Corinthians – embora a falta de pegada do Millonarios também pesasse. Em 12 minutos de bola rolando, os brasileiros acertaram quatro vezes mais passes que os colombianos (83 a 20). A pressão rendeu o primeiro gol logo aos dez minutos, com Paolo Guerrero aproveitando sequência de cobrança de escanteio. E o segundo só não saiu instantes depois porque Alexandre Pato errou o alvo por muito pouco.

Na frente, Guerrero começou mais fixo, embora o cansaço de Pato com o avançar do primeiro tempo obrigou o peruano a sair da área. Além disso, a postura ofensiva da dupla dava mais espaços para Paulinho avançar. No entanto, o jogo corintiano se concentrava nas laterais, onde Danilo e Renato Augusto cadenciavam o jogo. Durante a primeira etapa, 79% da posse do time no campo de ataque se concentrou nos flancos, enquanto Danilo era quem mais tocava na bola.

O ritmo do corintiano se reduziu pouco antes do intervalo, mas o empenho na defesa permaneceu grande. Os alvinegros fechavam muito bem os espaços e o Millonarios só conseguiu finalizar uma vez nos 45 minutos iniciais, ainda assim de fora da área.

Na volta para o segundo tempo, o Corinthians voltou a acelerar seu jogo e chegou ao segundo tento graças ao ótimo posicionamento de Pato, escorando cruzamento de Ralf. Depois de mais alguns minutos de domínio, os mandantes recuarem e viram os albiazules levarem perigo principalmente nas investidas pelas pontas, mesmo sem exigir muito trabalho de Cássio. Ao fim, a justa expulsão de Járol Martínez deu a tranquilidade necessária aos alvinegros para manterem o resultado.

Mesmo distinto, o Corinthians teve sua melhor atuação desde a final do Mundial. Pode ser a deixa para que Tite mantenha Pato e Renato Augusto como titulares – Emerson, para piorar, entrou mal nos minutos finais. Com a vitória desta quarta, os alvinegros chegam a 16 partidas consecutivas de invencibilidade na Libertadores. E, ao menos por esta mostra, têm boas chances de quebrarem o recorde histórico de 17 jogos, registrado pelo Sporting Cristal na década de 1960.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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