América do Sul

Em busca do orgulho perdido

Em meados do século passado não tinha pra ninguém na América do Sul. De 1960, com a conquista da Taça Libertadores, até 1966, com os títulos do Mundial Interclubes e outra Libertadores, o Peñarol mandava no continente e causava terror nos adversários daqui e da Europa. Após uma queda de desempenho, em 82 e 87 os uruguaios ainda comemoraram mais duas Libertadores e outro Mundial, em uma volta triunfal, se tornando o terceiro maior vencedor da história do torneio.

Pelas cinco Libertadores e três Copas Intercontinentais o Peñarol foi eleito como melhor equipe sul-americana do século pelo sempre controverso IFFHS. De 87 pra cá no entanto, glórias apenas dentro do território uruguaio e poucas diga-se de passagem – somente duas de 2001 a 2010.

Fabián Carini sempre foi um prodígio. Em 1997 estreou no Danúbio e foi titular da seleção uruguaia sub-17, vice-campeã Mundial. Em 1999 foi eleito o melhor goleiro do Mundial Sub-20, sendo contratado no ano seguinte para a poderosa Juventus. Não teve muitas chances na Itália, mas seguiu prestigiado, passando por Standard Liege e Inter de Milão e sendo camisa 1 absoluto da seleção uruguaia de 1999 a 2002. Na temporada 2007-08 foi para o Real Múrcia, de onde foi dispensado. Em 2009 assinou com o Atlético-MG e não correspondeu às expectativas, tendo seu contrato rescindido na metade de 2010.

Quis o destino que esses dois “personagens” se reunissem em 2011. Nesta semana o Peñarol apresentou Fabián Carini para a temporada desse ano, que contará com a participação do clube aurinegro no Clausura e na Copa Libertadores da América. Nas duas competições o Peñarol é azarão, uma vez que terminou o Apertura somente na 6ª posição, foi eliminado em casa pelo Goiás na Sul-Americana e caiu em um dos grupos da morte da Libertadores, ao lado da LDU, do vencedor do jogo entre Independiente e Deportivo Quito, e do Godoy Cruz, sensação argentina.

Tal qual seu novo time, Carini também chega desacreditado, tendo que brigar por posição com Sebastián Sosa, goleiro titular dos aurinegros no último ano. Além de lutar por uma vaga na equipe titular do Peñarol, Fabián disse que ainda sonha com uma vaga na seleção uruguaia que poderá disputar a Copa de 2014. Caso os uruguaios se classifiquem e seja chamado, Carini terá 35 anos em 2014.

Sonho também é a palavra de ordem para o Peñarol, que além de Carini trouxe até aqui mais quatro jogadores, o lateral esquerdo Jhonny Peralta, 22 anos, o volante Nicolás Freitas, 23 anos, o meia Cepellini, 19 anos, e o atacante Federico Rodríguez, também 19.

Todos jovens, todos apostas do clube, que não tem e provavelmente não terá elenco para faturar um troféu no ano que começa agora. Assim, resta aos aurinegros acreditarem em uma improvável retomada das glórias do passado, ou ao menos resgatar um pouco o orgulho daquele time campeão e temido no passado. Carini terá a chance de fazer o mesmo.

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Equipe Trivela

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