América do Sul

El Tolo Colo

“Quem é Paulo Henrique Ganso?”. Em sentido literal foi o que Américo Rubén Gallego, técnico do Colo Colo, declarou quando disse não conhecer o futebol do brasileiro. Ao tom de censura e revolta que se seguiu por parte de todos que conhecem e elogiam – com justiça – o futebol do santista, no entanto, não foi feita – pelo menos não com o interesse devido – a réplica: “Quem é Américo Gallego?”.

Pois é, sobre o irresponsável e polêmico técnico argentino Américo Rubén “Tolo” Gallego pode-se dizer agora que, além de ter sido campeão mundial em 1978, é o principal responsável pelo Colo Colo quebrar um tabu de 14 anos sem vencer equipes brasileiras na Libertadores. Mais que isso, é o nome por trás da reafirmação do Cacique após uma temporada 2010 e início da 2011 dignas de esquecimento. Como da água pro vinho, a equipe chilena deixou de lado a passividade, a insegurança e a inconsistência dos tempos do ex-treinador Diego Cagna e passou a ser aguerrida, pragmática e com um ótimo psicológico. Isso tudo em menos de 20 dias.

Basta lembrar que no dia 17 de fevereiro o Colo Colo, comandado então pelos interinos Hugo González e Luís Pérez, havia acabado de perder por humilhantes 5 a 2 para o Cerro Porteño e ocupava a lanterna do campeonato chileno. Desde que Gallego assumiu a equipe, no dia 1º de março, foram quatro jogos e quatro vitórias, resultados que deram à equipe a liderança do grupo 5 da Libertadores e uma recuperação no campeonato nacional, no qual agora ocupa a 12ª posição, com um jogo a menos que os adversários.

Será que um treinador novo é capaz de promover tanta mudança assim? Por ora, parece que sim. E os próprios jogadores acham isso. Em entrevista após a vitória contra o Santos, na última quarta-feira, Esteban Paredes afirmou: “Antes tomávamos um gol e ficávamos abatidos, agora é o contrário. Nos propusemos a seguir lutando e o fizemos até virar a partida”.

A vitória contra o Peixe, aliás, foi revigorante, pois a equipe aliou o estilo objetivo com um futebol ofensivo. No entanto, nas outras partidas realizadas até aqui o Colo Colo foi bem menos vistoso e muito mais pragmático, ainda que vencedor. Por esse jeito “controverso” o clube tem sido chamado de “Tolo Tolo”, dado o histórico defensivo de Gallego, campeão dessa maneira com River Plate, Independiente, Newell's Old Boys e Toluca.

Atuando em um 4-4-1-1, o novo Colo Colo procura sempre fazer a bola chegar a Miralles ou Paredes, que iniciam as jogadas ofensivas da equipe. Paredes atua na posição de enganche e, ao lado de Jorquera, aberto pela esquerda, tem a missão de subir ao ataque e jogar com o centroavante Miralles, um “autêntico” falso nove, que fica na área nos cruzamentos, mas que recua para fazer tabelas e colocar os companheiros em boas condições.

Quando precisa, o Colo Colo valoriza a posse de bola e usa e abusa dos cruzamentos, como ficou provado contra o Santos. Sem a bola, nove jogadores dão combate no campo defensivo e buscam a transição rápida para o ataque naquela que parece ser a sua principal vocação de ataque. Em vantagem, a equipe se resguarda totalmente, colocando quase todo o time da intermediária pra trás e se safando como pode, inclusive com faltas. Esse estilo, vitorioso e pouco charmoso, já rendeu críticas a Tolo, mas o fato é que o “ganhar a todo custo” tem agradado aos torcedores do Colo Colo, que há tempos não viam uma equipe com tanto brio.

E é assim, com esse misto de Muricybol e motivação a la Felipão em seus mais áureos períodos que o Cacique entra em uma nova era. Provavelmente não será o suficiente para tirar o clube do jejum de 19 anos sem um título continental, mas resgata a autoconfiança da equipe e a recoloca no caminho da briga por novas conquistas.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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