América do Sul

Diabos no inferno

Começar de novo, praticamente do zero. Um recomeço na mais significativa acepção do termo. É com essa ideia em mente que o América de Cali inicia sua jornada pela segunda divisão colombiana após 84 anos de muitas glórias e quase-glórias na elite. Treze vezes campeão nacional, quatro vezes vice-campeão da Libertadores, os Diablos Rojos se veem no maior abismo de sua história depois de acumularem resultados terríveis nas últimas três temporadas. Em 2011 o desempenho cobrou seu preço. A equipe de Cali ficou em penúltimo lugar na tabela de rebaixamento e ainda foi derrotada no jogo contra o vice-campeão da segundona, o Patriotas, em uma espécie de última chance para ficar na elite.

Explicar como o clube chegou a esta situação não é tão difícil quanto parece. A velha equação falta de dinheiro mais erros de administração uma vez mais deu o tom. Financiado pelo dinheiro do narcotráfico colombiano nos anos 80, o América formou o melhor time do país e venceu o campeonato nacional cinco vezes seguidas de 1982 a 1986, conseguindo também os vices da Libertadores em 85, 86 e 87. Em 90 e 92 os Diablos Rojos faturaram mais dois títulos colombianos e continuaram somando bons resultados nos anos seguintes, tanto em nível nacional quanto continental. Em 1996 o time de Cali conseguiu mais um vice da Libertadores e em 1997 conquistou outro troféu do campeonato colombiano.

A entrada nos anos 2000, contudo, representa o início de um processo longo de deterioração do clube. Apesar do tricampeonato consecutivo em 2000, 2001 e 2002, os Diablos Rojos começaram a enfrentar problemas financeiros na segunda metade da década, decorrentes da promulgação da Lista Clinton, em 1995. A determinação do governo dos Estados Unidos visando ao combate do tráfico de drogas listou uma série de entidades e pessoas que tinham ligações com o cartel de Cali, incluindo os irmãos Miguel Rodríguez Orejuela e Gilberto Rodríguez Orejuela, que funcionavam praticamente como mecenas do América e que a partir dali não tinham mais trânsito livre para aplicar dinheiro na agremiação.

Sem recursos, com sérios problemas administrativos – em razão do bloqueio de contas bancárias que eram usadas para o manejo do dinheiro – e sem promover mudanças significativas em seu modo de gestão, o América poderoso de outrora começou a minguar de vez. Ainda assim o clube conseguiu um respiro ao vencer o campeonato colombiano em 2008 com um time que tinha, entre outros, Pablo Armero e Adrián Ramos.

A partir dali o clube entrou em uma espiral descendente. Em 2009 terminou a tabela geral na última posição, com 37 pontos em 36 jogos e devendo salários de cinco meses a seus jogadores. Em 2010 os Diablos Rojos ficaram na 15ª posição com 41 pontos em 36 jogos. Em 2011 a conta veio. Depois de quase conseguir a classificação para os playoffs no Apertura, o América se reforçou, em um quase desespero, com “jogadores do passado” como o goleiro Viáfara, ex-Vitória, e o lateral Bustos, ex-Internacional, mas não conseguiu melhor sorte. Terminando em 12º na tabela geral, teve que disputar o playoff de promoção com o Patriotas e, depois de empatar dois jogos por 1 a 1, foi derrotado nos pênaltis.

Depois da tragédia, o desespero da torcida foi dando lugar a discretas novas esperanças nas últimas semanas. Para ser o líder em meio ao inferno pelo qual os diabos passarão, o escolhido foi Eduardo Lara, técnico com vasta experiência nas seleções de base do país e visto com grande prestígio na Colômbia. Em linha com a nova realidade do clube e com sua própria história como treinador, Lara trouxe diversos nomes jovens e conhecidos dos tempos de selecionador nacional para tentar reerguer o América.

Entre as novas figuras estão o goleiro Libis Arenas, um dos bons nomes da Colômbia no Sul-Americano Sub-20 de 2005, e com passagem pela Lazio, o meiocampista Steven Mendoza, o zagueiro Luciano Ospina, que jogou o Mundial Sub-20 em 2011, e o lateral-esquerdo Alex Díaz. Eles devem se unir aos experientes Viáfara, Bustos e Villareal e a outros jovens como Jaime Córdoba, Paulo César Arango, Julio César Ortiz e Diego Vergara na luta pela recuperação do maior campeão da Colômbia.

Normalmente se esperaria uma equipe mais equilibrada para passar pelas amarguras da segunda divisão, sobretudo em se tratando de um clube tão tradicional. No entanto a aposta da direção do América de Cali é em um time para o futuro e vai ao encontro do perfil do técnico contratado. Trabalhar com os garotos é o que Lara melhor sabe fazer. Montar um time novo, com custos menores e capaz de entregar o que dele se pede é o que o América precisa. Um novo tempo… Uma ressurreição. Longe do dinheiro do narcotráfico e longe das decepções recentes. Quem sabe comece assim o recomeço.

Curtas

Mais colombianas

– Quem também abriu os cofres e comprou de batelada foi o Atletico Nacional. Os verdolagas fecharam nesta semana a contratação do meia Macnelly Torres, que havia jogado o Apertura 2011 pelo próprio clube por empréstimo e que estava no San Luis, do México. O camisa 10 se une a outros 13 recém-contratados: Oscar Murillo, Alexis Henríquez, Farid Díaz, Juan David Valencia, Alejandro Bernal, Elkin Calle, John Valoy, Alexander Mejía, Jherson Córdoba, Juan Fernando Quintero, Luis Fernando Mosquera, Wílder Guisao e Johan Fano.
– O campeonato colombiano da primeira divisão e segunda divisão começam dia 29 de janeiro com o torneio Apertura.

Chilenas

– Ainda sobre contratações, o técnico do Colo Colo, Ivo Basay, saiu em defesa dos jogadores trazidos pela diretoria para a temporada 2012. Questionado se ele havia pedido as contratações de Mathías Vidangossy, Gonzalo Fierro, Horacio Cardozo, Miguel Angel González e Leandro Delgado, Basay foi enfático ao afirmar que se tratam de jogadores indicados por ele.

– Já a Universidad Católica perdeu o meia Mirosevic, 31 anos, para o Columbus Crew, dos Estados Unidos. Em compensação, o clube anunciou a contratação do atacante Nicólas Trecco, de 23 anos e que estava no Cobreloa.

– E falando em Cobreloa, a associação de futebol chilena definiu que o clube ocupará uma das vagas do país na Sul-Americana deste ano. A equipe foi vice do Clausura 2011. A Universidad de Chile também já tem vaga assegurada. As outras duas serão definidas por meio da classificação no Apertura 2012.

– O Apertura 2012 deve ter bola rolando no dia 28 de janeiro

Venezuelanas

Já na Venezuela o Apertura desta temporada começa neste fim de semana.

Uruguaias

No Uruguai os torcedores do Nacional estão animados com a possibilidade do retorno de Richard Porta. O atacante de 28 anos, que esteve no Bolso até outubro de 2011, está jogando no Al Wasl dos Emirados Árabes Unidos, mas já disse que quer voltar ao clube de Montevidéu.

Paraguaias

– Por outro lado, o Nacional do Uruguai perdeu o goleiro Rodrigo Muñoz para o Libertad, do Paraguai. Ele chega para substituir o arqueiro Medina, que apesar de se aproveitar do bom sistema defensivo de seu time, está em um nível bem abaixo do exigido pelos gumarelos.

– A bola rola no Paraguai no dia 5 de fevereiro.
Equatorianas

O Apertura do Equador também começa no dia 5 de fevereiro.

Peruanas

Em território peruano o campeonato nacional começa no dia 19 de fevereiro.

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Equipe Trivela

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