América do Sul

Depois de uma grande arrancada, o Olimpia celebrou a conquista do Clausura Paraguaio

O Clausura foi bastante equilibrado durante boa parte da competição, até o Olimpia emendar nove vitórias e tomar a ponta na reta decisiva

O final de semana seria de comemoração para o Olimpia. O maior campeão do Campeonato Paraguaio voltou a botar a mão na taça, com o título do Clausura 2022. Seria uma corrida parelha durante grande parte da competição, mas os franjeados se desgarraram com uma sequência recente de nove vitórias. Mesmo que o troféu só tenha sido definido na rodada final, com a perseguição do Cerro Porteño, só uma hecatombe derrubaria o Rey de Copas. E não aconteceu, bastando um empate por 1 a 1 contra o Nacional para a torcida soltar o grito no Defensores del Chaco.

O Olimpia atravessou um final de década dominante nos anos 2010, com cinco títulos num intervalo de seis campeonatos, entre o Apertura 2018 e o Clausura 2020. Mais recentemente, porém, os franjeados perderam espaço para o Libertad e para o Cerro Porteño. O Apertura de 2022 ficou nas mãos do Libertad, numa campanha avassaladora. Os olimpistas terminaram o torneio 14 pontos atrás dos campeões, mas deram a volta por cima neste Clausura também graças à queda de rendimento do Gumarelo.

O Clausura seria bastante equilibrado. Tanto é que, durante grande parte da competição, quatro times pareciam capazes de levar a taça: Olimpia, Libertad, Cerro Porteño e Nacional. Os olimpistas sequer davam tantas mostras de consistência, com tropeços que fizeram o time permanecer na maior parte do tempo entre o terceiro e o quarto lugar. A guinada aconteceu mesmo no segundo turno. Depois da derrota para o Guaraní na primeira rodada do returno, o Rey de Copas iniciou uma série de nove vitórias. Libertad e Cerro foram vítimas dessa arrancada.

O Nacional ainda tentava resistir na liderança, mas o Olimpia estava impossível e assumiu a dianteira faltando três rodadas para o final. Os tricolores derreteram na reta decisiva, num momento em que também perderam a final da Copa Paraguai. Algoz na decisão, o Sportivo Ameliano também encerrou as chances de título do Nacional na penúltima rodada, com uma vitória por 2 a 0. Assim, o que poderia ser um confronto explosivo entre Olimpia x Nacional na última rodada não tinha o mesmo peso. Três pontos à frente do Cerro Porteño, o único concorrente ainda vivo, o Rey de Copas só precisava de um empate para ser campeão e evitar o jogo extra.

O Cerro até fez sua parte ao vencer o Guaireña por 3 a 1. Porém, o Olimpia não deu margem ao azar e foi campeão com o empate por 1 a 1 diante do Nacional. Havia um ambiente fantástico no Estádio Defensores del Chaco. Os tricolores até saíram em vantagem com David Fleitas, mas Brian Montenegro buscou a igualdade a 15 minutos do fim. Com isso, o Rey de Copas fechou o Clausura com 49 pontos, um a mais que o Cerro. O destaque ficou para a produtividade do ataque, de longe o melhor do torneio, com 42 gols marcados.

O protagonista do Olimpia na campanha foi Derlis González. O atacante vestiu a 10 e a faixa, autor de 12 gols no campeonato. Outros nomes rodados que deram suas contribuições foram o meia Alejandro Silva, o volante Richard Ortíz, o lateral Iván Torres e o centroavante Brian Montenegro. Já entre os mais jovens, o lateral/zagueiro Mateo Gamarra e o volante Marcos Gómez se tornaram revelações. No banco de reservas, quem se consagra é Julio César Cáceres. Zagueiro histórico do próprio Olimpia campeão da Libertadores em 2002, o agora técnico faturou a Copa Paraguai em 2021 e pela primeira vez conquista um dos torneios curtos do Campeonato Paraguaio. Apostou bastante na base, com 15 pratas da casa promovidos ao longo da temporada.

O Olimpia sobra como maior campeão paraguaio. São 46 títulos, 12 a mais que o Cerro Porteño e 24 a mais que o Libertad. O Rey de Copas também se confirma na fase de grupos da Libertadores de 2023. Os franjeados estarão nessa etapa ao lado do Libertad. Cerro Porteño e Nacional disputarão as preliminares da competição continental – ambos classificados também pela liga, já que a copa nacional só dá vaga na Sul-Americana.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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