América do Sul

De fora da festa

Sexta-feira que vem começa a Copa América, grande teste para o início de trabalho das seleções visando a Copa de 2014. Enquanto a competente equipe da Trivela vai analisar seleção por seleção, trazendo informações de todos os convocados, pontos fortes, fracos, técnicos e histórico na competição, nós que acompanhamos o futebol na América do Sul daremos nossa contribuição de outra maneira: com dados de quem não irá ao torneio. E a seleção dos ausentes daria um time e tanto.

A começar pela dona da casa Argentina, que normalmente não faz parte do nosso espectro de assuntos, mas que nessa coluna merecerá uma atenção especial ao lado do Brasil. Já na camisa 1 a albiceleste estará sem Oscar Ustari, que provavelmente seria titular, mas se lesionou no início do mês e acabou substituído por Andújar. Na zaga, Samuel, Demichellis e Otamendi poderiam ser opções, mas o primeiro, lesionado, e o segundo e o terceiro, por opção, não disputarão o torneio continental. Outro ausente é Máxi Rodríguez, que poderia emprestar sua versatilidade à equipe, mas pela má fase foi deixado de fora.

No principal rival Brasil, a ausência mais sentida sem sombra de dúvida é a do lateral esquerdo Marcelo. Com André Santos e Adriano longe de convencerem a torcida brasileira e o jogador do Real voando em uma das principais ligas da Europa, o Brasil sem sombra de dúvida vai enfraquecido no setor. O motivo é uma história bastante mal contada envolvendo Marcelo e Mano Menezes. O treinador dá a entender que o lateral fez corpo mole ao alegar lesão e não jogar pela equipe inicial, tendo logo depois defendido os blancos. Além dele, Hernanes e Hulk são dois nomes que poderão fazer falta à seleção brasileira na busca por mais um título.

Terceiro na ordem de favoritismo à conquista, o renovado e fortalecido Uruguai vem com quase tudo o que tem de melhor para a Copa América. Dos que estavam nos planos de Oscar Tabárez, no entanto, o zagueiro Diego Godín provavelmente não disputará o torneio devido a uma lesão. Para seu lugar foi chamado Sebastián Coates, um dos principais zagueiros do Campeonato Uruguaio. Qualquer um dos dois que sobrar será um desfalque grande. Por opção, contudo, Tabárez deixou de fora o goleiro do Peñarol, Martin Sosa. Em que se pese a falha na final da Libertadores contra o Santos, o arqueiro poderia ganhar a vaga de Muslera e certamente tem mais competência do que Castillo, reserva imediato. Tabaré Viudez também é outro que poderia ter sido chamado, mas não foi.

Nas forças coadjuvantes, o Chile também terá a maior parte dos jogadores que estavam nos planos do novo treinador Claudio Borghi. A ausência de mais relevo é Mark González, que está machucado. No entanto, com boas opções pelos lados do campo, o atleta do CSKA não deverá fazer tanta falta assim. Quem poderia dar um toque de qualidade a mais à equipe e que não está nos convocados é o volante David Pizarro, da Roma, mas ele está ausente de convocações por opção própria desde 2005. Outro não-lembrado é o meia Cristobal Jorquera, que fez um bom Clausura e parte da Libertadores pelo Colo Colo.

No elenco paraguaio, a grande ausência é Oscar Cardozo. O atacante do Benfica foi deixado de lado pelo técnico Gerardo Martino, que preferiu investir em Pablo Zeballos, do Olímpia, e no novato Federico Santander, de apenas 20 anos. Já o experiente goleiro Aldo Bobadilla ou o mais novo Tobiás Vargas, do Libertad, poderiam ter um lugar entre os três arqueiros após a péssima fase demonstrada por Diego Barreto, principalmente no jogo contra o Santos.

Na Colômbia, apesar do bom nível da dupla Radamel Falcão e Dayro Moreno, não há como não pensar que Wason Rentería poderia dar uma ajuda ao grupo com sua inteligência dentro de campo e faro de gol apurado. O mesmo pode ser dito de Macnelly Torres, que mesmo não sendo tudo aquilo que se esperava dele, ainda tem qualidade o bastante para se sobressair na meia cancha, tendo inclusive feito um bom campeonato pelo campeão Atletico Nacional. Giovanni Moreno também poderia servir a este fim, mas se machucou e ficou fora.

Entre os convocados do Equador há pouco o que lamentar ou argumentar. Tendo uma vez mais o time da LDU como base e Antonio Valencia como grande estrela, La Tri poderia talvez apenas aproveitar o talento do jovem volante Gaibor, 21 anos, um dos destaques no Sul-Americano Sub-20 e na campanha do campeão Emelec. Joffre Guerrón, grande esperança de outros tempos, foi esquecido com razão.

Nenhuma seleção, porém, vai mais desfalcada para a disputa em solo argentino do que a peruana. As esperanças de recomeço com o trabalho de Sergio “El Mago” Markarián parecem ter ido pro ralo antes da hora depois que o centroavante Claudio Pizarro foi cortado e o lateral/volante Juan Manuel Vargas se machucou. Os dois eram os alicerces da equipe peruana. Embora Vargas ainda possa aparecer, há dúvidas sobre sua condição física. Se ele não jogar, os peruanos terão que se contentar com Farfán contra “a rapa”.

Em relação aos bolivianos o maior desfalque é a falta de talento, que poderia ser dada à equipe caso o habilidoso meia Miguel Loayza, que fez um ótimo campeonato nacional pelo Real Potosí, fosse convocado. O mesmo se aplica a Samuel Galindo, prodígio do país que pertence ao Arsenal e que, mesmo aos 19 anos, poderia dar um toque de qualidade à equipe dirigida por Gustavo Quinteros. Quem também poderia ser chamado, mas mais pelo mito do que qualquer coisa, é o atacante Joaquín Botero, autor de três gols no famigerado 6 a 1 sobre a Argentina nas últimas Eliminatórias.

Na seleção da Venezuela nenhum desfalque de peso; os melhores jogadores do país estarão na Argentina, casos do atacante Maldonado e do meia Arango. Uma adição, no entanto, poderia ser feita para o gol, uma vez que Manuel Sanhouse fez boas apresentações com o Deportivo Táchira na Copa Libertadores. Outro jogador que poderia auxiliar, mas lá na frente, é o atacante Juan Vélez, artilheiro do Clausura pelo Zamora.

Os “intrusos” México e Costa Rica mandarão equipes quase sub-23 para o torneio, mas isso não significa que não faltou gente nos dois times. No México a ausência mais gritante é Carlos Vela. Fora do time principal que disputa a Copa Ouro, Vela poderia estar com a equipe que vai à Copa América, mas o Arsenal barrou. A alegação é de que o clube não tem obrigação de liberar o atleta para um campeonato que não é da Concacaf. Já na Costa Rica, a maior parte do time é formada pelos garotos que fizeram bonito no Mundial Sub-20 2009, inclusive por alguns que foram à Copa Ouro. Um não sub-22, no entanto, poderia fazer bem à equipe. Poderia ser o caso de Bryan Ruiz, atacante de 26 anos e que joga no Twente da Holanda. Após a eliminação na Copa Ouro, ele com certeza poderia pintar na Copa América.

Bonde do desfalque

Um time só com as ausências da Copa América, e equilibrando os “convocados” entre as seleções poderia ser: Sanhouse (Venezuela); Otamendi (Argentina), Godín (Uruguai), Samuel (Argentina) e Marcelo (Brasil); Gaibor (Equador), Juan Vargas (Peru), Miguel Loayza (Bolívia) e Macnelly Torres (Colômbia); Cardozo (Paraguai) e Pizarro (Peru)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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