América do Sul

Culpa deles também

Planejamento, continuidade, coerência e – mais recentemente – Barcelona. Atualmente são estas as palavras-chave de uma “administração bem sucedida” no futebol. Na maioria das vezes, porém, a busca por esses conceitos fica apenas na promessa. Em outras tantas os critérios são reduzidos à permanência ou não de um técnico. Esquece-se o conjunto de decisões e investimentos que fazem um clube vencedor.  Peñarol, Colo-Colo e Universidad Católica vivem/viveram este momento. Sem bons resultados dentro de campo há quase um ano – no caso do Colo Colo já passa de um ano e meio – três dos mais tradicionais times da América do Sul sofrem com a indecisão sobre a continuidade ou não de seus treinadores em meio a um cenário de elencos enfraquecidos e cobranças exacerbadas. No caso dos uruguaios a definição veio nesta semana.

Depois da derrota carbonera por 4 a 0 em casa para o Atlético Nacional pela Libertadores, a diretoria do Peñarol veio a público – em uma cena patética e bastante conhecida – garantir total apoio ao treinador Gregório Pérez. Alguns dias depois, porém, os diretores confirmaram o que todos já sabiam: a demissão do técnico. Evidentemente que a goleada em casa foi determinante, mas a verdade é que Gregório vinha mal das pernas há algum tempo. Mais especificamente desde a rodada 10 do Apertura, disputado no segundo semestre do ano passado. Ali os aurinegros iniciaram uma série de três derrotas seguidas e deram adeus a um título quase ganho.

O ano de 2012 trouxe a promessa de um futebol melhor, mesmo com Zalayeta sendo a estrela da companhia e com apenas uma contratação razoável: a do atacante Rodrigo Mora. Não foi o que aconteceu. Depois de um 4 a 0 inapelável e obrigatório contra o Caracas em casa pela primeira fase da Libertadores, o Peñarol empatou com os venezuelanos no jogo de volta e emendou duas derrotas no torneio continental: 1 a 0 fora contra o Godoy Cruz e o já referido 4 a 0 em casa para o Atlético Nacional. Além dos resultados, a forma apática da equipe desagradou os dirigentes, que decidiram encerrar a quinta passagem de Gregório Pérez pelo clube. Foram 16 jogos e aproveitamento de 56%, com oito vitórias, três empates e cinco derrotas. Nesta quinta-feira Jorge “Polilla” da Silva, ex-Banfield, foi anunciado como novo comandante carbonero.

A Universidad Católica, por sua vez, ainda insiste com o técnico Mario Lepe. Contratado no final de junho de 2011, Lepe levou La UC ao título da Copa do Chile e às semifinais do Clausura 2011, depois de encerrar a fase de pontos corridos na quinta posição. Durante seu comando a Católica também foi eliminada nas oitavas de final da Copa Sul-Americana pelo Vélez. Em 2012 o clube começa do mesmo jeito que terminou o ano passado: com um elenco razoável – sem destaques – e desempenhos irregulares. Na Libertadores os cruzados empataram os dois jogos dentro de casa, com o Bolívar por 1 a 1 e com o Junior de Barranquilla por 2 a 2, depois de estarem vencendo este último por 2 a 0.

A falta de concentração nas partidas já virou alvo da irritação de Lepe, que, como não poderia deixar de ser, é alvo da fúria dos torcedores e da desconfiança de diretores. Sob seu comando a Universidad Católica disputou  44 jogos e tem 57% de aproveitamento, com 21 vitórias, 13 empates e dez derrotas. O problema é que o time não é confiável, sendo capaz de acabar com a invencibilidade da Universidad de Chile em um jogo e tomar um empate em poucos minutos do segundo tempo de um jogo de Libertadores.

Já o Colo-Colo tenta encerrar uma maré de resultados ruins que acompanha o clube desde o final de 2010. De lá pra cá Diego Cagna, que pregava um futebol fluido e de toque de bola, deixou o clube para dar lugar a um pragmático Américo Gallego que, por sua vez, foi demitido para a chegada de Ivo Basay, de carreira ascendente como treinador, mas que tem no Cacique sua primeira grande experiência. O desempenho até agora, porém, não é bom como se esperava. De setembro de 2011 até o último fim de semana foram 26 jogos e 51% de aproveitamento, com 11 vitórias, sete derrotas e oito empates.

Neste ano a equipe continua a oscilar e nem mesmo a antes bem sucedida estratégia de apostar todas as fichas no atacante Esteban Paredes está mais funcionando. O Colo-Colo até se reforçou bem, trazendo nomes como Gonzalo Fierro e Mathías Vidangossy, mas mesmo assim ainda tem um elenco aquém de um clube que aspirava ganhar tudo para retornar aos dias de glória e à Taça Libertadores. Com razão ou sem razão, muitos querem a cabeça de Ivo Basay, considerado um treinador fraco para dirigir um dos maiores clubes do Chile.

Imputar aos treinadores a total responsabilidade pelos fracassos dos últimos tempos é uma injustiça. Bem como absolvê-los… A verdade é que muito se espera de Peñarol, Universidad Católica e Colo-Colo, sobretudo em plano nacional. São clubes que sempre estão no topo e que tem muito mais recursos e tradição do que seus companheiros de liga. Desta forma a demanda pelo predomínio no futebol local é justificada. O problema é tentar alcançar este status com um planejamento mambembe em que a montagem do elenco é esquecida e a permanência do treinador torna-se, por si só, uma tentativa de atestar competência e coerência. Que ninguém se engane: não há treinador capaz de fazer milagres. Porém, existem sim os que são capazes de tirar o máximo de seus comandados. Não parecem ser os casos de Lepe, Basay e Gregório.

Amistosos tuitados

Uruguai 1×1 Romênia: Um gol no início e pouca criação no restante do jogo. Foi este o Uruguai, que ainda se recente de um jogador mais habilidoso para dosar a correria e entrega do resto do time.

Venezuela 0x5 Espanha: A Venezuela bem que tentou jogar seu “novo” futebol, com toque de bola e procura da posse. A Espanha, porém, é um adversário em um nível muito superior. Valeu pelo teste e desafio.

Chile 1×1 Gana: Os chilenos até jogaram bem na primeira etapa, mas viraram o tempo perdendo por 1 a 0 em uma das poucas chegadas de Gana. No segundo tempo Mathias Fernandéz, de pênalti, empatou. Foi só.

Equador 2×0 Honduras: Num jogo com vitória obrigatória, Ayoví marcou os dois tentos equatorianos.

Bolívia 1×0 Cuba: Era a Bolívia principal contra um selecionado sub-23 de Cuba (único time que encaixou no baixo orçamento da Bolívia). Mesmo assim foi só 1 a 0 para La Verde. Valeu para apagar a incômoda marca de 15 partidas sem vitória do selecionado de Gustavo Quinteros. O técnico, porém, segue pressionado.

Paraguai 1×0 Panamá: Jogando com um a menos desde os 17 do primeiro tempo, o Paraguai soube aproveitar seus talentos e vencer o jogo a dois minutos do final. Arce vai dando cara ao time, mas seus comandados ainda precisam passar por testes mais eficientes.

Peru 1×1 Tunísia: Peru e Tunísia jogaram de igual para igual, com leve vantagem para os tunisianos. No final das contas, a bola parada voltou a salvar os peruanos. Pizarro, de pênalti, empatou o jogo.

Colômbia 2×0 México: A estreia de José Pékerman não poderia ser melhor. Com duas linhas de quatro e muita pressão no campo do adversário, a Colômbia venceu o México com autoridade. Falcao e Cuadrado fizeram os gols.

Mais uruguaias

Ainda com técnico interino o Peñarol bateu o Bella Vista por 4 a 0 e assumiu a liderança do Clausura 2012, com seis pontos em dois jogos. Quem também tem 100% de aproveitamento é o Liverpool, que venceu o River Plate por 3 a 1. O Nacional empatou em 2 a 2 com o Defensor Sporting e é o sexto.

Mais chilenas

Com cinco rodadas completas o Apertura do Chile tem O'Higgins, Cobreloa e Universidad de Chile na ponta, com dez pontos. O O'Higgins venceu a própria La U por 3 a 0, mas os azules tinham um jogo por fazer contra o Cobreloa, vencido por 4 a 1. O Colo-Colo perdeu por 2 a 1 para a Universidad de Concepción e é o sexto colocado. Já a Universidad Católica empatou em 2 a 2 com a Unión Española e ocupa a sétima posição.

Peruanas

– Segue o impasse acerca das dívidas dos clubes peruanos. Nos últimos dias o imbróglio tem sido direcionado para soluções individuais dos clubes com os jogadores. Nada de todos pagarem, nem de todos receberem. Por ora o que há de concreto é a promessa do presidente da Federação, Manuel Burga, que nem Alianza Lima e nem Universitario de Deportes sofrerão sanções esportivas. Há um boato de que Burga estaria tentando convencer a Universidad San Martín a voltar às atividades futebolísticas.

– Em meio a toda a confusão a rodada de número dois do Descentralizado 2012 deve ser realizada neste final de semana.

– Também em meio ao tumulto por falta de pagamentos o meia do Alianza Lima, Johnnier Montaño, anunciou que havia conseguido se desvincular do clube. A direção, no entanto, diz que ele entrará em campo pela Libertadores para jogar contra o Vasco.

Colombianas

– O “fenômeno” Atlético Nacional tropeçou no Tolima, perdeu por 1 a 0 e baixou um pouco a bola em meio à empolgação generalizada com o futebol do verdolaga. Com isso quem lidera o Apertura da Colômbia de forma isolada é o Itagüí, que fez 1 a 0 no Deportivo Cali fora de casa e que agora tem 11 pontos em cinco jogos. Na sequência aparecem Atlético Huila, que venceu o Independiente Medellín por 1 a 0, os próprios Tolima e Atlético Nacional, e o Envigado, que venceu o Junior por 2 a 1.

– Patriotas, Deportivo Pasto e La Equidad completam os que hoje estariam classificados para os playoffs.

Equatorianas

– No Equador, LDU e Emelec seguem na ponta. Os albos empataram com o Deportivo Quito, no clássico da cidade, por 1 a 1, enquanto os eléctricos ficaram no 0 a 0 com o Manta. Os dois times tem sete pontos em três rodadas. Em terceiro lugar aparece o Independiente José Terán, que fez 3 a 0 no El Nacional.

– O Barcelona empatou em 0 a 0 com a Liga de Loja e é o quinto colocado.

Paraguaias

– Sol de América, Nacional e Cerro Porteño dividem a liderança do Apertura do Paraguai com nove pontos em quatro jogos. O Sol de América perdeu justamente para o Nacional por 2 a 1, e, mesmo sem a manutenção de sua invencibilidade, ainda é o primeiro. Já o Cerro Porteño fez 4 a 1 fora de casa no Independiente. O Olimpia bateu o Rubio Ñu longe de seus domínios por 3 a 2 e agora é o quarto colocado.

Venezuelanas

O Deportivo Lara parou no Aragua e empatou por 1 a 1, mas ainda mantém a liderança do Clausura, com 14 pontos em seis jogos. Em segundo lugar aparece o Zamora, que fez 3 a 1 no Trujillanos e que agora tem 12 pontos, mas em sete jogos. Em terceiro lugar aparece o Caracas, que fez 2 a 1 no Carabobo e que agora tem 11 pontos, também em seis jogos. O Deportivo Táchira ficou no 0 a 0 com o Atlético El Vigía e é o décimo colocado.
Bolivianas

Na Bolívia o Blooming fez 2 a 0 em cima  do Nacional Potosí e lidera o Clausura com 13 pontos em seis jogos. Na sequência aparece o próprio Nacional, também com 13 pontos, mas com menos gols marcados. O Real Mamoré é o terceiro, com 11 pontos em cinco jogos após vitória sobre o Guabirá. O Bolívar está em quarto, com nove pontos, e o The Strongest é o sexto, com sete pontos.

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Equipe Trivela

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