América do Sul

Chamuscados

No dia 9 de fevereiro de 2011 a seleção do Uruguai fez história. A vitória por 1 a 0 sobre a Argentina no Sul-Americano Sub-20 garantiu a presença da Celeste nas Olimpíadas de 2012, e encerrou um período de 84 anos de ausência. Mais que isso, o feito consolidou a retomada do futebol da seleção uruguaia, que havia começado com o quarto lugar na Copa do Mundo de 2010 e que teria seu auge na conquista da Copa América de 2011. Os charruás voltaram a acreditar na mística de sua camisa e ansiaram pela chegada dos Jogos Olímpicos, competição em que o Uruguai construiu a sua fama e se consolidou como potência no esporte ao conseguir a medalha de ouro em 1924 e 1928. As Olimpíadas chegaram e o favorito Uruguai já voltou pra casa. Em menos de uma semana o sonho acabou. Ficaram, porém, algumas feridas abertas. Feridas estas que não machucam apenas essa geração, mas o projeto uruguaio visando à Copa do Mundo de 2014.

A começar pelo técnico Óscar Tabárez. Embora ainda seja incontestável por seus feitos de 2006 pra cá, El Maestro não é mais unanimidade entre os torcedores da Celeste e os jornalistas que acompanham o futebol local. A decisão de fazer apenas uma substituição – Lodeiro no lugar de Viudez – com o time perdendo por 1 a 0 e precisando ganhar da Grã Bretanha causou perplexidade. Da mesma maneira, a forma da eliminação do Uruguai gerou muitas críticas. Em nenhum momento a equipe jogou o futebol que dela se esperava. Por isso mesmo a simplória declaração de El Maestro de que “as coisas não funcionaram” foi recebida com muitas ressalvas, principalmente pelo tempo que o Uruguai teve para se preparar.

Vale sempre a lembrança: a maioria dos jogadores da Celeste se reuniu para treinar no dia 19 de junho e permaneceu trabalhando até a viagem para Londres. É bem verdade que Suárez, Cavani, Arévalo e alguns atletas envolvidos na disputa do Campeonato Uruguaio chegaram depois, mas nada justifica a falta de futebol demonstrada pela seleção. O que ficou claro é que, apesar de ter o time em mente, Tabárez não sabia em qual esquema tático deveria encaixar suas peças. Ou então ele acreditou que poderia encaixá-las em várias opções. O Uruguai que começou jogando contra os Emirados Árabes no 3-4-1-2 passou para o 4-3-1-2 no segundo tempo da estreia, para o 4-2-3-1 e 3-4-3 contra Senegal e para o 4-3-3 com momentos de 4-4-2 contra a Grã Bretanha. Tirando alguns brilharecos contra os Emirados Árabes, nada funcionou.

A defesa formada por Coates e Rolín não foi segura. Os laterais Albín, Arias e Aguirregaray foram presas fáceis dos jogadores agudos pelos lados do campo, enquanto Calzada e Torito Rodríguez não foram parceiros à altura de Arévalo Rios na volância. No setor de criação, Gaston Ramírez recebeu e tentou muitos passes, mas não foi efetivo. Em muitos momentos o camisa 10 uruguaio abusou das bolas longas e foi lento na transição defesa-ataque. Lodeiro mostrou a inconstância de sempre, enquanto Suárez e Cavani… Bem…. A dupla merece um parágrafo à parte, já que deixa Londres quase tão chamuscada quanto Tabárez.

Com atletas de qualidade e rodagem em todas as posições, esperava-se que Luis Suárez e Edinson Cavani dessem o extra que transformaria a Celeste sub-23 de boa equipe a candidata à medalha de ouro. Não deram. Seja por estarem no período de “pré-temporada” europeia ou por não se entenderem, o fato é que ambos tiveram desempenho muito abaixo da crítica. Suárez até tentou algumas jogadas, mas, atrapalhado, pouco criou. Cavani, por sua vez, nem isso fez e continua sem ter uma boa sequência de atuações pela seleção. É bem verdade que o crônico problema da criação de jogadas, que acontece também na equipe principal, atrapalhou o desempenho da dupla, mas é nos momentos em que as coisas não funcionam que um time aposta na capacidade de seus craques. Em nenhum momento Suárez e Cavani fizeram algo diferente para furar a retranca dos adversários… Pior: Suárez perdeu uma chance clara de gol contra a Grã Bretanha, enquanto Cavani falhou no segundo gol de Senegal. Assim fica difícil…

De qualquer forma o momento não é de terra arrasada ou caça às bruxas. Diferentemente do Brasil, a medalha de ouro uruguaia era um desejo e não uma obrigação. O time que foi à Londres não é o que vai disputar o restante das Eliminatórias e Copa das Confederações e o Uruguai não deixou de ser um dos favoritos em ambas as disputas. Tabárez também está longe de perder o emprego, enquanto Suárez e Cavani com certeza ainda tem muita coisa para dar à Celeste. O que aconteceu foi uma certa chamuscada em um projeto que até então se mostrava límpido, correto e quase perfeito. Se havia a expectativa de que o time Olímpico daria mais opções para a seleção principal, isso foi por água abaixo. Da mesma maneira, El Maestro ainda vai ter que resolver a pendência do setor de criação… Forlán fica? Ramírez está pronto? Cavani e Suárez são confiáveis? É… Foi uma senhora chamuscada.

Copa Sul-Americana

Mais uma série de jogos da Sul-Americana foram realizados nesta semana. Abaixo os resultados dos times abordados neste espaço:

Deportes Iquique-CHI 2×0 Nacional-URU
Blooming-BOL 1×1 Universidad Católica-CHI
Emelec-EQU 1×0 Universidad San Martín-PER
La Equidad-COL 0x1 Mineros-VEN
Deportes Tolima-COL 3×1 Deportivo Lara-VEN
Deportivo Quito-EQU 1×0 León de Huánuco-PER
Unión Comercio-PER 0x0 Envigado-COL
Monagas-VEN 0x2 LDU Loja-EQU

Mais uruguaias

A federação anunciou que o Apertura 2012 começa no dia 25 de agosto. O primeiro torneio da temporada se chamará Raul Bentancor, em homenagem ao ex-jogador e técnico uruguaio, avô do zagueiro Alejandro Lembo. Já o Clausura levará o nome “100 años del club Defensor”.

Chilenas

– A Universidad de Chile perdeu a decisão da Copa Suruga para o Kashima Antlers, em jogo disputado em território japonês. O torneio reúne anualmente o ganhador da Sul-Americana e da Copa da Liga do Japão. Como vem se tornando costume, La U saiu atrás no marcador: Iwamasa e Renato Cajá fizeram o 2 a 0 para a equipe japonesa. Os chilenos diminuíram ainda na primeira etapa com Iwamasa jogando contra as próprias redes e chegaram ao empate no segundo tempo com um gol de Aránguiz. Nos pênaltis, porém, deu Kashima: 7 a 6. Francisco Castro perdeu a cobrança para La U.

– A semana não foi de todo ruim para os azules. O zagueiro Waldo Ponce se apresentou e começou a treinar. Vale dizer que a Universidad de Chile acabou mudando bastante do semestre passado para cá. O trio de ataque contra o Kashima foi totalmente distinto daquele que disputou a semifinal da Libertadores. Os azules jogaram com Ubilla, Gutiérrez e Civelli. Na Libertadores era: Henríquez, Fernandez e Lorenzetti.

– No campeonato chileno a liderança é do Rangers, que fez 5 a 0 no Deportes Iquique e que chegou a oito pontos em quatro jogos. Em segundo lugar, mas com a mesma pontuação, está o Audax Italiano, que venceu o Santiago Wanderers por 4 a 1. O Cobresal também tem oito pontos, mas está em terceiro, depois de empatar por 1 a 1 com a Universidad de Concepción.

– A Universidad Católica empatou por 2 a 2 com o Deportes Antofagasta e soma agora sete pontos em quatro rodadas, ocupando a sexta posição. O Colo Colo ficou no 1 a 1 com a Unión La Calera e é o sétimo, com cinco pontos.

Equatorianas

– No Equador o Barcelona, campeão do Primera Etapa, segue imbatível também no torneio do segundo semestre. A Equipe de Guayaquil venceu o Deportivo Quito por 1 a 0 no fim de semana e empatou por 1 a 1 com o Manta na quarta-feira. Com os resultados, os Toreros têm dez pontos em quatro jogos. A segunda posição está com a LDU, que bateu o Independiente por 1 a 0 e que chegou a oito pontos. O Manta é o terceiro, com sete pontos, seguido pelo Emelec, que também tem sete.

– O Deportivo Quito é o lanterna da competição, com um ponto em quatro rodadas.

Colombianas

– Começou no último fim de semana o Finalización 2012 da Colômbia. Tivemos apenas um empate: Quindío 0x0 Junior. Desta maneira Itagüí, Millonarios, Boyacá Chicó, Deportivo Cali, Once Caldas, Tolima e Independiente Medellín lideram a competição, com três pontos cada.

– Destaque para a vitória do Millonarios: 2 a 0 no rival Santa Fe, com direito a gol do estreante Wason Rentería, ex-Santos.

Paraguaias

– O Cerro Porteño iniciou o Clausura 2012 tendo a faixa de campeão carimbada. A equipe azulgrana perdeu por 2 a 1 para o Guaraní. Já o rival Olimpia fez 3 a 0 no Rubio Ñu. O jogo marcou a reestreia do técnico Chiqui Arce pela equipe do bairro de Santísima Trinidad, da qual ele havia saído para a seleção paraguaia. Já o Libertad venceu o Nacional por 1 a 0.

– Como esta foi a primeira rodada, lideram a competição: Olimpia, Tacuary, Guaraní, Libertad e Sportivo Luqueño.

Bolivianas

– A semana teve duas rodadas do Apertura da Bolívia: a segunda e a terceira. Vale lembrar: a primeira foi remarcada por conta da greve dos jogadores. Depois de dois jogos o Aurora lidera, com seis pontos. A equipe venceu o clássico de Cochabamba contra o Jorge Wilstermann por 2 a 0 e bateu o Universitario por 2 a 1.

– O segundo lugar é do La Paz, que empatou por 0 a 0 com o Oriente Petrolero e que ganhou do Real Potosí por 3 a 0.

– Os dois grandes do país não estão muito bem das pernas. O The Strongest perdeu do Universitario por 1 a 0 e ganhou do San José por 4 a 1. Já o Bolívar perdeu do Petrolero e do Blooming por 1 a 0.

Peruanas

– O Sporting Cristal empatou o jogo atrasado que tinha contra o Alianza Lima e abriu uma diferença de dois pontos na liderança do Descentralizado. O resultado se somou à vitória por 2 a 0 contra o Inti Gas, obtida no fim de semana.

– Agora o Sporting Cristal tem 52 pontos, seguido pelo Real Garcilaso, que bateu o Melgar por 2 a 0 e chegou a 50 pontos, e pela Universidad César Vallejo, que ficou no 1 a 1 com o Universitario e que está em terceiro lugar, com 49 pontos.

– O Alianza Lima é o 13º. O Universitario ocupa a 11ª posição, o Juan Aurich é o quinto e a Universidad San Martín ocupa a posição de 12º.

Venezuelanas

– O Apertura da Venezuela começa no dia 11 de agosto.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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