América do Sul

Crise no Deportivo Quito tem cofres vazios e braços cruzados

No dia 3 de maio de 2012 o Deportivo Quito foi colocado frente a frente com a Universidad de Chile no jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores. Era o maior desafio daquela equipe, que foi campeã da temporada equatoriana em 2011 e que buscava ali seu primeiro grande feito em um torneio continental. Aquele jogo ficou na memória de muitos chullas: 4 a 1 sobre um dos melhores times da América do Sul e show da apaixonada torcida. A euforia só foi superada pela decepção do dia 10 de maio de 2012, quando os chilenos destruíram toda a vantagem do Deportivo Quito em 45 minutos e terminaram vencendo por 6 a 0 em Santiago. Desde aquela derrota o clube só conheceu dissabores e enfrenta agora talvez a maior crise de sua história.

No início desta semana dez jogadores foram afastados pelo presidente do clube Fernando Mantilla, sete por baixo desempenho técnico e três por indisciplina – o goleiro Carini e os defensores Isaac Mina e Luis Checa, líderes do grupo. O motivo foi a recusa dos atletas de atuar contra o Manta no fim de semana passado devido ao atraso de salários. Sem receber há mais de quatro meses os jogadores decidiram não viajar e o Deportivo Quito atuou apenas com juvenis, perdendo por 3 a 0. Empertigado com a atitude, o dirigente do clube disse que não toleraria chantagens de jogadores e que eles não fazem mais parte dos planos. O problema é que os demais apoiaram a atitude dos marginalizados e nenhum integrante do time principal treina desde então.

O discurso forte de Mantilla é antes de uma convicção, um ato de desespero. O dirigente do clube assumiu a presidência em julho deste ano, depois de Iván Vasco, justamente o sucessor de Mantilla, renunciar ao cargo alegando motivos de saúde. O fato é que as duas administrações não tiveram e, provalvemente, não terão os meios para pagar salários e nem resolver a situação econômica do clube, que se deteriorou a partir de 2008.

Naquele ano o grande time montado pela rival LDU e o posterior título da Libertadores para os blancos fizeram com que o Deportivo Quito gastasse como nunca na busca do fim de um jejum de títulos que durava 40 anos. Atletas foram contratados e prêmios jogo a jogo foram estabelecidos, de forma que o clube conquistou os campeonatos nacionais de 2008 e 2009, mas contraiu dívidas praticamente impossíveis de serem pagas.

Uma solução para sanar as contas foi a parceria com o grupo multinacional SEK, que investiu no clube, ajudou na tarefa de pagar salários atrasados, mas que acabou sendo rechaçado do Deportivo Quito depois de a Federação Equatoriana anular um processo de eleição que culminaria com a presidência de um nome ligado à empresa e não mais à instituição desportiva. Desta forma o que era para ser um alívio financeiro se tornou mais um alvo de disputa judicial e valores a serem pagos.

Mesmo assim os Chullas, calcados em seus bons valores e no talento do treinador Carlos Ischia – agora no Racing -, conseguiram uma campanha espetacular no Segunda Etapa 2011 que começou com oito vitórias e dois empates nos dez primeiros jogos e que culminou com mais um título, o quinto do clube. A referida derrota para a Universidad de Chile teve como resultado a eliminação da Libertadores e o fim da passagem de Ischia pelo Deportivo Quito, que seguiu com Ruben Darío Insúa. A falta de investimentos, porém, foi minando o time. Na tabela acumulada do Equatoriano 2012, o clube ficou na oitava posição entre 12 times, o que resultou na ausência da Libertadores deste ano.

Apesar de não ter dinheiro em caixa, a equipe trouxe 14 jogadores, entre eles os caros – para o padrão local – Nieto, ex-Atlético Paranaense, Carini, ex-Peñarol, Seijas, ex-Standard Liege, e Walter Calderón, que estava na Liga de Loja. Por outro lado, vendeu 17 atletas e conseguiu chegar na quarta posição no Primera Etapa 2013. Agora, em meio a toda essa crise, o Deportivo Quito ainda é o quinto, a quatro pontos do líder Emelec, e tem a segunda melhor campanha do ano. Ou seja, o desempenho dentro de campo continua, mas os dirigentes não fazem o pagamento dos salários há mais de quatro meses.

Se por um lado a atitude dos jogadores Chullas danifica a imagem do clube e prejudica os torcedores – que anseavam pela briga de mais um título neste segundo semestre -, por outro o direito de greve é válido e parece ser a única forma de chamar atenção para algo que havia se tornado comum para os dirigentes. A coragem dos atletas há que ser admirada, sobretudo porque permanecem firmes mesmo depois de dez jogadores serem afastados e terem seus vínculos em risco de quebra. Que a diretoria resolva a situação ou que desista do time de uma vez é o recado. E quando a situação for normalizada, que ninguém siga gastando mais do que pode e que agora deve.

Eliminatórias 2014

Duas rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas serão realizadas nos próximos dias. Nesta sexta-feira acontecem os seguintes jogos:

Colômbia x Equador: Dependendo da combinação de resultados a Colômbia já pode conseguir a classificação para o Brasil. A equipe que joga em Barranquilla ainda espera por Falcao García e deve ter Ospina; Zuñiga, Perea, Valdés e Armero; Aguilar e Sánchez; Macnelly Torres, James Rodriguez e Teófilo Gutiérrez; Jackson Martínez (Falcao). Já o Equador deve alinhar com Banguera; Paredes, Guagua, Achilier e Ayoví; Valencia, Segundo Castillo, Quiñonez e Rojas; Jeff Montero e Edison Mendez

Paraguai x Bolívia:  Já eliminado o Paraguai busca a honra contra a Bolívia. A albiceleste deve ir com Silva; Candia, Paulo da Silva e Pedro Benítez; Victor Ayala, Ortiz, Pitoni e Samudio; Fabbro; Roque Santa Cruz e Nuñez. A Bolívia vai com Galarza; Rodríguez, Zenteno, Raldes, Cabrera e Bejarano; Veizaga, Azogue e Chávez; Ruddy Cardozo; Arce (Marcelo Moreno)

Chile x Venezuela:  O Chile quer encaminhar sua classificação e deixar um rival direto pra trás. A Roja deverá ter Bravo; Isla, Medel, González e Mena; Díaz, Aránguiz e Vidal; Valdivia; Vargas e Sánchez. Já a Venezuela deve jogar com Dani Hernández; Alexander González, Vizcarrondo, Cichero e Rosales; Lucena e Flores; Maestrico González, Arango e Josef Martínez; Rondón.

Peru x Uruguai: O Uruguai precisa vencer para seguir em ascensão e ter mais chances de ir ao Brasil. Em casa os peruanos, que também tem condições de chegar, vão ter Fernández; Advícula, Ramos, Rodríguez e Yotún; Ballón, Cruzado e Cachito Ramírez; Fargán, Pizarro e Guerrero. A Celeste terá Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín e Cáceres; Gargano e Arévalo; Cavani, Forlán, Cristian Rodríguez; Suárez.

A tabela tem:

Argentina……26 pts

Colombia……..23 pts

Equador………21 pts

Chile……………21 pts

Uruguai………..16 pts

Venezuela……16 pts

Peru…………….14 pts

Bolívia…………..10 pts

Paraguai…………8 pts

Na terça-feira a rodada será:

Bolívia x Equador

Uruguai x Colômbia

Venezuela x Peru

Paraguai x Argentina

Mais equatorianas

– Sem rodada neste fim de semana por causa das Eliminatórias, o Segunda Etapa segue com o Emelec na liderança com 21 pontos em nove jogos, seguido pela Universidad Católica, que tem a mesma pontuação, mas um jogo a mais.

– O Deportivo Quito é o quinto colocado, com 17, a LDU é a nona e o Barcelona o décimo.

Uruguaias

– No Apertura uruguaio o Nacional venceu o Sud América por 3 a 1 e é o vice-líder do campeonato, com nove pontos em três jogos. O Bolso é superado apenas pelo El Tanque Sisley, que venceu o Miramar Misiones por 2 a 0, tem a mesma pontuação, mas saldo melhor. Danubio, Racing e River Plate completam os cinco primeiros.

– O Peñarol perdeu para o Rentistas por 3 a 2 e é o 13º, sem ter conseguido nenhuma vitória. O futuro do técnico Diego Alonso já é bastante debatido no clube, enquanto alguns atletas foram multados por conduta anti-profissional às vésperas da última partida.

Paraguaias

– No Paraguai o Cerro Porteño venceu o Sportivo Luqueño por 2 a 1 e manteve a liderança, agora com 17 pontos em sete rodadas. O General Díaz, que venceu o Sol de América, é o segundo, com 13 pontos.

– O Libertad é o quarto, com dez pontos, mas dois jogos a menos, enquanto o Olimpia é o sétimo, com sete pontos e um jogo a menos que o líder.

Venezuelanas

Na quarta rodada do Apertura da Venezuela o Zamora empatou com o Tucanes de Amazonas por 1 a 1 e ocupa a liderança, com dez pontos. O Caracas venceu o Atético El Vigía por 2 a 1 e é o segundo, com nove pontos. O Deportivo Táchira foi derrotado pelo Deportivo Lara por 1 a 0 e está na sexta posição, também com nove pontos.

Colombianas

– No Finalización da Colômbia o Atlético Nacional segue na liderança depois da vitória contra o Deportivo Cali por 2 a 0. A equipe Verdolaga tem 16 pontos em seis jogos. O Millonarios, que derrotou o Huila por 3 a 2, tem 14 pontos em sete jogos, mesmo número do Santa Fe. O Deportivo Cali também tem 14 pontos, mas em oito partidas.

– Os oito que hoje estariam classificados para os playoffs são Atlético Nacional, Millonarios, Santa Fe, Deportivo Cali, Junior, Patriotas, Once Caldas e La Equidad.

Peruanas

– No Descentralizado peruano o Real Garcilaso empatou por 2 a 2 com o Alianza Lima e viu o Sporting Cristal se aproximar após a vitória por 1 a 0 contra o Sport Huancayo. O Garcilaso tem 58 pontos contra 52 do Sporting Cristal.

– Na Liguilla B o Universitario empatou com o Cienciano por 1 a 1. O Universitario lidera com 54 pontos contra 47 do UTC de Cajamarca, que perdeu do José Gálvez por 2 a 1.

Bolivianas

Na Bolívia não houve rodada por causa das Eliminatórias, de forma que Bolívar e The Strongest dividem a liderança com 12 pontos em cinco jogos.

Chilenas

– No Chile a Universidad Católica lidera o campeonato com 14 pontos em seis jogos depois de vencer o Cobresal por 3 a 0. O Cobreloa é o segundo com 12 pontos após vitória por 2 a 1 contra o Rangers. A Universidad de Chile ocupa a terceira posição com nove pontos depois de empatar por 2 a 2 com o Santiago Wanderers.

– O Colo-Colo perdeu por 2 a 0 para a Unión Española e se afundou de vez na crise, ocupando a penúltima posição, com cinco pontos em seis jogos. O técnico Gustavo Benítez foi criticado até mesmo pelos juvenis do Cacique, que reclamaram da falta de oportunidade.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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