América do Sul

Cidade colombiana dá show de desrespeito e coloca avião similar ao da Chapecoense em decoração natalina

Avião que simulava o da LaMia, que caiu com a delegação da Chapecoense em 2016, foi retirado de praça nesta sexta-feira após onda de repúdio da população

Uma “homenagem” de mau gosto. Na semana em que o acidente aéreo envolvendo a Chapecoense completa sete anos, o poder público da cidade de La Unión, na região de Antioquia, na Colômbia, se viu no centro de uma polêmica ao instalar uma decoração natalina em um dos parques do município.

A estrutura metálica reproduz a parte traseira de um avião igual ao que transportava a equipe brasileira em 2016. De alguma maneira, a prefeitura entendeu que era de bom-tom reproduzir o momento em que o avião colidia – e preenchê-lo com luzes natalinas. Até mesmo a bandeira da empresa LaMia, que foi responsabilizada pelo acidente, foi colocada.

Obviamente, não era.

Manifestações obrigaram prefeitura a retirar avião

À rádio colombiana RCN, Sebastián Gómez, que foi responsável pelo Museu da Chapecoense, comparou a “decoração” como uma “piada sensacionalista”, não uma homenagem, ressaltando que existem outras formas de relembrar de um dos dias mais tristes do futebol brasileiro.

Segundo o El País, o tema da decoração de Natal deste ano na cidade era a tradição agrícola da região. Não se sabe, no entanto, como que o avião foi parar ali. Rápida – e obviamente – a população se posicionou contra a instalação. “Uma falta de respeito pela memória das vítimas e familiares”, escreveu um dos moradores da região no X, antigo Twitter. “É algo que já causou desconforto na comunidade”, afirmou outro, no Facebook.

Juan Esteban Torres, vereador de La Unión, endossou as reclamações em entrevista à Blu Rádio.

– Se queriam prestar uma homenagem, esse não é o caminho. Na realidade, as vítimas não estão sendo homenageadas, já que [o avião] traz a recordação de uma triste lembrança. Considero que desta forma estamos Acredito que, dessa forma, estamos prejudicando muitas famílias em nosso país vizinho, o Brasil, que foram afetadas pela tragédia – disse.

Na sexta-feira (24), equipes da prefeitura da La Unión retiraram a estrutura da praça. Segundo o prefeito, Edgar Alexander Osorio, a instalação foi feita pela Empresa de Serviços Públicos de La Unión. Ele se desculpou pela polêmica e pela indignação causada pela “decoração”.

– [A intenção] nunca foi ferir a comunidade. Da mesma forma, entendemos o incômodo causado, portanto, pedimos desculpas e procederemos com a remoção da figura – disse o prefeito.

– Sob a temática de representar a história do município, foram instaladas diferentes figuras que representam a fauna, a flora, a arquitetura, a agricultura e os eventos históricos do território de La Unión. A Empresa de Serviços Públicos continua instalando as luzes de Natal na cidade, que serão inauguradas no sábado, 25 de novembro – completou.

A Trivela entrou em contato com a Chapecoense para apurar se o clube teve conhecimento da instalação do avião em La Unión. O texto será atualizado assim que o clube enviar um posicionamento.

Acidente com a Chapecoense completa sete anos

No próximo dia 28, completam-se sete anos desde a queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, que fazia campanha histórica na Sul-Americana 2016, rumo à final, que seria contra o Atlético Nacional.

O avião que levava a Chapecoense a Medellín sofreu um acidente entre as cidades de Abejorral e La Ceja, na região de Antioquia, Colômbia. Entre os membros do voo, estavam 72 passageiros, incluindo os jogadores da equipe, membros da comissão técnica, jornalistas brasileiros e autoridades, além da própria tripulação, composta por nove pessoas.

A delegação saiu de Guarulhos em direção a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde pegou um voo fretado. Quando se aproximavam de Medellín, os pilotos perderam contato com o aeroporto. As condições climáticas no local, sob fortes chuvas, também não eram favoráveis. Isso influenciou o resgate às vítimas, diante das dificuldades de acesso ao ponto onde a aeronave caiu.

Os então jogadores da Chapecoense Jakson Follman, Neto, Alan Ruschel; além da comissária de bordo Ximena Suárez e o técnico de voo Erwin Tumiri e o jornalista Rafael Henzel (morto em 2019 decorrência de um infarto), sobreviveram ao acidente.

Aqui, você pode ler alguns dos (emocionantes) textos publicados pela Trivela sobre o assunto

Chape eterna: Um ano depois, o pensamento persiste e o sentimento rasga o peito

Todos nos sentíamos próximos da Chapecoense graças também aos jornalistas que se foram

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Foto de Denise Bonfim

Denise Bonfim

Denise Bonfim é jornalista e produtora de conteúdo. Participou da cobertura de duas Copas do Mundo e duas Olimpíadas e soma passagens por Estadão, CNN, Jovem Pan, UOL e Globo.
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