América do Sul

Cheio de medalhões, o Colo-Colo volta a reinar e se sagra campeão chileno

Durante os últimos anos, o Colo-Colo adotou uma clara tática em seu mercado de transferências: buscar medalhões e jogadores com história no Estádio Monumental. A média de idade do elenco do Cacique é alta, mas rende frutos. Os colocolinos se mantiveram competitivos e, desde 2013/14, conseguiram dois títulos e três vices em sete disputas. Já neste sábado, voltaram a ratificar sua supremacia e ergueram a taça no Torneio Transición, que marca a mudança no calendário do futebol chileno. É o 32° título nacional do clube, de longe o maior campeão do país.

A disputa contou com certas doses de emoção. O equilíbrio no topo da tabela se manteve durante boa parte da campanha. Já nesta rodada final, três equipes ainda tinham chances de ficar com o troféu. Além do Colo-Colo, Unión Española e Universidad de Chile também estavam no páreo. E os colocolinos eram os únicos a atuar fora de casa, precisando fazer sua parte contra o Huachipato. Embora os concorrentes tenham vencido os seus jogos, o Cacique cumpriu sua missão, e com a maior margem: derrotou os anfitriões por 3 a 0. Jaime Valdés abriu a contagem aos 29 do segundo tempo, cobrando pênalti, enquanto Octavio Rivero e Nicolás Orellana fecharam a conta.

O Colo-Colo sobrou em vários quesitos. Foi o time com mais vitórias e também contou com o melhor ataque da competição. Sofreu apenas duas derrotas e se deu melhor nos confrontos diretos. Goleou La U por 4 a 1 no início da campanha e também enfiou 5 a 2 sobre a Unión Española em novembro. Resultados que impulsionaram os colocolinos ao título, depois de sofrerem duras críticas em setembro, quando foram eliminados pelo Iberia, da segunda divisão, na Copa do Chile. Curiosamente, a equipe da capital desperdiçou seus pontos no Transición contra adversários do meio da tabela e chegou a empatar com os dois últimos colocados, Deportes Iquique e Palestino.

Entre os destaques da campanha, vários nomes conhecidos. O artilheiro foi Esteban Paredes, contribuindo com seus gols aos 37 anos. No meio, além do motor do time Jaime Valdés, decisivo neste sábado, outro que se sobressaiu foi Jorge Valdívia, voltando para casa e logo erguendo a taça com a camisa alba. Já na defesa, os argentinos ajudaram a dar liga à equipe, com Agustín Orión e Julio Alberto Barroso. Todos comandados por Pablo Guede, treinador que conquista o título mais expressivo de sua carreira, depois de passagens por Palestino e San Lorenzo.

Na próxima temporada, o Colo-Colo mira o seu retorno à Copa Libertadores, na quarta participação consecutiva. E tenta reverter sua impressionante sina neste século, de quase sempre cair na fase de grupos – com requintes de crueldade. Lá se vão dez anos da última vez que os colocolinos estiveram nas oitavas de final, em 2007. Ao menos em experiência, este elenco possui qualidades para pensar na etapa seguinte. Mas também são necessários reforços para aguentar a exigência das disputas, em um time cuja capacidade física não é exatamente o forte. Quem sabe, mais algum medalhão aporte no Estádio David Arellano durante os próximos meses.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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