Cheio de mandingas, Cuca torceu e venceu como nunca
Se Victor foi um herói inesperado construído a partir do jogo contra o Tijuana nas quartas de final da Libertadores, Cuca também foi um grande personagem, talvez o maior na conquista do Atlético Mineiro contra o Olimpia.
Do banco de reservas, o treinador mostrava a aflição de cada atleta e sobretudo de qualquer torcedor atleticano antes do momento da glória. Até ver o último pênalti bater na trave e culminar no título do Galo, Cuca sofreu, xingou, culpou a arbitragem, mas em nenhum segundo deixou de comemorar quando teve a chance.
Ele vestia uma camiseta com a imagem de Nossa Senhora de Aparecida em dois dias cruciais, desabou no gramado da mesma forma ao vencer nos penais o Newell´s e o Olimpia. Tudo levava a crer que a história iria se repetir. A começar pela desvantagem de dois gols contra argentinos e paraguaios. Depois, o empate no agregado e o terror das penalidades, onde Victor fez pelo menos uma defesa em cada uma das séries.
Para aquele cara que carregava o estigma de azarado com seus quatro títulos estaduais (um com o Flamengo, dois com o Atlético Mineiro e outro com o Cruzeiro), um título como o da Libertadores serviria mesmo para afastar aqueles fantasmas que lhe assombravam. A noite no Mineirão acabou com outra teimosia do destino: aquela que impedia o Atlético de vencer grandes títulos.
Pois com um fanático como Cuca no banco, as emoções estavam garantidas. E ele teve sim muita responsabilidade no título atleticano, não só a sorte que lhe atribuem ao desdenhar de algumas decisões que ele tomou durante a campanha. O sobrenatural pode até ter tido espaço na final, quando Ferreyra levou aquele escorregão sem ninguém pela frente ou até mesmo quando Ronaldinho sumiu de campo e não precisou nem cobrar seu pênalti.
Lá de fora, a vibração e a gana de vencer por parte de Alexi Stival encheram os olhos de quem sabe do que esse esporte é feito. O futebol só é o que é graças aos azarões, subestimados e sim, os ex-azarados como Cuca. Com justiça, ele desabafou aos microfones instantes após o título e não economizou no palavreado. “Não tem mais azar, porra nenhuma!”



