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Cabañas hoje trabalha em uma padaria, mas teve enorme prova de companheirismo de Valdez

Salvador Cabañas e Nelson Haedo Valdez foram companheiros de ataque na seleção paraguaia por anos. Disputaram juntos a Copa de 2006. E só não repetiram a dobradinha no Mundial da África do Sul, em 2010, por causa da tragédia que mudou a vida de Cabañas, o tiro que interrompeu sua carreira. Quatro anos depois, El Magistral vive uma realidade bastante diferente daqueles tempos de astro do América. Ainda movido pelo o sonho de tentar a carreira pela última vez, o veterano se sustenta trabalhando na padaria que comprou para sua família.

Nesta semana, uma entrevista ao jornal ABC Color mostrou o cotidiano de Cabañas. Antes de ser baleado, o veterano era cobiçado pelo Manchester United e tinha uma ótima proposta para continuar no América. Acabou sem nada, especialmente após a separação de sua mulher. “Meu filho não tinha a possibilidade de sobreviver. Dizia-se que ele ia sair em uma cadeira de rodas e sem seus cinco sentidos. Como você vê, ele está bom e trabalha normalmente. Ainda treina todos os dias com o 12 de Octubre. Uma pena que as pessoas próximas o enganaram – sua própria esposa, seu representante, os antigos amigos”, explica o pai do atacante, Dionisio.

A situação exposta de Cabañas tocou Haedo Valdez. E o atacante do Olympiacos está empenhado em ajudar seu amigo. O jogador lançou uma campanha para arrecadar fundos para o Mariscal, através de um amistoso entre uma seleção de astros paraguaios contra craques internacionais. A ideia é que a partida aconteça em junho, aproveitando-se a pausa para a Copa do Mundo e a vinda de vários medalhões ao Brasil.

“Nos bons e nos maus momentos, sempre juntos. Como vocês sabem, um companheiro e amigo nosso está passando por um momento muito difícil. Creio que nós poderíamos dar uma mão e ajudar, já que nos deu tantas alegrias com seu futebol e como companheiro. Espero poder contar com todos os meus amigos e com todo o Paraguai para ajudar e agradecer este grande guerreiro, Salvador Cabañas, o grande Mariscal”, declarou Haedo Valdez.

Além da padaria e dos treinos no 12 de Octubre, clube que o revelou, Cabañas também toma conta de uma escolinha de futebol para crianças. Uma motivação para que ele mesmo continue tentando seguir nos gramados, mesmo aos 33 anos e com sequelas da bala que segue alojada em seu cérebro – os maiores problemas estão no olho esquerdo, com o qual tem dificuldades para enxergar.

O atacante ainda insiste, quer jogar até quando puder. Chegou a receber uma proposta da segunda divisão mexicana, que parece não ter muito futuro. “O futebol e a minha família são o significado da minha vida. Estou seguro que vamos sair dessa”, afirma. O jogo proposto por Haedo Valdez é uma ótima alternativa para isso. Tanto para ajudar Cabañas quanto para lhe dar um último grande momento na carreira, caso queria também se despedir em ocasião tão nobre.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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