América do Sul

Biro e VAR salvam, Brasil vence a Venezuela na marra e se mantém na luta por vaga nas Olimpíadas

Brasil joga mal, flerta com derrota, mas conta com de gol de Guilherme Biro no fim para desbancar os venezuelanos em Caracas

A missão da Seleção Brasileira era indigesta na noite desta quinta-feira (8). Por conta da derrota diante do Paraguai na última segunda (5), a Canarinho chegou para o jogo contra Venezuela na última colocação do quadrangular final do Pré-Olímpico. Se perdesse para os donos da casa, o time de Ramon Menezes ficaria fora das Olimpíadas de Paris.

Foi na camisa e na superação. Afinal, se dependesse do técnico e sua tática, o Brasil certamente não conquistaria os três pontos. Apesar de Ramon Menezes, a Amarelinha arrancou a vitória na marra. Aos 42 minutos do 2º tempo, Endrick serviu Guilherme Biro, que venceu a marcação na força e tocou rasteiro, por baixo do goleiro. 2 a 1 e Brasil mais vivo do que nunca na busca por uma vaga em Paris.

Classificação quadrangular Pré-Olímpico
– Paraguai – 4 pontos
– Brasil – 3 pontos
– Argentina – 2 pontos
– Venezuela – 1 ponto

Em 1º tempo morno, o 0 a 0 retratou exatamente o que Venezuela e Brasil produziram – quase nada

Como citado, o Brasil entrou em campo pressionado. No entanto, não transpareceu nervosismo e ansiedade nos primeiros minutos de jogo. A equipe de Ramon Menezes tomou a iniciativa, encurralou a Vinho Tinto e por pouco não abriu o placar aos 3′. Após troca de passes envolvente, a bola saiu da direita, de pé em pé, até John Kennedy dentro da área. De primeira, o atacante chutou colocado e tirou do goleiro, mas não de Vivas. Esperto, o zagueiro venezuelano leu bem a jogada e tirou de cabeça, praticamente em cima da linha.

A resposta da Venezuela veio aos 10′. Segovia tomou a bola de Andrey Santos no meio do campo, avançou completamente livre de marcação e experimentou arremate da intermediária. Mycael se esticou todo e espalmou para escanteio. A partir daí, os donos da casa equilibraram as ações em campo e se aproveitaram da dificuldade do Brasil na transição defesa ataque. Com 15′ no relógio, um susto em Mycael. Do meio-campo, Faya alçou bola na área, Kevin Kelsy se antecipou a Lucas Fasson e ficou perto de conseguir o desvio. Atento ao lance, o goleiro brasileiro saiu do gol, tirou de soco e levou trombada do atacante venezuelano.

O Brasil voltou ao ataque aos 31′, mas pecou na definição. Endrick foi lançado na entrada da área, ficou cercado por dois marcadores e perdeu o tempo do chute. Assim, optou por tocar para Pirani, que acabou atrapalhado pela marcação e finalizou fraco, facilitando a vida do goleiro Samuel Rodríguez. Na reta final do 1º tempo, a Canarinho foi prejudicada pela arbitragem. Renné Rivas desferiu um soco na barriga de Gabriel Pec e o cria do Vasco caiu no gramado se queixando de muitas dores. Lance claro de cartão vermelho. Os jogadores brasileiros protestaram contra o juiz, que nada marcou. O VAR, por sua vez, também não denunciou a agressão.

Guilherme Biro marca no fim e salva Brasil

Truncado, faltoso e mal jogado. O início feio da etapa complementar beneficiou a Venezuela, que optava pela ligação direta na direção de Kelsy, centroavante de 1,93. Logo aos 5′, quase o primeiro dos mandantes. Após cruzamento vindo da esquerda, a defesa brasileira não conseguiu cortar no alto e a bola ficou viva na pequena área. Com leve desvio, Kelsy empurrou para o gol, por baixo das pernas de Mycael. Arthur Chaves esbanjou senso de posicionamento, frieza e salvou em cima da linha.

Quem não faz, leva… Pouco tempo depois, aos 11′, Maurício castigou os venezuelanos. Endrick recebeu cruzamento da direita na segunda trave, cabeceou para o meio da área e serviu Gabriel Pec. O camisa 23 dominou, ajeitou o corpo e chutou em cima da defesa. Mas Maurício estava lá. O meio-campista do Internacional pegou a sobra e emendou petardo no ângulo, sem chances para Samuel Rodríguez. Contudo, a alegria durou pouco…

Quando as coisas enfim pareciam se ajeitar para o Brasil na partida, Arthur Chaves, que havia salvado gol em cima da linha pouco antes, falhou feio. Em cruzamento vindo da esquerda, o zagueiro escorregou no momento do corte, Bolívar dominou na área e encheu o pé. Dessa vez, Mycael nada pôde fazer: 1 a 1.

A Seleção Brasileira acusou o golpe e sentiu o gol de empate. Descompassada e perdida em campo, a Canarinho era o reflexo de seu treinador. Questionado desde o início do Pré-Olímpico, Ramon Menezes não esboçava reação na área técnica e via a Venezuela dominar sua equipe. Assim, a virada veio. Em contra-ataque rápido e envolvente, Lacava recebeu passe de calcanhar na entrada da área e disparou chute forte dali mesmo. A bola beijou na trave direita e entrou. Para sorte do Brasil, o tento foi anulado. No VAR, o árbitro pegou posição de impedimento após o arremate e considerou que o jogador venezuelano atrapalhou Mycael na jogada.

Nos minutos finais de jogo, a camisa e o talento verde e amarelo falaram mais alto. Endrick descolou ótimo passe para Guilherme Biro, que passou pela marcação na base da força física e ficou cara a cara com Samuel Rodríguez. Frio, o cria do Corinthians tocou rasteiro, por baixo do arqueiro venezuelano, e deu a Canarinho uma vitória essencial na luta pelos Jogos Olímpicos.

Estatísticas de Venezuela 1 x 2 Brasil – Pré-Olímpico 2023

  • Posse de bola: 48% x 52%
  • Faltas: 16 x 18
  • Finalizações: 12 x 12
  • Finalizações no gol: 3 x 3
Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Apaixonado por futebol, uniu o amor pelo esporte mais popular do mundo ao jornalismo. Carioca da gema e grande entusiasta da Premier League, cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na música, vai de Post Malone a Armandinho. Eclético assim como na área técnica. Afinal, Guardiola e Mourinho são suas referências.
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