América do Sul

Balanço especial da Copa América

Confira abaixo um balanço completo da Copa América 2011, com análises de todas as seleções e seus principais destaques.

 

Uruguai

Posição final:
Desempenho: 6 jogos (3 vitórias, 3 empates) / 9 gols marcados, 3 sofridos
Sistema tático: 4-4-2 / 4-4-1-1
Principal jogador: Arévalo Rios (V)
Goleador: Luis Suárez (A)
Nota para a campanha: 9

Não falta mais nada. Depois do quarto lugar na Copa e dos vices no Sul-Americano sub-20 e Mundial Sub-17, o Uruguai levantou o troféu da Copa América e fechou um ano mágico para o futebol do país. A conquista teve todos os méritos e predicados desse novo Uruguai. Além da já tradicional entrega dentro de campo, os uruguaios mostraram habilidade e tranquilidade para, mesmo como favoritos construírem resultados e não apenas reagirem ao adversário.

A única vez em que a Celeste fez esse tipo de jogo foi contra a Argentina e, mesmo assim, em alguns momentos – mesmo com um a menos – os uruguaios teimaram em jogar de igual pra igual e saíram com a vitória nos pênaltis. Do 4-3-3 inoperante da estreia, com Cavani, Suárez e Forlán isolados demais, o técnico Óscar Tabárez – que nunca é demais lembrar é peça essencial nessa reformulação e retomada do futebol do país – passou ao 4-4-2 com Alvaro Pereira jogando muita bola pelo lado esquerdo e Alvaro González sendo peça importantíssima no esquema tático.

No centro do campo Arévalo Rios e Diego Pérez foram dois monstros na marcação, enquanto lá atrás Maxi Pereira, Lugano, Coates e Cáceres protegeram um supreendentemente regular e seguro Muslera. Coube a Suarez e Forlán transformarem em gols toda a entrega tática, técnica e de coração dos demais. Festa dos jogadores e festa do povo uruguaio, que definitivamente se reencontrou com a paixão nacional.

 

Paraguai

Posição final:
Desempenho: 6 jogos (5 empates, 1 derrota) / 5 gols marcados, 8 sofridos
Sistema tático: 4-4-2 / 4-1-4-1
Principal jogador: Justo Villar (G)
Goleador: Haedo Valdez (A) (outros fizeram um gol também, mas Valdez foi a principal força ofensiva do time)
Nota para a campanha: 6

Do time competitivo das eliminatórias para a Copa de 2010, que propunha o embate de igual pra igual, valorizava a posse de bola e que chegou a fazer 2 a 0 – fora o espetáculo – contra o Brasil, nada restou. Defensivo ao extremo, burocrático ao extremo… Sortudo ao extremo.

Foram seis jogos, cinco empates – dois por zero a zero – e uma derrota, merecida, na final. O 4-4-2 que virava 4-1-4-1 em diversos momentos, com Santana se transformando no volante preso à frente dos zagueiros, foi efetivo ao extremo na parte defensiva. A transição ofensiva no entanto, poucas vezes funcionou com correção, mesmo com nomes de valor no ataque como Roque Santa Cruz, Haedo Valdez, Pablo Zeballos e Estigarribia. Se por um lado há méritos na forma pragmática com que o Paraguai avançou rumo ao vice-campeonato da Copa América, por outro o estilo de jogo demonstrado e a falta de vontade de vencer, senão nos pênaltis, pode representar um grande problema nas eliminatórias.

Além da subida de Venezuela e Peru, Colômbia e Chile ameaçam seriamente a suposta colocação paraguaia como quarta força do continente. Em outras palavras, haverá partidas em que Gerardo Martino – se continuar à frente do escrete – terá que fazer seus jogadores saírem para o jogo de forma a conseguir as vitórias. Resta saber se estarão preparados para isso.

 

Peru

Posição final:
Desempenho: 6 jogos (3 vitórias, 1 empate, 2 derrotas) / 5 gols marcados, 3 sofridos
Sistema tático: 4-1-4-1
Principal jogador: Juan Manuel Vargas (M)
Goleador: Paolo Guerrero (A)
Nota para a campanha: 8

Último colocado nas eliminatórias e favorito à vexame da Copa América após perder Farfán, Pizarro e Cachito Ramírez contundidos, os peruanos tiveram um final de torneio continental glorioso. Apesar de totalmente desacreditada, a bicolor jogou um futebol aplicadíssimo à sua proposta de jogo de marcação forte e bola para o centroavante Paolo Guerrero. Após um ótimo empate contra o Uruguai, o Peru, reforçado por Juan Manuel Vargas jogando mais avançado, mostrou gana de vencer e bateu o México com um gol nos últimos minutos da segunda rodada.

A derrota para o Chile no último minuto foi um castigo, prontamente superado pela vitória na prorrogação contra os colombianos. Por fim, contra o Uruguai não houve o que fazer. Mesmo assim o sentimento geral da bicolor foi de vitória. Além do terceiro lugar, os peruanos agora acreditam em seus jogadores e principalmente no técnico Sergio Markarián, que foi capaz de montar um time competitivo apesar dos desfalques.

 

Venezuela

Posição final:
Desempenho: 6 jogos (2 vitórias, 3 empates, 1 derrota) / 7 gols marcados, 8 sofridos
Sistema tático: 4-4-2
Principal jogador: Juan Arango(M)
Goleador: Salomón Rondón (A) (apesar de outros jogadores terem marcado um gol também, Rondón foi o mais perigoso da Venezuela)
Nota para a campanha: 8

Para muitos foi uma surpresa do tamanho do continente. Não que a previsão para os venezuelanos desse conta de uma semifinal com vaga na decisão perdida apenas nos pênaltis, mas quem seguia a Vinotinto nos últimos meses já verificava um grande avanço do futebol da seleção nacional.

Com seus principais jogadores atuando no continente europeu, uma preparação específica feita para a Copa América e a mentalidade de que a seleção venezuelana não deve muito às demais, imposta pelo técnico Cesar Farias, a Venezuela conseguiu um desempenho histórico. Em seis jogos foram duas vitórias, três empates e uma derrota – na decisão do terceiro lugar. Não foi um futebol vistoso – nem poderia ser -, mas foi um futebol ofensivo, de procura do jogo e de aplicação tática durante todo o tempo. O sonho segue sendo a classificação para 2014 e os prognósticos nunca foram melhores.

 

Chile

Posição final: 5º lugar
Desempenho: 4 jogos (2 vitórias, 1 empate e 1 derrota) / 5 gols marcados, 4 sofridos
Sistema tático: 3-4-1-2 / 3-4-3
Principal jogador: Jorge Valdivia (M)
Goleador: Humberto Suazo (A) (apesar de outros jogadores terem marcado um gol também, Suazo foi o mais perigoso do Chile)
Nota para a campanha: 4

Depois do bom nível do futebol da Roja nos últimos anos a pergunta que todos se faziam na Copa América era se havia futebol chileno sem Bielsa. Claudio Borghi mostrou que sim e que ele pode ser ainda mais efetivo, mesmo perdendo um pouco da iniciativa de ataque. Aos 2 a 1 contra o México seguiu o justo empate por 1 a 1 com o Uruguai e a vitória contra o Peru no último minuto, em um jogo em que a bem da verdade ninguém queria nada com nada.

O bom futebol apresentado pela seleção do Chile, no entanto, era afeito às oscilações. E foi justamente em uma dessas que o time deu adeus à Copa América. Após conseguir o empate com a Venezuela, o goleiro Bravo fez lambança e os chilenos tomaram o gol da eliminação. Precoce pelo o que o time parecia poder mostrar. De positivo fica a constatação de que a equipe ainda pode dar bons frutos à frente e que há opções para mexer no elenco e na maneira desse time jogar. Valdivia é o melhor exemplo. Vindo do banco, o jogador palmeirense foi capaz de cadenciar os jogos ou armar jogadas ofensivas no rápido, mas pouco criativo, time chileno.

 

Colômbia

Posição final: 6º lugar
Desempenho: 4 jogos (2 vitórias, 1 empate e 1 derrota) / 3 gols marcados, 2 sofridos
Sistema tático: 4-1-4-1
Principal jogador: Sánchez Moreno (V)
Goleador: Falcão Garcia (A)
Nota para a campanha: 4

Uma defesa intransponível e um ataque efetivo. Era assim que a Colômbia gostaria de ter sido reconhecida nessa Copa América. Contudo, um branco geral na prorrogação das quartas de final e um individual no tempo regulamentar jogaram às favas o bom trabalho feito por Hernán Gomez e seus comandados na fase de grupos. Depois de terem passado pela chave A em primeiro lugar, com duas vitórias – 1 a 0 na Costa Rica e 2 a 0 na Bolívia – e um empate – grande 0 a 0 com a Argentina, a expectativa era de crescimento do encardido time colombiano no mata-mata. Armado no 4-1-4-1 com Sánchez jogando muita bola à frente dos zagueiros, parecia impensável que o Peru, de Guerrero e Vargas contra rapa, pudesse eliminar a equipe cafetera. Mas foi o que aconteceu. Ao pênalti perdido por Falcão aos 21 da segunda etapa seguiram-se duas falhas do goleiro Martínez na prorrogação e os gols de Lobatón e Vargas. Fim de jogo, fim de sonho para a Colômbia, que jogou melhor, mas não soube avançar. Fica a esperança para melhor sorte e principalmente competência nas eliminatórias.

 

Argentina

Posição final: 7º lugar
Desempenho: 4 jogos (1 vitória, 3 empates) / 5 gols marcados, 2 sofridos
Sistema tático: 4-3-3
Principal jogador: Lionel Messi (A)
Goleador: Sergio Agüero (A)
Nota para a campanha: 3

Era o torneio para os argentinos darem a volta por cima. Com Messi em grande fase, talentos em quase todas as posições do campo e jogando em casa, a Argentina era a favorita ao título. Mas… Tal qual em campeonatos passados o esquema idealizado não encaixou, Messi pouco brilhou – mas mesmo assim foi o melhor – e o restante do time sucumbiu. Após a tortuosa primeira fase, os pênaltis contra o Uruguai selaram o destino albiceleste. A sorte dos pênaltis, dirão… Porém, vale lembrar que a Argentina teve um jogador a mais em campo durante mais de 45 minutos e mesmo assim o máximo que imaginou foi alçar a bola na área. Sai do torneio com ainda mais dúvidas, a começar pela permanência ou não de Sergio Batista.

 

Brasil

Posição final: 8º lugar
Desempenho: 4 jogos (1 vitória, 3 empates) / 6 gols marcados, 4 sofridos
Sistema tático: 4-2-3-1
Principal jogador: Paulo Henrique Ganso (M)
Goleador: Alexandre Pato (A)
Nota para a campanha: 5

Tal qual a Argentina, o Brasil decepcionou. No entanto, há que se fazer a ressalva da renovação da equipe brasileira. Diferentemente dos argentinos, este foi o primeiro teste para a geração de Ganso, Neymar e companhia. Ainda não era hora da afirmação. Mesmo assim o Brasil não foi lá tão mal, excetuando-se as cobranças de pênaltis, é claro.

Apesar das críticas, Paulo Henrique Ganso mostrou ser capaz de vestir a 10 brasileira e Alexandre Pato parece que tem cacoete de camisa 9. Do meio pra trás inconstâncias, mas que devem ser ajeitadas. Agora, chances criadas e não convertidas à parte, perder quatro pênalits foi vexaminoso e Mano Menezes nada tem com isso.

 

Costa Rica

Posição final: 9º lugar
Desempenho: 3 jogos (2 derrotas e 1 vitória) / 2 gols marcados, 4 sofridos
Sistema tático: 5-4-1
Principal jogador: Joel Campbell (A)
Goleador: Josue Martínez (A)
Nota para a campanha: 6

Sem grandes esperanças, sem grandes tombos. Com uma campanha tal qual a esperada, a Costa Rica se despediu da Copa América ainda na primeira fase, perdendo dois jogos, mas vencendo a Bolívia, mesmo com seu time sub-22. Valeu para La Volpe testar nomes para as próximas eliminatórias e mais do que isso também já seria esperar demais.

 

Equador

Posição final: 10º lugar
Desempenho: 3 jogos (1 empate, 2 derrotas) / 2 gols marcados, 3 sofridos
Sistema tático: 4-4-2
Principal jogador: Elizaga (G)
Goleador: Felipe Caicedo (A)
Nota para a campanha: 3

A bem da verdade não se esperava muito do Equador quando a Copa América começou. Mas, a equipe tinha alguns nomes capazes de fazer alguma diferença, como Antonio Valencia, Chucho Benítez e Felipe Caicedo. Nem mesmo eles deram contribuição suficiente para o Equador salvar sua honra na disputa continental. Foram três jogos, um empate e duas derrotas.

Não fossem as falhas de Julio César no jogo contra o Brasil e provavelmente os equatorianos não teriam ido às redes nenhuma vez no torneio. Como já era possível analisar no início da competição, faltam novos nomes ao Equador, sobretudo do meio para trás, onde a equipe segue refém das atuações de Edison Mendez, Reasco e Ayoví. No fim das contas o goleiro Elizaga foi o menos pior de La Tri.

 

Bolívia

Posição final: 11º lugar
Desempenho: 3 jogos (1 empate, 2 derrotas) / 1 gol marcado, 5 sofridos
Sistema tático: 4-4-2 / 4-4-1-1
Principal jogador: Marcelo Moreno (A)
Goleador: Edivaldo Rojas (M)
Nota para a campanha: 3

Com algum talento do meio pra frente era de se esperar uma Bolívia de bom desempenho em seu melhor setor. Que nada. Foi apenas um gol em três jogos. Um gol justamente contra a Argentina e de calcanhar, marcado por Edivaldo Rojas. Marcelo Moreno teve nos pés os melhores momentos de sua equipe, mas poucas vezes foi capaz de fazer algo concreto nestas chances.

Na defesa as limitações técnicas gritantes mostraram que o treinador Gustavo Quinteros precisa trabalhar demais senão quiser virar o saco de pancadas do continente. Desta vez sozinho, posto que os demais avançaram um degrau.

 

México

Posição final: 12º lugar
Desempenho: 3 jogos (3 derrotas) / 1 gol marcado, 4 sofridos
Sistema tático: 4-2-3-1
Principal jogador: Giovani dos Santos (A)
Goleador: Nestor Araujo (Z)
Nota para a campanha: 5

Jogando com a equipe sub-23 B, já que oito nomes foram cortados por indisciplina, o máximo que o México poderia objetivar era uma eliminação sem vexames. Mal-e-mal foi o que os mexicanos conseguiram. Giovani dos Santos foi o jogador mais lúcido do time, mas nem isso quis dizer alguma coisa no torneio.

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Equipe Trivela

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