América do Sul

“Baixam as cortinas”: Loco Abreu anuncia aposentadoria aos 44 anos com grandes histórias para contar

Recordista em número de clubes defendidos, Loco Abreu marcou época no futebol uruguaio, mexicano, brasileiro e argentino, além de ter brilhado também na Copa do Mundo

O atacante Sebastian Abreu, conhecido como Loco Abreu, anunciou que irá se aposentar do futebol. Depois de 26 anos de carreira, com 31 clubes defendidos, o jogador confirmou que irá pendurar as chuteiras ao Ovación, do Uruguai. “Chegou o dia, baixam as cortinas”, declarou o jogador, que atualmente defende o Sud America, do Uruguai. Sua última partida será nesta sexta-feira, quando seu clube enfrenta o Liverpool, pelo Torneio Apertura.

Formado pelo Defensor, estreou no futebol profissional em 1995. Sua primeira ida ao exterior foi em 1996, quando foi para o San Lorenzo. Ficou no clube por um ano e meio antes de partir para a Europa, no Deportivo La Coruña. Ficou no clube por uma temporada e veio defender o Grêmio em 1999, por empréstimo. Jogou ainda no México, defendeu o River Plate e passou pela Grécia antes de chegar ao Botafogo, em janeiro de 2010.

No clube carioca, Loco Abreu viveu uma conexão intensa e apaixonada com a torcida. Ele ficou um ano e meio no clube, mas deixou grandes memórias aos torcedores. A principal delas a vitória no Campeonato Carioca de 2010, vencendo uma final contra o Flamengo, com direito a um pênalti cobrado com cavadinha na decisão.

Cavadinha, aliás, que faria com que ele escrevesse um capítulo espetacular na história das Copas do Mundo. Nas quartas de final da Copa 2010, na África do Sul, Loco Abreu estava em campo naquele maluco Gana 1×1 Uruguai, decidido nos pênaltis. Loco Abreu, que entrou aos 31 minutos do segundo tempo no lugar de Edinson Cavani. Você lembra (e se não lembra, contamos aqui): a mão de Luis Suárez no último minuto da prorrogação, o pênalti na trave, a cavadinha de Loco Abreu que decidiu a classificação dos Charrúas à semifinal da Copa.

Loco Abreu, da seleção uruguaia, comemora seu pênalti decisivo na Copa 2010 (Imago / OneFootball)

Aquele foi o grande momento da carreira de Washington Sebastián Abreu Gallo, nascido em 17 de outubro de 1976. Com seu 1,93 metro e um pé esquerdo de muita categoria, deixou a sua marca em 12 países, com um recorde de clubes defendidos, 31, em seus 26 anos de carreira.

Há vários episódios interessantes na carreira de Loco, como uma das suas três passagens pelo Nacional, clube do seu coração. Lá em 2013, ele formou uma dupla de veteranos ao lado de Álvaro Recoba para salvar o clube. Em 2016, passou por El Salvador para ser o herói do título do seu clube. Também teve muito folclore, como suas passagens pelo Bangu, pelo Central Español, Audax Italiano (onde jogou uma mesa na torcida) e Santa Tecla.

Futebol é o jogo jogado dentro de campo, mas é também tudo que acontece ao seu redor. Personagens como Loco Abreu deixam grandes marcas porque vivem o futebol de forma intensa, apaixonada e que levam milhões de pessoas ao delírio. Aquele jogo do Uruguai na Copa reverberou no mundo inteiro e justificou eternamente o apelido de Loco. O Botafogo estará para sempre no coração de Loco, assim como ele estará no dos botafoguenses.

Com tantos clubes em tantos anos de carreira, Loco Abreu acumula 850 jogos oficiais, com 404 gols marcados. Uma marca muito respeitável. Em clubes, foi o Botafogo o clube pelo qual marcou mais gols, com 62. Pela seleção uruguaia, jogou 70 partidas e marcou 26 gols. Jogou duas Copas do Mundo pela seleção uruguaia, em 2002 e em 2010, além de outras três Copas América, em 1997, na Bolívia, Venezuela, em 2007, e Argentina, em 2011, quando o Uruguai conquistou o título.

Foram 10 títulos por clubes: San Lorenzo (Torneo Clausura), Nacional (duas vezes o Campeonato Uruguaio), River Plate (Torneo Clausura), Botafogo (duas Copa Rio, uma Guanabara e Campeonato Carioca) e Santa Tecla (Torneo Apertura e Copa El Salvador).

Que o seu último jogo seja uma festa digna de uma carreira imensa. As lendas não são marcadas apenas pelos gols que fazem, ou pelas grandes atuações nos grandes palcos. São construídas também pelo que causam nas pessoas. Loco Abreu certamente tem uma série de grandes histórias para a vida toda.

É muito provável que vejamos Loco Abreu mudar de posição, mas continuar no futebol. Ele já exerceu a função de técnico em alguns clubes e tem interesse em continuar nisso. Não deve demorar até vermos o Loco Abreu centroavante virar o professor Loco Abreu, à beira dos gramados.

Aqui você confere a lista de todos os 31 clubes defendidos por Loco Abreu:

– Defensor Sporting (Uruguai)

– San Lorenzo (Argentina)

– Deportivo La Coruña (Espanhaa)

– Gremio (Brasil)

– Tecos (México)

– Nacional (Uruguai)

– Cruz Azul (México)

– América (México)

– Dorados de Sinaloa (México)

– Monterrey (México)

– San Luis (México)

– Tigres (México)

– River Plate (Argentina)

– Beitar (Israel)

– Real Sociedad (Espanhaa)

– Aris Salónica (Grécia)

– Botafogo (Brasil)

– Figueirense (Brasil)

– Rosario Central (Argentina)

– Aucas (Equador)

– Sol de América (Paraguai)

– Santa Tecla (El Salvador)

– Bangu (Brasil)

– Central Español (Uruguai)

– Puerto Montt (Chile)

– Audax Italiano (Chile)

– Magallanes (Chile)

– Río Branco (Brasil)

– Boston River (Uruguai)

– Athletic Club (Brasil)

– Sud América ​(Uruguai)

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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