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Atlético ganha um talento com Cárdenas, mas meia não vive o seu melhor momento

O Atlético Mineiro conquistou a Libertadores de 2013 com uma estratégia clara. O Galo montou uma equipe recheada de medalhões, especialmente repatriados. Muita gente torceu o nariz para o elenco montado por Alexandre Kalil, mas teve que dar o braço a torcer depois da sequência de milagres protagonizados pelos comandados de Cuca. Em 2014, os alvinegros não tiveram tanto sucesso na empreitada. Por isso mesmo, parecem mudar um pouco a estratégia para reconquistar o continente. Levir Culpi tem dado espaço a muitos jovens no elenco. No entanto, os principais reforços são estrangeiros: Lucas Pratto e, agora, Sherman Cárdenas, acompanhados também pela ótima fase de Jesús Dátolo no final do último ano.

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Cárdenas é um jogador que o Atlético não contava no elenco desde a saída de Ronaldinho. O meia com grande qualidade técnica e capacidade para decidir em um lance. Os atleticanos, aliás, se lembram bem do talento do armador do Atlético Nacional, responsável direto pela eliminação dos mineiros na última Libertadores. Sua chegada muda um pouco o estilo do time em relação ao que se viu na Copa do Brasil, por exemplo, quando o Galo apresentou um futebol mais vertical, sobretudo pela mobilidade de Tardelli, Luan e Carlos. De qualquer forma, o acréscimo do colombiano garante mais variações no elenco.

Com a bola nos pés, não há muitas dúvidas sobre o talento de Cárdenas. Conduz bem a bola, possui excelente visão de jogo e qualidade nos passes. O problema maior é a falta de constância do camisa 10 em mostrar essa qualidade técnica, por vezes aparecendo menos para o jogo do que deveria. Um dos principais motivos para ter perdido espaço no Atlético Nacional durante o segundo semestre de 2014. O técnico Juan Carlos Osorio preferia entregar a organização do time a Edwin Cardona, mais dinâmico e com maior poder de finalização. Não à toa, o camisa 10 foi quem mais deu trabalho ao São Paulo nas quartas de final da Copa Sul-Americana, e acabou vendido ao Monterrey no início deste ano.

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A partir de outubro, enquanto o Atlético Nacional se desdobrava entre o Campeonato Colombiano e a Copa Sul-Americana, Cárdenas foi titular em apenas nove dos 22 jogos da equipe – utilizado principalmente quando os Verdolagas poupavam o time no nacional pensando no continental. Além disso, saiu do banco em outras cinco ocasiões. Estava longe da fase espetacular dos tempos da Libertadores, quando geralmente atuava aberto na meia esquerda, ajudando também na recomposição. Foram dois gols e duas assistências do meia na competição, decisivo principalmente nas classificações contra o Galo e o Newell’s Old Boys – em confronto direto na última rodada da primeira fase, dentro de Rosário.

No Atlético Mineiro de Levir Culpi, Cárdenas poderá atuar tanto aberto pelos lados quanto centralizado na armação, garantindo até uma rotação maior entre as peças ofensivas, com Dátolo, Carlos, Luan e Guilherme entrando na rotação. Questão maior está exatamente nessa intensidade proposta pelo time, na qual o colombiano nem sempre está em sintonia, apesar de seu ótimo toque de bola e sua habilidade. A princípio, Cárdenas é uma boa aposta do Galo, mostrando o olhar atento do clube sobre o que acontece nos outros países da América do Sul. Mas o seu sucesso com a camisa alvinegra também dependerá de sua adaptação ao estilo do time e da recuperação de seu melhor futebol – o que, de fato, ele tem de sobra.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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