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Até que ponto o cruzeirense pode se empolgar com Leandro Damião?

O Cruzeiro fez o que se esperava na Libertadores. Após a vitória no primeiro encontro na Venezuela, a Raposa tinha o dever de repetir a dose contra o Mineros de Guayana em Belo Horizonte e dar um passo importante pela classificação na Libertadores. Missão cumprida sem tantos esforços: os 3 a 0 no placar do Mineirão ficaram até baratos, diante do domínio da equipe celeste sobre os visitantes. Contra uma equipe que até teve os seus momentos, mas permaneceu acuada durante quase todo o tempo, o Cruzeiro martelou. E quem aproveitou bem a ocasião foi Leandro Damião, eleito pela organização do torneio como melhor em campo.

Os cruzeirenses precisaram de apenas 15 minutos para resolver a partida. Marcelo Oliveira deu bastante liberdade aos laterais, que ajudaram na construção imediata do resultado. Primeiro, Mayke cruzou na medida para De Arrascaeta emendar a bicicleta e abrir o placar. Dois minutos depois, uma subida de Mena deu origem ao segundo gol, com Leandro Damião. Entretanto, a participação do camisa 9, ao dominar e fuzilar o goleiro, foi bem maior. Era o suficiente para os anfitriões levarem o jogo sem a pressão que poderia se sugerir.

O Cruzeiro pode não repetir os seus melhores momentos do bicampeonato brasileiro, mas fez uma boa partida ofensivamente, especialmente pela intensidade e movimentação. Leandro Damião apareceu bastante para abrir espaços e concluir as jogadas, ainda que não tenha conseguido passar pelo goleiro Rafael Romo, autor de defesas importante. Ao lado de De Arrascaeta na trinca de meia, quem também agradou foi Alisson, muito ativo pelo lado esquerdo do ataque, sobretudo nas jogadas de linha de fundo. E Henrique, que apareceu na área para marcar o terceiro gol após uma cobrança de escanteio, também ajudou bastante na saída de bola e no volume de jogo cruzeirense.

Não que o Mineros representasse tanto perigo, especialmente pelas brechas deixadas pela zaga. Os venezuelanos se seguravam como podiam e até acharam espaços duas vezes, a partir de ataques rápidos. Na primeira, o chute foi para fora, enquanto Fábio apareceu para salvar no segundo tempo. Nada que tirasse a tranquilidade do Cruzeiro. Por mais que o adversário não seja exatamente um grande desafio, a Raposa se impôs como deveria no Mineirão.

E quem cria expectativas neste momento é Leandro Damião. O atacante soma 11 gols em 15 partidas desde que chegou ao Cruzeiro, balançando as redes uma vez em sete dos últimos oito jogos do time. Exceção feita ao clássico contra o Atlético Mineiro, nenhum adversário vazado pelo camisa 9 tinha tanto peso. De qualquer forma, a excelente sequência empolga os cruzeirenses com o centroavante. Para quem viu Marcelo Moreno se recuperar no clube durante o último ano, não seria surpreendente que o mesmo acontece com o ex-santista.

É preciso ressaltar que Damião já passou por questionamentos logo na chegada à Toca da Raposa. Mesmo nos primeiros dois jogos da fase de grupos da Libertadores, as oportunidades desperdiçadas deixaram a equipe em apuros. Mas, por enquanto, a fase atual vai deixando as desconfianças para trás. O camisa 9 segue com alguns deslizes e por vezes apresenta carências em fundamentos básicos. Independente disso, para um ofício de quem depende de gols, vai fazendo a sua parte. Talvez para restaurar a confiança que lhe sobrava em seu auge no Inter e tanto fez falta no Santos. E, para um centroavante, confiar no taco representa demais – tanto que já igualou o número de tentos da passagem pela Vila.

Com a ajuda de Damião, o Cruzeiro lidera o Grupo 3 da Libertadores. São oito pontos em quatro rodadas e a classificação estará garantida com um empate qualquer na visita ao Huracán na Argentina, durante a próxima terça-feira. Neste momento, acima da vaga nas oitavas, o interesse maior dos celestes já está na pontuação máxima, visando escapar de adversários mais difíceis nos mata-matas. Quando a Libertadores realmente começa. E quando dará para saber o quão eficaz será o poder de fogo de Damião.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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