América do Sul

Até que ponto ainda dá para confiar em Lugano?

Diego Lugano é inegavelmente um dos grandes símbolos da seleção uruguaia. Capitão na ótima campanha na Copa do Mundo e no título da Copa América, inquestionável por seu poder de marcação e pela raça. Um grande jogador, mas que parece ter ficado no passado. Lugano não vem bem há tempos e deu prova contundente contra a Nigéria.

É verdade que Lugano marcou o primeiro gol uruguaio na partida. E foi só. Se a defesa uruguaia anda dando sustos demais em sua torcida, o capitão possui sua parcela de culpa. Foi facilmente driblado por Obi Mikel no tento da Nigéria e mostrou-se perdido nos lances em velocidade dos africanos. Fechou a partida com apenas um desarme, além de quatro interceptações. Ao menos no jogo aéreo, não comprometeu.

O declínio de Lugano é bastante explicado por sua falta de ritmo com os clubes nas últimas duas temporadas. Contratado cheio de expectativas pelo Paris Saint-Germain, disputou apenas 21 partidas e perdeu espaço após a chegada de Carlo Ancelotti. No último semestre, foi levado pelo Málaga e esteve em campo apenas 11 vezes, a maioria em partidas de pouca importância para os boquerones.

A importância de Lugano dentro do elenco é gigantesca. Dentro de campo, porém, o zagueiro tem seu papel bastante questionável no funcionamento do time. É difícil imaginar que Óscar Tabárez peitará seu capitão e irá barrá-lo. De qualquer forma, é bom pensar em outras alternativas de não deixar a defesa tão exposta – ainda que ninguém se coloque como herdeiro do veterano.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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