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As sete semanas de espera fizeram de Inter x Tigres um duelo de incógnitas na Libertadores

Foram 48 dias de espera entre as quartas de final e a semifinal da Libertadores. E tanto tempo, amigos, é mais do que suficiente para que reviravoltas aconteçam no futebol. Internacional e Tigres duelam nesta quarta, no Beira-Rio, sem se saber muito o que esperar. Afinal, o embalo dos colorados nos mata-matas do torneio continental se perdeu no longo “descanso” do Brasileirão. Já os felinos nem entraram em campo em partidas oficiais, mas causaram enorme impacto no mercado, ao trazerem nomes de peso da Europa. Pelo que fizeram nas fases anteriores, há uma noção sobre o potencial dos times. No entanto, as respostas de verdade só virão ao longo dos 180 minutos do duelo.

A preocupação da torcida do Internacional é evidente. Desde que o time de Diego Aguirre eliminou o Independiente Santa Fe em Porto Alegre, só conquistou três vitórias em dez jogos. Até existe a desculpa da rotação promovida pelo técnico, das lesões neste intervalo e da ausência de Charles Aránguiz, na Copa América. Mesmo assim, são detalhes que não convencem muito para explicar a queda de rendimento. A situação degringolou desde o início de julho, com três derrotas consecutivas: os 3 a 0 acachapantes do Sport no Recife; os atropelamento do Atlético Mineiro no Beira-Rio por 3 a 1; e outra queda em casa, desta vez para o Flamengo. No último final de semana, a vitória sobre o lanterna Joinville serviu para afastar o clube da zona de rebaixamento e dar calma. Só que as dúvidas persistem.

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Durante a classificação na Libertadores, especialmente contra o Atlético Mineiro e o Santa Fe, o Internacional atuou de uma maneira arriscada, mas precisa. Dava o campo ao adversário, se defendendo muito bem, e explorava os contra-ataques com enorme eficiência. Além disso, algumas apostas de Aguirre viviam momento iluminado, como Valdívia e Rodrigo Dourado. Só que tantos predicados desapareceram especialmente no duelo contra o Flamengo, quando a escalação foi a mais próxima da ideal. Mesmo contra um adversário desorganizado ao longo do campeonato, o Inter foi inferior e tomou muito sufoco no início do segundo tempo.

A boa notícia é que mesmo os desfalques recentes deverão estar em campo contra o Tigres. Aránguiz, Juan e Eduardo Sasha provavelmente voltarão ao time titular, assim como Réver está liberado. A dúvida maior se concentra apenas sobre Nilmar. Olhando no papel, ao menos, os colorados têm força para fazer um bom papel no Beira-Rio. Resta saber se a falta de sequência entre os companheiros não atrapalhará neste momento de exigência, especialmente pelo fato de alguns deles estarem longe do ritmo de jogo ideal. Ainda que a motivação pela Libertadores seja máxima. Ao longo das sete semanas em que poderia, ao menos, aprimorar o entrosamento de suas principais peças, Aguirre não conseguiu trabalhar e colheu péssimos resultados. Agora, seu emprego depende muito mais da classificação à final.

gignac

O Tigres, por sua vez, ao invés de recuperar a sua cara, precisará ganhar uma. Logicamente, a equipe do técnico Tuca Ferretti tem um padrão de jogo definido. Os felinos costumam trabalhar bem a bola, embora também se acomodem demais em campo. E, sobretudo, dependem dos talentos individuais. O que até deve aumentar agora. Se os protagonistas do time já eram Rafael Sóbis, Nahuel Guzmán e Egídio Arévalo Ríos, agora eles têm a companhia de nomes de valor: André Pierre Gignac é o reforço que causou maior repercussão, chegando ao lado de Ikechukwu Uche, Alan Pulido, Jürgen Damm e Javier Aquino.

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A questão de Tuca Ferretti será encaixar todas essas peças, com a necessidade de conquistar o resultado imediatamente. E as escolhas não são tão simples assim. Gignac deve ser titular no ataque, mas deve tomar a posição de Enrique Esqueda, que já tinha tirado espaço de Joffre Guerrón na equipe. Sem falar que, com tantas opções para o ataque, o Tigres não pode se descuidar da defesa, onde já demonstrou dificuldades. Segurar o resultado no Beira-Rio será fundamental não apenas para ter maior noção sobre o funcionamento do novo time e mais tempo para afinar a sintonia, mas também para contar com a pressão do Estádio Universitário de Nuevo León. Em casa, os mexicanos terão com casa cheia e enorme pressão de uma das torcidas mais fanáticas do país. E um nome importantíssimo neste duelo será Rafael Sóbis. Além de comandar o ataque e ser um dos melhores jogadores da competição, o atacante conhece muito bem o clube onde ainda é ídolo.

A diferença maior entre os times está entre o que rola além da Libertadores. A competição sul-americana é um objetivo para o Tigres, mas só o primeiro deles em uma temporada que começa agora no México. Ainda há o sonho de conquistar o quarto título nacional, assim como a Concachampions, na qual os felinos também estão e iniciam a disputa a partir da segunda metade de agosto. Para o Inter, contudo, a Libertadores vale um ano inteiro. Os colorados possuem tempo para uma reviravolta no Brasileiro, mas o caminho é longuíssimo e bastante duro, já 12 pontos atrás do G-4. Além disso, muitos apostam que a queda na copa derrube junto Aguirre. E iniciar um novo projeto bem no meio da Série A não traz grandes expectativas.

Mas, por enquanto, tudo não passa de teoria. O quanto a parada da Libertadores afetou o Inter? A má fase do time de Diego Aguirre perdurará ou o time entrará em campo com uma postura diferente no torneio continental? E os reforços do Tigres, surtirão efeito desde já? A grana pesada que os mexicanos investiram realmente garantirá uma história de sucesso nas Américas? Cenas para as duas próximas quartas-feiras, com o desvendamento começando nos primeiros 90 minutos do Beira-Rio.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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