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As 5 maiores campanhas da história da Ponte Preta

O que diriam se o Corinthians chegasse à final da Copa Sul-Americana depois de vencer o Vélez Sársfield em Buenos Aires e bater o São Paulo? E se fosse o Flamengo? Ou o Grêmio? Seriam momentos épicos, provas de grandeza internacional de alguns dos clubes mais tradicionais do Brasil. Mas o responsável por isso foi a Ponte Preta. Sim, a Macaca, que luta para não ser rebaixada, que muitas vezes é lembrada por não ter título algum. Mas é essa equipe da Ponte sem estrelas e que tem em Rafael Ratão a maior promessa feita em casa que está perto de tirar o time da fila.

Já podemos dizer que essa é a maior campanha da história da Ponte Preta? Grandes participações não faltam nesses 113 anos. Peguei as melhores e montei um ranking com as cinco. Confiram, e cornetem.

5) Paulistão 1977

O Campeonato Paulista de 1977 ficou marcado pelo final dos 23 anos de fila do Corinthians. E, sempre que se fala da Ponte Preta, adversária naquela decisão, vem acompanhado de um “era mais time que o Corinthians”. Era, de fato, uma equipe muito boa, mas a própria Macaca teve participações mais brilhantes que a daquele ano.

A Ponte pecou pelo início de campanha muito instável. No primeiro turno, não passou para as semifinais porque venceu apenas seis dos 18 jogos (ainda que, das seis vitórias, quatro foram com três gols ou mais, o que dava três pontos). No segundo, venceu 12 jogos (inclusive um 4 a 0 no Corinthians), mas ficou de fora do mata-mata no saldo de gols.

O time deslanchou mesmo no terceiro turno, quando teve cinco vitórias e dois empates nos sete jogos. Todas as partidas contra as grandes equipes paulistas da época: as cinco grandes tradicionais, mais Guarani e Botafogo de Ribeirão Preto. Aí o time chegou à final, mas a instabilidade das fases anteriores fez que o Corinthians tivesse vantagem do empate na prorrogação após três jogos.

4) Paulistão 1979

A campanha da Ponte no Paulista de 1979 não foi tão boa quanto a de dois anos antes. Empatou metade dos 38 jogos da primeira fase, mas garantiu a classificação para a segunda, quando embalou. Foi a primeira colocada no Grupo 1 e garantiu vaga no mata-mata.

Aí vem o motivo de a Macaca de 1979 estar à frente da Macaca de 1977 nesse ranking. Na semifinal do campeonato, a Ponte teve de disputar uma vaga na final contra o Guarani, campeão brasileiro do ano anterior. Os alvinegros venceram as duas partidas. Não importa que, na decisão, o Corinthians tenha vencido com mais facilidade que em 1977. A Macaca de 1979 tirou o Guarani da final, e isso garantiu àquela campanha uma posição no nosso ranking.

3) Brasileiro 1981

A grande participação nacional da Macaca. Foi uma campanha consistente desde o início. Na primeira fase, os campineiros ficaram em segundo lugar no Grupo A, um ponto atrás do Vasco (mas à frente de Internacional e Vitória). Na segunda, a Ponte venceu o Grupo F, deixando para trás Bahia, Santa Cruz e o algoz Corinthians e assegurando uma vaga nas oitavas de final.

No mata-mata, a Ponte Preta eliminou o Náutico e o Vasco. Chegou à semifinal contra o Grêmio. Perdeu no Majestoso por 3 a 2, e ia a Porto Alegre apenas para ver os gremistas ratificarem a classificação para a final. Nada disso!

Diante de 98.421 torcedores (85.751 pagantes, marca que nunca será batida no Olímpico), a Macaca venceu por 1 a 0. O Grêmio se classificou porque tinha vantagem do empate agregado, mas a Ponte, pela segunda vez em quatro anos, vencia fora de casa no jogo decisivo que registrou recorde de público de um grande estádio brasileiro.

Uma grande campanha nacional era o que a Ponte precisava para reforçar sua posição como uma das grandes forças do Brasil naquela época.

2) Copa Sul-Americana 2013

Chegar à final de sua primeira competição internacional já é um grande feito. Mas conseguir isso depois de passar pela altitude, bater o campeão argentino em Buenos Aires e o atual campeão do torneio fora de casa ajuda a aumentar a mística que se cria em torno da participação da Ponte Preta na Sul-Americana 2013. Coisa de time grande, coisa de time que joga competição continental todo ano.

A Epopeia do Cuspe (entenda aqui) ainda não terminou. Dependendo das circunstâncias da final contra Libertad ou Lanús, a campanha ganhará uma posição nesse ranking e ficará como a maior da história do segundo clube mais antigo em atividade do Brasil (e mais antigo em atividade ininterrupta). Faltam dois jogos. Aguardamos ansiosamente.

1) Paulistão 1981

O pontepretano foi muito feliz em 1981. Além da campanha no Brasileirão, o time presenteou a torcida com uma campanha espetacular no Paulistão. Na segunda fase do primeiro turno, quando todas as equipes se juntaram, a Ponte passeou: foi a primeira colocada com apenas uma derrota em 19 jogos, terminando quatro pontos à frente do segundo colocado (o Guarani).

Na terceira fase, Ponte e Guarani foram para grupos diferentes, e ambos conquistaram a vaga na final do turno de forma invicta. O futebol de Campinas estava no topo. Macaca e Bugre se enfrentariam para decidir o campeão do primeiro turno e uma vaga na finalíssima do estadual. No Brinco de Ouro, 1 a 1. No Majestoso, a Ponte venceu por 3 a 2 no que pode ser considerado o maior Dérbi Campineiro da história.

No segundo turno, a Ponte baixou a guarda, mas ainda foi competitiva. Terminou a primeira fase na quarta posição, apenas três pontos atrás do líder São Paulo. Na segunda fase, brigou por um lugar na decisão até a última rodada, quando foi eliminada por um empate com o Palmeiras.

Na final, a Macaca cruzou com o São Paulo. Duas partidas no Morumbi: empate por 1 a 1 no jogo de ida e vitória tricolor por 2 a 0 no de volta. E assim acabava a maior campanha da história da Ponte Preta. Pelo menos até a decisão da Copa Sul-Americana.

Se você quiser ver um compacto de 40 minutos do espetacular 3 a 2 de 1981, o vídeo vai abaixo (com direito a narração de Luciano do Valle):

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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