Argentina

Autoridade de Segurança critica ação da polícia em Gimnasia x Boca: “Morte que deveria ter sido evitada”

O ministro de Segurança da província de Buenos Aires, Sergio Berni, afirmou que a polícia "resolveu a situação da pior maneira"

O ministro de Segurança da província de Buenos Aires, Sergio Berni, criticou a ação da polícia contra a multidão nos arredores do Estádio Del Bosque durante o jogo entre Gimnasia La Plata e Boca Juniors na última quinta-feira, pela 23ª rodada da Superliga Argentina. A partida foi interrompida aos nove minutos e um torcedor de 57 anos do time local morreu ao sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Os portões foram fechados pouco antes ou na hora em que o jogo começou, deixando torcedores com ingressos para uma partida decisiva da Superliga Argentina no lado de fora. Eles tentaram entrar, e a polícia reagiu com gás lacrimogêneo – que transbordou ao gramado e levou jogadores, técnicos e público a buscarem refúgio – e balas de borracha.

Na noite da quinta-feira, Berni havia dito que torcedores sem ingressos haviam tentado entrar no estádio, mas em nova entrevista endossou a versão de que foram vendidos mais bilhetes do que a capacidade de 21.500 pessoas do Del Bosque e que a situação foi gerada pela “falta de escrúpulos de quem quer apenas fazer negócio com o futebol”.

“A polícia resolveu a situação da pior maneira”, disse, em entrevista ao canal TN, segundo o Clarín. “Não tenho nenhuma dúvida de que a ação da polícia não foi correta. Estamos à disposição da promotoria que está investigando todos os elementos e não tenho dúvidas de que foi uma morte que deveria ter sido evitada. Não resolveram a situação da maneira mais conveniente. Pode ter sido imperícia, pode ter sido negligência. O que digo é que a polícia não teve capacidade para resolver uma situação que não estava prevista”.

Segundo Berni, havia “20 ingressos de cortesia” para cada um que a Federação Argentina de Futebol vendia. “O controle das entradas não é feito pela polícia, mas pelo clube (Gimnasia) que fez vista grossa”, disse. Acrescentou que os torcedores que foram barrados “se inflamaram e quiseram entrar”.

Em um comunicado lamentando a morte do torcedor, identificado como César Regueiro, o Gimnasia La Plata cobrou uma investigação e disse que “cumpriu todos os protocolos estabelecidos pelos órgãos de segurança” e negou que tenha havido sobrecarga de ingressos. “O comportamento de nossos sócios e torcedores foi correto”, acrescentou.

Berni, que classificou como “ato criminal” o uso de balas de borracha contra o público a uma curta distância, deixou seu cargo à disposição do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, mas não acredita que tenha tido responsabilidade direta pelo ocorrido.

“Sou ministro da Segurança, mas há responsáveis com a função de levar adianta essa operação e não a resolveram bem. Eu não me considero responsável pelo que passou. Não estava no comando da operação de segurança. Para isso, há toda uma cadeia de comando. Minha renúncia está todos os dias à disposição do governador, mas há responsáveis que tinham a função de realizar a operação que não foi bem resolvida”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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