Argentina

Por uma Argentina convicta até 2014

A declaração, de certa forma, surpreende. Em coletiva para o jogo contra a Argentina, pela abertura das Eliminatórias, Claudio Borghi se mostrou grato pela oportunidade que terá nesta sexta-feira à noite, no Monumental de Nuñez. A oportunidade de acompanhar Lionel Messi de perto. Vindo de Borghi, chega a estranhar. Não pelo treinador e seus métodos em si. Mas pelo que ele afirmou pouco tempo atrás, após assumir o comando da seleção chilena no lugar de Marcelo Bielsa.

Para resumir, algo como Messi já chegou até onde poderia chegar, ao seu limite, enquanto que Alexis Sanchez, seu pupilo, teria toda uma estrada ainda por percorrer e que poderia levá-lo ainda mais longe. Por longe, acredite ou não, a ser melhor que Messi. É como se fôssemos ter dois Messis logo mais em campo. Aliás, eles até jogam juntos no mesmo clube, o Barcelona, mas não poderão medir forças à noite. Alexis é um dos desfalques do Chile para a sua estreia nas Eliminatórias. Pablo Contreras, Osvaldo González e Esteban Paredes são outros.

Dificuldades para o Chile. Dificuldades para a Argentina. Quando afirma que Sanchez pode vir a ser melhor que Messi, você pode concordar ou não, mas não duvide de Claudio Borghi: ele acredita mesmo naquilo que fala. Se não acreditasse, pode ter certeza, não estaria onde está. Se hoje é treinador, é porque um dia desistiu de ser agente. Simplesmente por não se julgar em condições de mentir, de vender para alguém um jogador que, ele mesmo acreditava, não escalaria para o seu time.

É bem essa a cara do Chile. Um Chile que veio de Bielsa, parou em suas mãos e pouco mudou. Um Chile convicto naquilo que faz. Essa convicção talvez seja algo que falte à Argentina. O Brasil não estará lá para colocá-la à prova. Outras tantas equipes, no entanto, estarão. Naquela que, mesmo sem a presença do time de Mano, não poderão ser consideradas umas eliminatórias mais ou menos fracas. Não serão nem uma coisa nem outra. A Copa América está aí para dar uma ideia das dificuldades que virão. É preciso estar convicto naquilo que é preciso fazer. Alejandro Sabella, novo treinador argentino, me parece estar. Só não se sabe se isso será suficiente para levar o grupo albiceleste a outro nível. Aquele perseguido já há algum tempo.

As eliminatórias representam uma boa oportunidade para se descobrir isso. A primeira e talvez única para que Sabella o faça. Sim, porque se essa é uma Argentina que, mesmo com tão bons jogadores, se acostumou a abandonar mais cedo os torneios, é também uma Argentina que não fez questão de se testar muito ao longo dos últimos anos. Em levantamento feito pelo colega Marcelo Gantman, do jornal La Nación, fica bem claro. Desde 2000, foram 65 amistosos disputados. Jogos contra Itália, Holanda, Brasil, Espanha e França. O grosso das partidas, porém, é formado por rivais fracos, que pouco ou nenhum obstáculo poderiam impor.

Uma Argentina convicta, ainda assim. Convicta de seu desejo por arrecadar dinheiro em acordos comerciais pra lá de contestáveis. E convicta aparentemente também de sua incapacidade de crescer. É contra tudo isso que Sabella vai de encontro a partir desta sexta-feira. Os resultados dos jogos contra o Brasil pouco importam. Importavam mais como a largada de um trabalho e não passava daí. De lá, já se extraiu algo de útil, por assim, dizer, Héctor Canteros, jogador do Vélez Sarsfield elogiado até mesmo por Ronaldinho Gaúcho. Não será ele, contudo, que resolverá os problemas argentinos em sua caminhada até 2014. Não será por ele que Claudio Borghi interromperá um diálogo com seu assistente para parar para ver. Borghi vai convicto ao Monumental nesta noite. Os argentinos torcem para que o seu time também.

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Equipe Trivela

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