Argentina

O camisa 10 que parou Ronaldinho

Desde 2007 no Brasil, dá pra dizer que Guiñazu já se sente em casa por aqui. Tão em casa que, entre outras coisas, chegou a tentar algo para que gente da sua família seguisse carreira por esses gramados. Caso do sobrinho Horacio Guiñazu, de passagem rápida e frustrada pelo interior gaúcho.

Nessa mesma Porto Alegre que o acolheu tão bem e que fez dele ídolo do Inter – ainda que, e os comentários que chegam de lá mostram isso, essa condição já tenha parecido mais sólida –, o volante argentino enfrenta um dilema. Nesta quinta-feira, durante o treino colorado, o jogador revelou o que lhe tira o sono em casa. Exagero, claro, mas vamos à tal coisa.

“Meu filho chegou com um ano ao Brasil e, agora, tem cinco. Como dizer para ele não torcer contra o time do cara que dá uma lambreta e, sim, para o argentino, que dá carrinho?”, brincou, de acordo com o jornal “Zero Hora”.

Guiñazu se referia ao jogo entre Brasil e Argentina, disputado na quarta-feira, pelo Superclássico das Américas, Copa Nicolás Leoz, como queira. Lá, os eternos rivais fizeram um jogo sonolento, a ser eternizado apenas, e isso ficará a cargo de Leandro Damião, pelo chapéu que o atacante do Inter aplicou sobre o lateral-esquerdo Emiliano Papa. Um brasileiro que dá chapéu num argentino que dá carrinho. Foi dessa forma que o atleta colorado dividiu os jogadores dos dois países no panorama da bola.

Simplista, claro. E acima de tudo, uma brincadeira. Uma brincadeira que tem lá o seu fundo de verdade. Muitos argumentariam com a cena com que se depararam no início do jogo. De um lado, Ronaldinho, Damião e Neymar. Enquanto que, do outro, envergando a camisa 10, aquela mesmo que já foi de Maradona, Messi e outros tantos, um jovem que, para jogar em seu clube, precisou da saída de um companheiro e da lesão de outro – aí referidos Leandro Somoza e Franco Razzotti. Isso aos 22 anos, depois de nesse meio tempo ter pedido para se transferir para o Godoy Cruz. Falta de ambição? Não, apenas vontade de jogar.

Héctor Canteros queria jogar. Mais que isso, fazer também os seus companheiros jogar. Provar que não era uma eterna promessa como já se pintava por aqueles cantos de Liniers. Viu o seu Vélez Sarsfield ser campeão do último Torneio Clausura do banco de reservas. Não figura entre aqueles que mais jogaram. Agora joga. Quase sempre os 90 minutos. Não deverá se acostumar assim com a camisa da albiceleste. Pelo menos não tão cedo. Mas ao menos já deixou entre os seus compatriotas a impressão de que pode ser uma alternativa a Mascherano entre os titulares.

Camisa 10 elogiado por Ronaldinho e que obrigou o técnico Alejandro Sabella a abrir uma exceção em sua análise coletiva sobre o que foi a Argentina na quarta, Canteros ofuscou a ausência de Riquelme desarmando e armando o jogo como um veterano com boa rodagem. Algo no qual ele admite, se inspira em Xavi e Pirlo. Personalidade e passe vertical. Marcas da dupla e que a revelação do Fortín apresentou como seu cartão de visitas.

Deverá colocá-las mais uma vez prova no final do mês, quando Brasil e Argentina voltam a se enfrentar. Até lá, com qualquer que seja a camisa, tranquilo ou não por usar o número que foi de Maradona e veste Messi, Tito Canteros poderá ser visto em ação pelos campos argentinos com um Vélez de início um tanto irregular no Torneio Apertura e que vê Lanús – sempre ele –, Boca Juniors e Atlético Rafaela – surpresa – monopolizarem as atenções nesse início de campeonato. O camisa 10 que parou Ronaldinho. Inclusive, para ser admirado.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo