Guia Torneo Final (I)
O Torneo Final que se inicia, na próxima sexta-feira, decerto será dos técnicos. A junção do mercado de transferência morno – que apresentou Fernando Gago como a bomba – e de comandantes de prestígios a frente de importantes equipes, tornou os treinadores o maior destaque do campeonato.
Sejam os consagrados – Carlos Bianchi (Boca Juniors), Ramón Díaz (River Plate), Ricardo Gareca (Vélez Sarsfield) e Américo Tolo Gallego (Independiente) -, os intermediários, por assim dizer – Gerardo Tata Martino (Newell’s Old Boys), Nestor Gorosito (Tigre), Jorge Burruchaga (Atlético Rafaela) e Roberto Sensini (Colón) – ou os em início de carreira – Martín Palermo (Godoy Cruz), Guillermo Barros Schelotto (Lanús), Diego Cagna (Estudiantes), Luis Zulbedía (Racing) e Ricardo Zielinski (Belgrano) – eles serão o golpe de efeito.
Quantos aos clubes, aposto no rebaixamento de um grande, o Independiente, e no Lanús, Boca Juniors, River Plate e Vélez Sarsfield brigando pelas primeiras posições, este último em vantagem técnica, porém o Millonário e o Granate com vantagens por não disputarem outras competições.
ALL BOYS
Club Atlético All Boys (15 de março de 1913)
Estádio Islas Malvinas, em Buenos Aires (capacidade 21 mil)
Título: Não possui.
Última campanha: 12º
Sem grandes perspectivas, a meta do Albo neste Torneo Final é somar pontos no promedio, porém deve ficar no meio da tabela de classificação. A equipe se supera no jogo coletivo, mas é carente de qualidade e possui uma defesa muito frágil. A questão psicológica do time também é um problema: recebe muitos cartões, às vezes desnecessários.
Quem chegou: José Manuel Caspary (Deportivo Armenio)
Quem saiu: Patrício Toranzo (retornou ao Racing) e Mauro Matos (San Luis Potosí/México)
Time base: Nicolás Cambiasso; Hernán Grana, Maximiliano Coronel, Jonathan Ferrari e Francisco Martínez; Fernando Sánchez, Oscar Ahumada e Juan Pablo Rodríguez; Santiago Montoya Muñoz; Iván Borghello e Ángel Vildozo. Técnico: José Romero.
ARGENTINOS JUNIORS
Asociación Atlética Argentinos Juniors (15 de agosto de 1904)
Estádio Diego Armanda Maradona, em Buenos Aires (capacidade 25 mil)
Títulos: 3 (Metropolitano 1984, Nacional 1985 e Clausura 2010)
Última campanha: 15º
O Bicho não deve assustar ninguém nesta temporada. Pior: deverá repetir o fraco desempenho do Torneo Inicial. Afinal, o time tem um plantel fraco, não possui identidade sólida de jogo, a defesa não é confiável e o ataque não é eficiente. Ou seja, ótima receita para terminar entre a metade e o final da tabela. Apesar de ainda ter risco de rebaixamento, há outras equipes mais comprometidas em descer, esta é a sua sorte.
Quem chegou: Matías Martínez (Racing)
Quem saiu: Franco Canever (Instituto), Ciro Rius (Godoy Cruz), Juan Sabia (livre), Gustavo Oberman (Quilmes) e Gabriel Peñalba (Tigre).
Time base: Nereo Fernández; Miguel Torrén (Pablo Barzola), Matías Martínez, Ariel Garcé e Diego Placente; Matías Laba; Marcos Figueroa, Alejandro Capurro, Gaspar Iñiguez e Pablo Hernández; Juan Luis Anangonó (José Luis Fernández). Técnico: Gabriel Schurrer.
ARSENAL
Arsenal Fútbol Club (11 de janeiro de 1957)
Estádio Julio Humberto Grondona, em Sarandí (capacidade 18 500)
Títulos: 2 (Clausura 2012 e Supercopa 2012)
Última campanha: 7º
O ano de 2012 foi excelente para o Viaducto e dificilmente vai repeti-lo neste ano. Apesar de o plantel não ser forte, a base foi mantida e o clube ainda contratou mais duas opções para o setor ofensivo (não tenho certeza se pode chamá-los de reforços), que carecia de mais qualidade, com o meia Rolle e o atacante Furch. Deverá ficar entre o meio e a parte de cima da tabela e conseguirá uma vaga na Sul-Americana. O destaque segue sendo o ótimo Lisandro López, o melhor zagueiro do futebol argentino.
Quem chegou: Julio Furch (San Lorenzo) e Martín Rolle (San Lorenzo)
Quem saiu: Gustavo Canales (Unión Española/Chile) e Juan Pablo Caffa (Asteras Trípodi/Grécia)
Time base: Cristian Campestrini; Hugo Nervo, Lisandro López, Diego Braghieri e Damián Pérez; Carlos Carbonero, Jorge Ortíz, Iván Marcone e Martín Rolle; Pablo Lugüercio (Julio Furch) e Emilio Zelaya. Técnico: Gustavo Alfaro.
ATLÉTICO RAFAELA
Asociación Mutual Social y Desportiva Atlético de Rafaela (13 de janeiro de 1907)
Estádio Nuevo Monumental, em Rafaela (capacidade 18 mil)
Título: Não possui.
Última campanha: 13º
A Crema fez uma campanha regular no Inicial, mas ainda corre risco de rebaixamento. A meta será brigar para escapar, e vai conseguir. Afinal, há equipes com mais vontade de cair do que ela. Entretanto, Burruchaga precisa organizar o sistema defensivo se quiser cumprir o objetivo. No ataque, Vera chegou para ser o homem gol.
Quem chegou: Julián Fernández (La Serena/Chile) e Diego Vera (Querétaro/México)
Quem saiu: Martín Zbrun (Instituto)
Time base: Esteban Conde; Oscar Carniello, Lucas Bovaglio, Fabricio Fontanini e Christian Machín; Germán Rodríguez, Raúl Ferro e Juan Eluchans e Sebastián Grazzini; Diego Vera e Federico González (Jonathan López). Técnico: Jorge Burruchaga.
BELGRANO
Club Atlético Belgrano (19 de março de 1905)
Estádio Julio César Villagra, em Córdoba (capacidade 28 mil)
Títulos: Não possui.
Última campanha: 3º
Os Piratas fizeram uma campanha sensacional no Torneo Inicial, mas, apesar do equilíbrio entre defesa e ataque, a equipe não terá gás para repeti-la e deverá ficar pelo meio da tabela. Mas ainda assim tem condições de conseguir uma vaga na Sul-Americana. Os destaques deste time são Olave e Farré. No entanto, faltam referências ofensivas.
Quem chegou: Ninguém.
Quem saiu: Pier Barrios (Gimnasia de Jujuy); Claudio Chiqui Pérez (Boca Juniors) e Lucas Parodi (Cobresal/Chile)
Time base: Juan Carlos Olave; Gastón Turús, Luciano Lollo, Sergio Rodríguez (Lucas Aveldaño) e Juan Quiroga; Cesar Mansanelli, Guillermo Farré, Esteban González e Jorge Velázquez; César Pereyra e Víctor Aquino. Técnico: Ricardo Zielinski.
BOCA JUNIORS
Club Atlético Boca Juniors (3 de abril de 1905)
Estádio Alberto J. Armando (La Bombonera), em Buenos Aires (capacidade 49 mil)
Títulos: 26 (1931, 1934, 1935, 1940, 1943, 1944, 1954, 1962, 1964, 1965, Supercopa 1969, Nacional 1969, 1970, Metropolitano 1976, Nacional 1976, Metropolitano 1981, Apertura 1992, Apertura 1998, Clausura 1999, Apertura 2000, 2003, 2005, Clausura 2006, Apertura 2008, 2011 e Supercopa 2011/12)
Última campanha: 6º
O retorno de Carlos Bianchi ao comando da equipe Xeneize trouxe de volta a mística, mas só isso não será suficiente. Por isso que a equipe segue em reformulação no conceito e na forma de atuar, o que demanda tempo. Adepto do 4-3-1-2, o Virrey já elegeu seus 11 titulares, mas precisa fazer alguns ajustes em todos os setores. A equipe poderá até brigar pelos primeiros lugares se conseguir superar as deficiências, contudo, o foco será a Copa Libertadores. Dentro de campo, o destaque é Burrito Martínez.
Quem chegou: Damián Escudero (retornou do Atlético Mineiro/Brasil), Claudio Chiqui Pérez (Belgrano), Ribair Rodríguez (Siena/Itália) e Juan Manuel Martínez (Corinthians/Brasil).
Quem saiu: Rolando Schiavi (aposentou-se), Sebastián Battaglia (aposentou-se) e Cristian Chávez (Lanús)
Time base: Agustín Orión; Franco Sosa, Matías Caruzzo (Lisandro Magallán), Guillermo Burdisso e Clemente Rodríguez; Ribair Rodríguez, Leandro Somoza e Walter Erviti; Leandro Paredes; Juan Manuel Martínez e Santiago Tanque Silva. Técnico: Carlos Bianchi.
COLÓN
Club Atlético Colón
Estádio Brigadier General Estanislao López (Cemitério dos Elefantes), em Santa Fé (capacidade 40 mil)
Títulos: Não tem.
Última campanha: 10º
Embora os Sabaleros tenham bons jogadores no plantel, a equipe fez apenas uma campanha regular no Inicial. O que deverá se repetir neste Torneo Final, com a equipe pelo meio da tabela. Ironicamente, Sensini vem tentando, neste pré-temporada, ajustar o setor mais eficiente do time: o ofensivo. Enquanto a defesa, que mostrou-se vulnerável, segue intacta.
Quem chegou: Maurício Romero (Morelia/México)
Quem saiu: Julio Barraza (livre)
Time base: Diego Pozo; Gerardo Alcoba, Mauricio Romero e Maximiliano Pellegrino; Gabriel Graciani, Adrián Bastía, Sebastián Prediger e Bruno Urribarri; Iván Moreno y Fabianesi e Lucas Mugni (Facundo Curuchet); Emmanuel Gigliotti. Técnico: Roberto Sensini.
ESTUDIANTES
Club Estudiantes de La Plata (4 de agosto de 1905)
Estádio Ciudad de La Plata, La Plata (capacidade 53 mil)
Títulos: 5 (Metropolitano 1967, Metropolitano 1982, Nacional de 1983, Apertura 2006 e Apertura 2010)
Última campanha: 9º
A base foi mantida e o plantel enxugado. Cagna, que é um dos discípulos de Bianchi, tem uma equipe organizada, com defesa sólida, meio-de-campo compacto e ataque de qualidade, mas… que faz poucos gols. Este talvez seja o maior problema do Pincha, que tem condições de brigar por posições melhores do que a alcançada no último Torneo e uma vaga na Sul-Americana.
Quem chegou: Alessio Innocenti (Milan/Itália) e Kevin Rendón (Deportivo Pasto/Colômbia)
Quem saiu: Agustín Alayes (aposentou-se), Leandro González (Olimpo), Justo Villar (livre), Mariano González (livre), Mauro Fernández (livre) e Matías Sánchez (livre)
Time base: Agustín Silva; Marcos Angeleri, Jonathan Schunke, Leandro Desábato e Germán Ré (Raúl Iberbia); Marcos Gelabert, Rodrigo Braña, Román Martínez e Maximiliano Núñez; Gastón Fernández e Duván Zapata. Técnico: Diego Cagna.
GODOY CRUZ
Club Deportivo Godoy Cruz Antônio Tomba (1 de junho de 1921)
Estádio Feliciano Gambarte (La Bodega), em Mendoza (capacidade 21 mil)
Títulos: Não tem.
Última campanha: 14º
O Tomba ainda corre risco de rebaixamento e não pode relaxar. O plantel mendocino é fraco e, apesar de alguns jogadores da defesa atuarem juntos há tempos, o time sofre muitos gols e marca poucos. Palermo terá uma dura missão, e o clube ficará pela metade da tabela e escapará do descenso mais pela fragilidade de outros clubes do que mérito próprio.
Quem chega: José Luis Fernández (Olhanense/Portugal) e Ciro Rius (Argentinos Jrs)
Quem saiu: Nicolás Olmedo (Barcelona/Equador)
Time base: Nelson Ibáñez; José San Román, Leonardo Sigali, Nicolás Sánchez e Emanuel Insúa; Alexis Castro, Sergio Sánchez e Eduardo Ledesma; Gonzalo Castellani; Facundo Castillón e Mauro Obolo. Técnico: Martín Palermo.

INDEPENDIENTE
Club Atlético Independiente (4 de agosto de 1904)
Estádio Libertadores de América, em Avellaneda (capacidade 52 800)
Títulos: 14 (1938, 1939, 1948, 1960, 1963, Nacional 1967, Metropolitano 1970, Metropolitano 1971, Nacional 1977, Nacional 1978, Metropolitano 1983, Campeonato Argentino 1988/89, Clausura 1994 e Apertura 2002)
Última campanha: 18º
Américo Gallego retornou ao clube na última temporada com a aura de salvador da pátria, mas é pouco provável que ele consiga repetir os êxitos e livrar os Diablos do rebaixamento. Problemas internos e, sobretudo, o futebol apresentado, credencia o clube a disputar a B Nacional. Rolfi Montenegro chegou com a missão de resolver os problemas ofensivos, junto a Tecla Farías, mas não será o suficiente. O plantel do Rojo não é ruim, mas o time tem sido.
Quem chegou: Rolfi Montenegro (América/México)
Quem saiu: Víctor Zapata (livre), Roberto Russo (Nueva Chicago) e Diego Churín (Curicó Unido/Chile)
Time base: Hilario Navarro; Eduardo Tuzzio, Julián Velázquez, Cristian Tula, Claudio Morel Rodríguez; Leonel Miranda, Fernando Godoy, Roberto Battión, Osmar Ferreyra; Rolfi Montenegro e Ernesto Farías. Técnico: Américo Gallego.



