Argentina

Boca Juniors contrata um camisa 10 de peso, já visando a Libertadores 2018: Edwin Cardona

O Boca Juniors vem ainda mais forte após conquistar o Campeonato Argentino. Os xeneizes acertaram nesta segunda uma contratação de peso não apenas para o semestre no qual se dedicarão aos torneios domésticos, mas também visando a Copa Libertadores de 2018. Por empréstimo de um ano, com opção de renovação por mais seis meses, Edwin Cardona chega à Bombonera. É um jogador de talentos inegáveis, embora possua uma personalidade difícil. Nada que tire a empolgação dos xeneizes neste momento, recebendo de braços abertos o (potencial) melhor camisa 10 do clube desde a aposentadoria de Juan Román Riquelme.

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Para quem acompanha a seleção colombiana, Cardona é um velho conhecido, a despeito de seus 24 anos. O meia fazia chover em seus tempos nas categorias de base, e se firmou no nível principal do Cafeteros durante os últimos anos. Participou das duas últimas edições da Copa América e costuma ser utilizado com frequência por José Pekerman – até por ser o atleta com mais capacidade de se equiparar a James Rodríguez, por sua qualidade técnica. Não à toa, se destacou em alguns jogos do time nas Eliminatórias da Copa.

Por clubes, o currículo de Cardona é relativamente extenso, considerando a sua idade. Começou nas categorias de base do Atlético Nacional, mas também rodou por Independiente Santa Fe e Junior de Barranquilla, antes de se firmar pelos Verdolagas. O melhor momento em Medellín aconteceu sob as ordens de Juan Carlos Osorio, liderando a equipe no vice-campeonato da Copa Sul-Americana e na conquista do Torneio Apertura do Campeonato Colombiano em 2014. O sucesso levou o Monterrey a pagar caro em sua contratação, considerando os padrões do mercado, desembolsando €4,15 milhões na transferência. Porém, apesar dos bons momentos vividos no México, nunca compensou totalmente a aposta dos Rayados, sem conquistas que o referendassem. De qualquer maneira, sustentou bons números, com 53 gols produzidos, entre gols e assistências, nas 102 partidas que disputou.

Camisa 10 de ofício, Cardona reúne diversas virtudes que o número às costas pede. Possui ótima qualidade técnica e visão de jogo, combinando isso com sua velocidade. Sabe chegar à frente e finalizar, com um potente chute de direita. É uma arma perigosa nas bolas parada. Pode atuar tanto centralizado na linha de meias, sua posição favorita, ou ser aberto pelo lado esquerdo, como um ponta. E tem totais condições de emplacar como ídolo neste Boca Juniors, até por entrar em um elenco que evoluiu nos últimos meses, sob as ordens de Guillermo Barros Schelotto. O ponto de interrogação fica sobre comprometimento do colombiano.

Ao longo da carreira, Cardona protagonizou alguns episódios controversos por sua falta disciplina. A sua própria saída do Monterrey foi conturbada. Primeiro, rompeu relações com o técnico Turco Mohamed, passando os últimos meses fora do time. Diante da situação, os Rayados acertaram a transferência do jogador ao Pachuca, mas ele o pé e preferiu buscar novo destino. Por conta disso, treinava com o elenco sub-20. Também costuma enfrentar problemas com a balança. Além do mais, outro problema evidente é que nem sempre o meia aparece tão ligado nas partidas. Alterna fases esplendorosas com outras bastante apagadas. Resta saber como a Bombonera funcionará para tirar o melhor de seu novo contratado, que ainda terá alguns meses para se aclimatar, até que a pressão pela Libertadores realmente comece. Neste aspecto de adaptação, ajuda a colônia cafetera formada pelos xeneizes. Nos corredores do clube, se encontrará com três compatriotas: Frank Fabra, Sebastián Pérez e Wilmar Barrios.

Em sua chegada, Cardona preferiu evitar comparações com Riquelme. Natural. Apesar da função, tem características distintas em relação ao velho ídolo, preferindo correr mais o jogo a pensá-lo com a maestria de Román. Ainda assim, a uma torcida carente de alguém que assuma o seu mítico número 10, o colombiano desponta como uma grande esperança. Neste momento da carreira, tem a chance não somente de se firmar em um grande clube, como também de deslanchar como o seu talento permite, especialmente visando a Copa do Mundo de 2018.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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