Boas ideias e princípio pobre
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Não foi um jogo que tenha encantado aos olhos de ninguém, mas, considerando as circunstâncias em que Argentina e Irlanda se enfrentaram, até que deu pro gasto. Rodeado de polêmicas, o time albiceleste fez o que dele se esperava na Copa, com a bola passando pelo meio-campo e Messi jogando na posição em que se sente mais à vontade. O resto, bem, não dá pra avaliar muito.
Ponto para Sergio Batista, que, na contramão de Maradona, escalou uma equipe que privilegiou a troca de passes e a paciência. Foi uma seleção menos vertical do que aquela que se viu na África do Sul. É algo que contará a favor do técnico na briga para seguir no cargo.
Parece ser essa a tendência. Puro palpite, claro – mas tendo em conta a forma como as coisas estão sendo conduzidas até aqui. Fica o alento de que todo o processo será tocado a exemplo daquele de 1994, que levou Pekerman ao comando das categorias de base do país. Quem sabe não dá certo mais uma vez.
Se dará ou não, não sei. Mas não vejo em Batista o nome ideal. É mais uma questão de perfil, de postura. Indicado para o comando do time sub-20, Batista sempre pareceu enxergá-lo como uma plataforma para o principal. Nunca soou realmente envolvido para o trabalho ao qual foi encarregado. Nisso, gerou a desconfiança de Maradona, que, por algum tempo, após flertar com o seu nome para a comissão técnica, o afastou de seu convívio. Temia ser traído. Enfim, Batista é alguém que chegou até onde chegou – ainda que como interino – por meios que não considero legais.
Tecnicamente, ele foi bem no amistoso. Mesmo que não venha a ter sequência, deixou um esboço interessante, com Banega em destaque – Gago, outro desprezado por Diego, também agradou. Ainda podem se juntar a essa turma nomes como Lucho González e Cambiasso. É um esquema que me tem futuro, e que, ainda mais importante, caiu nas graças de Messi, puro elogio a Batista.
Um interino que não se considera interino, o treinador vê Afa e Grondona divergirem no que está em jogo para a sua continuidade no posto. De nada adiantará tentar analisar tal confusão. O que pode fazer de melhor é se preparar para cumprir o calendário até o fim do ano, que já reserva, além da Espanha em setembro, Japão e Brasil.
E Riquelme ri por último
Riquelme tem 32 anos. Há algum tempo já, não joga tão bem – as últimas campanhas do Boca têm muito da queda de seu futebol. Ainda assim, o jogador insistia em seguir no clube. Os dirigentes também queriam. Ofertavam três anos de renovação. O meia batia o pé: queria quatro.
A princípio, tudo parecia ser apenas um conflito de opiniões. Quem já esteve por dentro do futebol, no entanto, sabe que as coisas não são tão simples. Este é um desses casos. Por trás de toda a discussão, havia o desejo de alguns cartolas de que o jogador deixasse a equipe. Era a ala macrista, fiel ao ex-presidente do clube e atual prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri.
O futuro do político em sua atual carreira é algo incerto. Ele considera voltar ao Boca – um movimento que seria bem recebido por muita gente. Para isso, contudo, gostaria de ver Riquelme, seu desafeto, longe da Bombonera. Tinha no tesoureiro xeneize, Daniel Angelici, alguém em quem contava para isso. Angelici tentou o máximo que pôde. Levou a questão até a assembléia. Lá, foi vencido. Votação terminou em 8 a 8, com o presidente Jorge Ameal dando o voto de minerva à favor da renovação.
Era a vitória de Riquelme, que, com a paciência que alguns não teriam, conseguiu o que desejava – a bem da verdade, como brincou o colega Claudio Mauri, do La Nación, em seu Twitter, só faltou a escritura do estádio boquense. Angelici, por seu turno, pediu demissão. Derrotada, os macristas se recolheram. E o Boca, renovado e com Riquelme, segue agora o seu caminho normalmente.
Precedente internacional
Lançamento da direita para a esquerda. Javier Pizzo domina, deixa a bola escapar um pouco e parte para dividida. Tentava recuperar a jogada e recomeçar o ataque dali, da intermediária. Não oferecia muito perigo. Mas vá falar isso com um jovem Mauro Camoranesi.
Começando a carreira com o Aldosivi, o meia via o time liderar o placar sobre o Alvarado por 2 a 0. Mas queria mais. Queria tanto que entrou com tudo no lance. Quebrou a perna de Pizzo em várias partes. No sentido literal da coisa mesmo. Aos prantos, o lateral foi levado ao hospital para ouvir o diagnóstico: teria que abandonar a carreira. Fim do sonho. Não poderia mais se transferir para o Racing, equipe interessada em seu futebol.
Desde aquele dia, se passaram 16 anos. E Pizzo, enfim, conseguiu a vitória que tanto buscou. Agora nos tribunais. Camoranesi terá que indenizá-lo em R$ 350 mil pela falta que cometeu. O ítalo-argentino reluta. Quer que o Aldosivi pague a conta. Os dirigentes rejeitam em acreditar que seja isso mesmo, ainda mais em se tratando de um jogador que vale o que vale e que já ganhou o que ganhou.
Bola rolando
Em dez partidas, 17 gols. Pouco, muito pouco. Reflexo, há quem argumente, do mercado agitado e das mudanças nas equipes. Os cinco grandes decepcionaram. Times como o Boca, por exemplo, empolgam mais pelo que podem vir a apresentar. Resta ver se terá tempo para consumar essa expectativa.
Não surpreende que aquele que mais agradou – se é que algum outro o fez – tenha sido o Vélez, que optou por manter a base de outros anos. E assim começa o Apertura.
Veja na aba “Resultados” como foi a primeira rodada.