Após perder um sobrinho para a depressão, Ábila deu um tocante depoimento e fez um pedido: peçam ajuda
Enquanto a Argentina lamenta a morte de Diego Maradona, Ramón Ábila atravessa uma situação bastante delicada em sua vida pessoal. O centroavante perdeu um sobrinho, que interrompeu a própria vida há algumas semanas, vítima da depressão. No final de outubro, Wanchope chegou a dedicar um gol a Gastón, mostrando a camisa com o rosto do rapaz durante a comemoração. Já neste final de semana, às lágrimas diante das câmeras, o jogador do Boca Juniors deu um tocante depoimento. Falou sobre a dor que vive sua família e pediu às pessoas que sofrem com depressão para que peçam ajuda, para que não se sintam sozinhos.
“Venho sentindo essa dor há vários meses. A pandemia me tirou meu irmão [seu sobrinho Gastón], ele tirou sua vida em minha casa. Foi uma depressão que nunca nos contou, que acontece com muita gente. É preciso dizer às pessoas que passam por essa situação para que peçam ajuda. Há muita gente que vai querer ajudar e terão a necessidade de fazer. Não se têm ideia da tristeza que isso significa, de um dia para outro. É a dor do meu pai, ontem foi aniversário da minha mãe, a dor da família. Ficamos muito tristes na minha casa, mas estou ali para ajudá-los e apoiá-los”, declarou Ábila.
“A Argentina não passa por um momento fácil, o confinamento faz as pessoas se sentirem mal, o desespero de não ter o que comer faz as pessoas se sentirem mal, os vícios fazem as pessoas se sentirem mal – e esse foi um caso. Nós, sem saber, ficamos sem um ser humano grandíssimo, como era ele. Sentimos saudades e vamos recordar dele sempre. Digo a todas essas pessoas que passam por situações similares que tem gente que os ama, que os quer, que peça ajuda, que seguramente vão estar aí para ajudar em qualquer momento que necessitem. A saída é falar, falar e se oferecer a essas pessoas que te amam de verdade, para sair dessa angústia e desses maus momentos”, complementou.
“Para ele pode ser a paz e seguramente foi sua paz o destino que ele quis tomar. Para nós, é uma dor infinita e diária. São muitos golpes, seu ídolo morre, passa isso com você. Minha família, que eu amo, tratou de seguir em frente. Então, quero dizer às pessoas para que peçam ajuda e que tem muita gente disposta a ajudá-los a seguir adiante, para que todos possam superar esse momento e ninguém sofra uma coisa como essa”, finalizou.
Ábila ainda agradeceu a oportunidade de se expressar e lembrou que jogadores são pessoas comuns, com suas angústias e seus obstáculos: “Que os que estão do outro lado não acreditem que somos invencíveis ou imortais. Temos essas tragédias familiares, também acontece com a gente e sofremos. No dia a dia você precisa seguir como se nada se passasse, porque temos que render na partida. Temos necessidades, pais enfermos, filhos e às vezes não pode contar. Você sofre e é muito triste, precisa apoiar nos próximos para seguir adiante”.
https://www.youtube.com/watch?v=bNS7XLLt4Jw
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Caso você sofra de depressão ou possui algum entrave ligado à saúde mental, procure ajuda. Também o faça se você se sentir depreciado, com a autoestima baixa, desesperançoso com a vida e/ou se isolar das relações sociais. Não hesite em buscar auxílio ou o atendimento com um profissional – por exemplo, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de sua cidade ou região, ligado ao SUS, ou mesmo na Unidade Básica de Saúde mais próxima. Você também pode procurar o CVV, o Centro de Valorização da Vida. O canal realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio. Através do número 188, atende gratuitamente pessoas que desejam conversar, sob total sigilo. O contato também pode ser feito pelo site oficial, por e-mail ou mesmo por Skype. Quando você pede ajuda, você: “é respeitado e levado a sério; tem o seu sofrimento levado em consideração; fala em privacidade com as pessoas sobre você mesmo e sua situação; é escutado; é encorajado a se recuperar”.
E se você conhece alguém em uma situação de risco, não deixe de procurar essa pessoa e de oferecer ajuda. O Ministério da Saúde também possui uma página em que orienta como identificar, agir e prevenir o suicídio. Reconheça os sinais, conforme a indicação da Superinteressante e do Ministério da Saúde: “frases ou publicações nas redes sociais que falem de solidão, culpa, apatia, autodepreciação, desejo de vingança ou hostilidade fora do comum; isolamento, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer; preocupação com sua própria morte ou falta de esperança, com sentimento de culpa, falta de autoestima e visão negativa de sua vida e futuro; diminuição ou ausência de autocuidado; aumentar o uso de álcool ou drogas, mudanças drásticas de peso, dirigir perigosamente; perguntas sobre métodos letais, como facas, armas ou pílulas; enaltecer e glamorizar a morte; desfazer-se de objetos pessoais e dar adeus”. Vale ressaltar que, embora não seja a maioria das pessoas doentes que cogita ceifar a própria vida, os transtornos mentais são um fator de risco ao suicídio. Em compensação, há sempre uma saída. O avanço da medicina ligada à saúde mental é significativo e a atenção dada pelo sistema público de saúde ao tema cresceu nos últimos anos.
Diante da possibilidade de ajuda, o Ministério da Saúde orienta “a encontrar um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio. Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento. Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa. Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo”.
Segundo dados da OMS, , “mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano em todo o mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos, sendo que a cada três segundos uma pessoa atenta contra a própria vida. No Brasil, foram 11.821 suicídios oficialmente registrados em 2012, o que representa, em média, 32 mortes por dia. Estima-se que o número de suicídios seja maior do que o registrado, devido ao estigma. Milhões de pessoas são afetadas pelo luto ao suicídio a cada ano. Estudos indicam que cada caso de suicídio tem sério impacto na vida de pelo menos outras seis pessoas de forma direta. Sentimentos ambivalentes são comuns em relação ao ente querido que faleceu de suicídio, como luto, raiva, culpa e outros. É importante aceitá-los como naturais, conversar com familiares e amigos, além de buscar atendimento médico e/ou psicológico, se necessário”. Não deixe de se abrir, se você enfrenta o luto por suicídio.
* Este texto foi escrito seguindo orientações da . Você, colega jornalista, pode se informar sobre a maneira de noticiar um suicídio através dos links.



